House of Pies.
House of Pies.
Chapter 13 min read

1

Ela estava longe do que era certo. A pior parte do dia era voltar para casa. Os olhos a cercavam, as línguas falavam sobre o que ela fazia, de como ela se portava, agia e pensava. Os corações, tolos, inúteis, tentavam sentir-se como o dela, numa vaga tentativa de ajudar o que chamavam de doente. O ar era pútrido, tudo o que deveria fazer era permitir que ele o sufocasse e que os ruídos estourassem os seus tímpano, ainda tinha lágrimas, e com elas, a esperança de se afogar na água salgada. Sangue escarlate, líquido que mantêm o sopro que chamam de vida, escorre. Sente que o corpo vai morrer, as coisas parecem melhorar quando ela consegue desaparecer. Eram todos robôs, máquinas, movidos pelo tempo e pelos desejos, alguns são feitos de merda, e outros são fabricados a base de expectativas. Eram todos uns ridículos, que achavam que sabiam de alguma coisa, ela queria a antipatia daqueles, o desprezo, tudo era vindo de alguém que não sabia se queria sentir mais nada ou se tinha ânsia de viver. Ela preferia beijar os mortos e viver de suas ilusões, no fundo era uma criança jogada ao seu próprio relento, ninguém sabe nada sobre aquele horizonte, e o horizonte não quer deixar que saibam sobre ele. Vagar desesperada em busca das coisas que a faziam esquecer os seus demônios era o seu alimento, nos braços fortes dos homens de olhos bonitos que a enganavam, das músicas que a faziam se perder cada vez mais em seu torto caminho e das garrafas de álcool que a faziam sorrir, e se perdia nas realidade distintas, sentia a ilusão melhor do que sua realidade, os desejos eram supridos pelas ilusões e pelos refúgios que encontrava, além da vontade de torná-la a sua verdadeira realidade. Queria ela estar alheia e esperar que a vida lhe carregasse ao encontro da morte nos braços, sem lhe torturar, porém ela estava interessada em consumir até a última gota de sanidade. A mulher criara um castelo de areia com seus devaneios, com suas loucuras e sonhos, e tentava protegê-lo de ser consumido pelo cruel mar.

Os pensamentos dela foram deixados á mostra, se sentia nua e exposta a frente de uma multidão de curiosos, ao ter seus pequenos demônios revelados e pronunciados, vindos do fundo dela, um fundo íntimo, escuro e denso, onde ela costumava se recolher.

Comments & Reactions

Share your thoughts, attach collectible stamps, and react with the author and community.

You have reached the latest chapterReturn to story overview
Story Index