Aquilo não fazia sentido para o trovejante. O porque de ter que ser justo com seu irmão. Tinha várias outras pessoas.
Em meio uma batalha sangrenta em Vanaheim, o deus do trovão contra uma deusa insana, ele descobre o motivo do desejo inesgotável do irmão para subir ao trono asgardiano.
A mesma deusa contra quem lutava, era a única responsável pelo equilíbrio nos nove reinos. A que garantia que o bem e o mal, continuassem. E a mulher, alguns anos atrás, duas semanas antes da coroação do loiro, tinha garantido a partir de magia, que o equilíbrio continuaria no reino dos Aesir.
Como o trono já estava garantido ao mais velho, que comandaria o lugar com sabedoria; contando com a ajuda do moreno... Não seria como deveria ser. A paz deveria reinar, mas não o tempo inteiro.
Com isso em mente, a deusa psicótica e feiticeira, enfeitiçou o deus mais novo com o seu próprio desejo infinito de criar o caos. Assim Asgard... "Estaria em ordem"
E por isso estavam guerreando. Thor estava conseguido trazer o irmão de volta ao que era, depois da morte de Frigga, pois estavam abalados.
Quando a deusa soube, transbordou de raiva dentro de si. "As pessoas não estão seguindo o roteiro" pensou com si mesma.
Foi atrás do loiro, que estava em Vanaheim, com planos de o matar e arranjar outra pessoa para estabelecer a paz no reino dos deuses. Muitas pessoas morreram, por causa do estrago que os dois faziam em quanto trocavam golpes e rajadas de energia, tanto de raios como de magia.
Thor tinha conseguido se distanciar da deusa e foi correndo em busca do objeto que tinha ido buscar em Vanaheim, até ser, momentos atrás, atacado. Era um artefato precioso, que seria útil no momento. Ajudava as pessoas a solucionar problemas. Não os desfazia, apenas os amparava. Tinha desaparecido a anos, e só agora o encontrará.
Correu até o objeto caído no chão e agradeceu as Nornas por ninguém o ter pegado durante a luta. O juntou e segurou com as duas mãos, já se preparando para pedir que o ajudasse a fazer com que aquela batalha nunca tivesse acontecido, pois tinha morrido pessoas demais. Só se via casas em chamas e corpos por todas as partes.
Apareceu uma espada em sua mão. Não sabia como que uma arma o faria reviver os moradores do local, mas deixou seus pensamentos quando uma luz lilás começou a envolve-lo. Sabia o que estava acontecendo. Estava voltando para o passado. Colocou-se em posição de ataque, para pegar a deusa de surpresa.
Mas foi ele que ficou surpreso. Ouviu uma voz falar em sua mente. Ouviu essa lhe dizer que a deusa era imortal. Mas que tinha outro jeito.
Não tinha aparecido em frente a mulher. Nem sequer horas atrás, como previa.
Tinha aparecido anos e anos atrás. Em Asgard.
Na frente de Loki, com a espada ainda em mão.
A criança tinha parado assustada no corredor, e tinha os olhos arregalados. Ficaram um bom tempo se encarando, mas o pequeno ficou em choque ao ver o Mjönir na mão esquerda do deus. Ficou mais surpreso ainda quando percebeu quem era, enquanto deixava os livros que carregava cair no chão. Era esperto, logo tinha formado a explicação em sua mente.
— Thor? — O loiro ficou sem reação. Não esperava por aquilo. E por mais que não quisesse admitir para si mesmo, sabia o porque de ter sido trago ali.
— Olá, Loki. — Cumprimentou, ainda paralisado. Viu o moreno franzir o cenho. Estava cheio de perguntas, mas saiu correndo para chamar alguém, e o loiro saiu correndo atrás dele, tentando o impedir. Não sabia o que aconteceria se ele mesmo o visse, mas assim que Loki encontrou Frigga, percebeu que todos tinham congelado no tempo; a não ser ele. O deus trovejante suspirou aliviado. O menor se virou para ele e o encarou com certo medo. Tentou tranquiliza-lo — Eu sou seu irmão, não precisa se preocupar. — Não sabia se era verdade, mas mesmo assim disse.
— Então abaixe a espada. — Falou. Ficou por certo tempo imóvel e se aproximou, fazendo com que o moreno desse dois passos para trás. — Por que você está aqui? — Questionou. "Para matar você, contra vontade" pensou. Provavelmente tinha falado, porque a criança arregalou os olhos e andou para trás até encostar na parede.
Thor sabia que provavelmente o reino de Vanaheim inteiro tinha morrido. Levantou a espada a altura da cabeça e deu dois passos para frente e respirou fundo.
— Eu não consigo — Disse largando a espada no chão. Loki deixou um pequeno sorriso de canto escapar.
— Por que você deveria me matar?
— Não deve se preocupar com isso — Respondeu rápido. — Apenas não conte a ninguém sobre o que ocorreu hoje. — Pediu e saiu andando.
— Aonde você vai? — Perguntou o seguindo. Thor parou e refletiu.
— Pensando bem, eu não sei como volto para o futuro. — Admitiu sincero — Eu usei a Fizix para vir até aqui.
— Você volta depois de seis horas exatas. — Falou o moreno, fazendo com que o loiro ficasse admirado por o mais novo saber sobre aquilo.
— Tudo bem, então. — Suspirou cansado. Loki o segurou pelo pulso e correu pelo castelo. — O que você está fazendo?
— Temos seis horas, embora eu não vá me lembrar de nada quando partir. — Disse sorrindo para o mais velho — Quero te mostrar uma coisa. Já que você do meu tempo não quis ver — Explicou com certa raiva na voz. — Preferiu ficar com aquela desnutrida da Lady Sif. Que não é Lady nem uma, na verdade.
O trovejante riu da cara do menor e a implicância dele com a guerreira desde de jovem. Passaram por corredores do palácio e após esbarrarem em várias pessoas "congeladas" finalmente o moreno abriu uma das portas douradas, e Thor fechou em seguida. Estavam na sala esquecida de magia. Loki o guiou através dos corredores escuros e sujos do lugar. Nas prateleiras tinham livros, potes, poções, varinhas, coisas estranhas e outras que o loiro não fazia ideia do que era.
Quando chegaram ao fim do corredor, o moreno largou o pulso do deus, e abriu uma porta pequena que tinha e entrou, porém estava limpa, pois provavelmente Loki a usava a algum tempo. Abriu e lá tinha um lobo pequeno e com pelagem preta. O pegou no colo e levou até Thor, o mostrando.
— O nome dele é Fenrir. — Disse o menor, acariciando. Olhou para Thor sorrindo. — Eu achei ele na floresta. Odin não me deixaria ficar com ele, então o escondi aqui.
Thor deu carinho no animal e Loki o escondeu novamente, saindo do local e indo mostrar várias coisas interessantes ao loiro, que se perguntou o porque de ter preferido passar o dia com Lady Sif.
Passaram as seis horas, visitando coisas e Loki perguntando para Thor o porque dele ter ido o "matar". O loiro tinha parado e explicado os últimos acontecimentos. Tudo que o deus tinha feito e sobre a deusa o enfeitiçar. O menor tinha ficado surpreso com o rumo das coisas em sua vida, mais aproveitou os minutos para conversar com Thor.
Quando estava anoitecendo o moreno avisou sobre que provavelmente já teria que ir embora. O trovejante tinha aproveitado as seis horas. Mesmo que o mais novo não fosse se lembrar.
— Thor — Chamou o mais novo e o irmão se virou. — Você vai mesmo tentar me fazer voltar a ser o que era? — Questionou.
— Sim. Prometo.

