Loki não gostava de Jane desde que ouvira falar dela pela primeira vez. Jane não gostava de Loki, consumida pela inveja do tratamento que o moreno recebia de Thor. Todos entendiam isso perfeitamente por conta dos olhares faiscantes que ambos trocavam menos, é claro, o loiro... Loiro até demais...
Contudo, desta vez Thor ultrapassara os limites de sua ignorância ao permitir que Loki e Jane permanecessem sozinhos em um dos salões de Asgard para “conhecerem-se melhor”. Era óbvio que aquilo não daria certo, principalmente da parte de Loki que fazia questão de demonstrar seu desgosto de todas as formas possíveis.
- Então Loki... – começou Jane, completamente sem graça e desconfortável. – Você deve entender e conhecer sobre coisas incríveis do universo.
- Como maneiras variadas de matar diferentes espécies – respondera Loki com rapidez, sorrindo de uma forma cruel que demonstrava o quando se divertia naquele momento. – E devo acrescentar que a os humanos são uma das mais fáceis – comunicou-a em seu tom baixo e sedutor de ameaça.
- Pois é... – desviou o olhar, constrangida. Passaram-se alguns segundos de silêncio, com Jane ouvindo somente o crepitar das madeiras no fogo da lareira ao seu lado. – E Thor? Como ele tem passado este últimos dias? Bem e... Normal?
Aquilo pareceu interessar o Deus das Mentiras a ponto dele embalar-se para frente, apoiando os antebraços nas coxas, dando uma atenção embaraçosa à Jane. Para Loki aquilo seria extremamente divertido...
- Oh, claro minha querida Jane. Na verdade Thor me pareceu excepcionalmente mais ativo. Alegre, descontraído... Na verdade até tem sido uma pessoa melhor. – Loki recostou-se novamente na poltrona, sorrindo animado. – Ah, mas é claro que eu sou suspeito de falar. Thor sempre me trata tão... Bem.
- Oh... – soprou Jane, visivelmente enciumada, para o deleite do Deus. – Que bom que voltaram a serem amigos, certo?
- Mais que isso, minha cara. Thor sempre demonstrou-se ser tão apegado à mim que era difícil conseguir um momento a sós. Ele praticamente se arrastou, implorando pela minha afeição. Fui obrigado a voltar a ser seu querido irmão.
Jane não era inocente como Thor e conseguia interpretar muito bem que além de Loki não gostar de si também fazia de tudo para incomodá-la e fazê-la sentir que não se encaixava em Asgard. O ponto era que o príncipe loiro asgardiano não estava ali, dando total liberdade à moça para responde-lo.
- Entendo perfeitamente. Como namorada de Thor ele tem feito absolutamente tudo para me agradar.
- Imagino... – replicou o moreno, desejando poder torcer o pescoço daquela maldita humana até parti-lo. – Não se preocupe, vivendo mais aqui em Asgard você entenderá a diferença entre laços fraternais e românticos. É somente uma questão de tempo até que-
- Achei que você fosse adotado.
O Deus das Trapaças irritou-se terrivelmente perante a petulância daquela frágil e facilmente assassinada midgardiana. Jogou-se para frente e estreitou os olhos verdes azulados mortíferos. Jane recuou, amedrontada.
- Por que você não explica isso ao seu namorado? Pois parece que a falta de nossa ligação sanguínea demonstra à ele que devemos aprofundar nossa relação...
A jovem demonstrou-se boquiaberta, paralisando no lugar. Seu tom fora ameaçador a ponto de Jane sentir-se correndo risco de vida, principalmente perante uma análise mais detalhada do passo daquele Deus asgardiano.
- Isso... Isso não é verdade. Eu e Thor temos um relacionamento sólido e verdadeiro.
- Claro. É por isso que quando uma significante quantidade de energia foi reunida para poder leva-lo à terra Thor passou o tempo todo implorando para que eu voltasse para casa ao invés de ir vê-la.
- Porque você ameaçava a segurança de todo o meu mundo!
- Mas me capturou, não foi? E o tempo seguinte preocupou-se em agradar-me ao invés de cogitar a possibilidade de ir vê-la. Ou você prefere que eu cite sua primeira visita, aquela a qual acarretou na morte de nossa mãe e quase a destruição dos Nove Reinos porque a moça decidiu “brincar” com o éter? Ou quem sabe eu deva destacar o fato de que ele somente resolveu lhe visitar dois anos após o concerto da Bifrost e isso exclusivamente porque havia algo de errado em você; novamente, o éter.
A tensão era notável para os guardas asgardianos do lado de fora. Faíscas cruzavam os olhos de ambos, com Jane visivelmente intimidada. Não era nada bom irritar o Deus da Trapaça, mesmo sob a proteção do mais velho. Repetia a si mesma para não temê-lo, mas esta parecia mais uma missão impossível.
- Está chateado porque vive a sombra do irmão – arriscou-se Jane uma última vez, sem medir suas palavras.
- E você vive á minha sombra, sendo para Thor somente uma substituta minha.
- Voltei, meus queridos amigos! – anunciou grandiosamente Thor, abrindo as pesadas portas com um grande sorriso.
Jane sorriu e Thor aproximou-se dela, segurando sua mão e depositando um suave beijo em seus dedos delicados.
Loki ergueu-se com toda sua costumeira postura e classe. Empurrou sua capa esverdeada para trás e ergueu o queixo, demonstrando sua autoridade e superioridade ao passar pela humana, seguindo na direção da saída.
- Onde vais, irmão?
- Descansar – respondeu o moreno sem nem ao menos virar-se. Parecia quando, no meio do caminhou parou e voltou-se para Thor, chamando a atenção do casal. – A propósito, Thor, acho melhor dar uma pausa em suas visitas noturnas ao meu quarto enquanto Jane estiver aqui.
Thor protelou, demorando-se a responder. Loki deu de ombros, fazendo pouco caso e Jane demonstrou-se furiosa.
- Thor, leve-me de volta para a terra agora!
- Mas por quê, Jane...?
O filho adotivo de Odin sorriu satisfeito e vitorioso, partindo com um enorme e malicioso sorriso enfeitando sua face, pois desta vez o Deus das Mentiras não precisara usar de seus truques para alcançar seu objetivo.

