Cap. I – Um novo caso

Bem, muitos me perguntam como eu conheci minha fiel companheira peluda. Acontece que por trás dessa grande amizade há uma história um tanto quanto... Estranha. Billie Jean não tem mais de dois anos e já me meteu em muitos problemas. Tudo começou numa manhã comum, onde eu supostamente estava de folga.

Eu estava sentada na sala, lendo (novamente) um dos meus livros favoritos da Agatha Christie. A casa estava uma bagunça sem tamanho, nem banho eu havia tomado ainda. Bebia calmamente meu chocolate quente com chantili. Mal havia passado da metade do livro quando um chute derruba a porta do apartamento. Eu me viro e vejo nada menos do que Tyler, tentando fazer uma entrada triunfal. E, por favor, destaque o tentando; ele simplesmente destruiu minha porta e derrubou minha estante. A sorte é que não havia nada frágil lá... Além da porta... -SAMMY! Eu preciso de você!

-Tyler, quantas vezes eu vou ter que repetir? – eu fechei o livro. – Meu nome é Samantha. Sa-man-tha. S-A-M-A-N-T-H-A. Não é Sammy, nem Samira, muito menos Samara ou qualquer coisa do gênero. É Samantha e, talvez, Sam. Entendeu?

-Claro, claro, Samira. – ele deu ênfase no apelido idiota. – De qualquer jeito, eu preciso de sua ajuda num caso.

-Do que se trata? – perguntei, deixando meu livro de lado.

-Sequestro. Uma família de cães de uma fazenda há algumas horas daqui. Não é lá muito grandioso, mas todos os meus detetives menores estão ocupados. Você é a minha última...

-Não aceito. – cortei.

-... esperança. Qual é, Sammy! Por que não?

-Primeiro, porque você quebrou minha porta e derrubou minha estante. Segundo, quem disse que eu trabalho pra você? Terceiro, eu não sou sua última opção, Tyler. Se me quiser em seus casos, me trate como prioridade. E, por fim, porque hoje é o meu dia de folga.

-Mas Sammy...!

-Meu nome é Samantha, eu já disse. E eu NÃO vou fazer parte disso. – finalizei, voltando a ler meu livro.

-Mas Sam... – ele parou no meio da frase e teve uma idéia. Se virou em direção a porta e voltou a falar. – Bem, por mim tudo bem, Srta. Banks. Se você não está nem aí para aqueles filhotinhos fofos e peludos de labrador, quem sou eu para impedir... O que será que os seqüestradores vão fazer com eles? A mãe é uma cadela premiada, então os filhotes também devem ser lindos. Eles devem treiná-los e inscreve-los num concurso para cães quando forem maiores... Mas se você não quer resgatar aqueles pobres filhotes, acho que eu já estou indo... – MALDITO! Ele sabe que eu adoro filhotes... Mas, não tem como eu aceitar esse caso... Sem chance de eu dizer...

-Tá legal, Tyler. Eu me rendo à sua astúcia e a sua inteligência superior. Me dê o endereço. Eu vou só tomar um banho e vou investigar. – E lá se vai minha força de vontade.

Ele deu um meio sorriso.

-Essa é a Sam que eu conheço. Prepare-se logo, eu te levo até lá.

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