Dark Lands Chapter 5
Dark Lands Chapter 5
Chapter 17 min read

Capítulo 5

Dark lands Capítulo 5

Alba acordou num sobressalto. Janus dormia profundamente ao seu lado e nem percebeu quando ela se levantou e andou na direção da porta de madeira envelhecida, que abriu sem deixar escapar qualquer rangido ou estalo. A escuridão parecia querer tomá-la para si.
A herdeira manteve os olhos fixos no breu por alguns minutos, parecia ouvir algo que ninguém mais era capaz de ouvir. Estava tão concentrada que se assustou com Eleonor, que surgiu sutilmente, vindo como um fantasma de dentro da escuridão densa e pesada que arrebatava tudo àquela hora.
-Você também ouviu, não foi?
Alba, com a mão na altura do coração respirou fundo para se acalmar do susto.
-Ele pegou mais um de nós, uma filha, com eu... Lamentou a jovem com os olhos tristes.

Eleonor passou por ela; trazia com ele dois animais ainda vivos.
-Venha, não é seguro ficar à mercê da escuridão, Alba. Disse.
Ela ainda se demorou por um momento, mas logo voltou e fechou a porta. Olhou para Janus que ainda dormia.

-Realmente confia nele, não é? Falou Eleonor enquanto pegava uma pedra no chão e começou a passar pelo fio de uma adaga que tirou da bainha em sua cintura.
-Precisamos da ajuda dele. Respondeu a jovem, aproximando-se das criaturas que ele deixou no chão ainda amarradas.
-Ele pode por tudo a perder. Disse ele, virando a lâmina para amolar do outro lado.
-Não é isso que eu vejo em minhas previsões. Retrucou, enquanto alisava o pelo do coelho maior.
-Sabe que sou o herdeiro mais velho que ainda vive, bela Alba. Sinto o cheiro dos problemas que podem nos causar. Disse Eleonor, olhando Janus pelo canto do olho com desprezo.
-Não o subestime, vimos que ele é poderoso, apenas não tem o controle sobre sua vontade. Falou Alba, voltando os olhos para o animal. Sua mão repousou sobre o dorso cinza escuro.
-Sua doçura é encantadora minha jovem... Sorriu. Rapidamente voltou suas atenções ao que estava fazendo e permaneceu em silêncio, amolando meticulosamente cada centímetro da incomum lâmina cinzenta.

-Alba, Eleonor? O mago havia acabado de acordar e se levantava, limpando com as mãos os fios de palha que se prenderam em seu manto.
-Estamos aqui, junte-se a nós. Eleonor trouxe comida. Disse Alba com a voz que mais parecia uma melodia para ele, tanto foi que se apressou na direção da lareira a tempo de vê-la sentada no chão com um dos animais nos braços e o herdeiro da água, que agora limpava o pó acumulado na lâmina que acabara de amolar. O jovem juntou-se a Alba, observando o coelho com curiosidade. Porém, mal tocou as pontas dos dedos no pelo do animal, Eleonor se levantou de onde estava e se aproximou.
-Com licença, mago. Disse, enquanto pegava o coelho pelas orelhas compridas.
Com um movimento rápido e preciso de sua adaga ele corta a garganta do animal que se contorce de dor. Ele começa a beber do líquido quente, que escorre por sua garganta.
Constrangida, Alba vira o rosto e tenta fazer com que o outro coelho se acalme pois os gritos do companheiro ferido o alertam sobre o perigo que o ronda.
Vendo a repudia dela, Janus não mais se contém e levanta num pulo.
-Ficou louco? O que pensa que está fazendo? Gritou, enquanto dava um empurrão no ombro esquerdo de Eleonor, fazendo-o derrubar a caça no assoalho da cabana. O nobre puxa sua adaga mais uma vez e para a lâmina no pescoço de Janus; seus olhos estavam agora tão frios e cortantes quanto a arma que empunhava.
Janus e Eleonor se encararam por alguns instantes, até que o herdeiro da água baixou a adaga e apanhou o corpo ainda trêmulo do animal.
-O que estou fazendo? Tolo... Estou poupando sua vida. Ou prefere que eu faça isso com você? Disse, virando a cabeça para trás e espremendo na boca o sangue vermelho vivo que saiu gotejando da criatura. Ele lambeu os lábios com satisfação, enquanto entregava a carcaça nas mãos do mago.
-Assem-no e comam. Vocês dois também tem que se alimentar ou morrerão de fome... Dito isso ele pegou o outro coelho no colo de Alba e voltou para o canto do aposento, tirou uma bolsa de couro que carregava amarrada na cintura e a abriu, retirando uma pequena rolha que tampava sua extremidade; era um tipo de reservatório, cuidadosamente costurado para que não houvesse vazamento de seu conteúdo. Logo ele usou novamente sua adaga e o sangue do animal foi armazenado até a última gota dentro da bolsa, que foi novamente tampada e amarrada à sua cintura.
Janus observava cada um de seus movimentos.
-Calma... Sussurrou Alba no momento em que Janus olhou para ela. O mago respirou profundamente; estava com muita raiva, mas ponderou e preferiu não fazer nada naquele momento. Sendo assim, como não tinha escolha, pegou uma faca, que trazia escondida em sua bota e usou-a para limpar o coelho; depois retirou a pele, colocou para secar próximo do fogo e espetou a carne em um graveto junto às chamas, para que pudesse assar.
Só então ele se voltou para Eleonor...
-Agora vamos ter uma conversa séria, seu maldito, verme bebedor de sangue...
-É mesmo? E quem vai falar comigo, criança insolente? Você? Agora vá comer e pare de vir até mim com essas suas piadas. Riu-se Eleonor.
-Pode parecer superior agora, mas sei que você vai se voltar contra nós, tenho certeza disso. Você não é confiável e eu sinto isso dentro de mim. Vociferou Janus.
-Ah... Então é assim que agradece pelo alimento que encherá seu estômago hoje, mago? Disse com a voz cheia de veneno, encarando o jovem mago nos olhos.
Antes que o conflito fosse iminente, Alba se colocou entre os dois.
-Até quando vocês vão continuar com isso? Sinto muito Janus, mas Eleonor tem razão e se não fosse por ele não comeríamos essa noite.

O mago não conseguia acreditar no que vira, Alba havia acabado de defender Eleonor.
Janus virou-se, rangendo os dentes e segurando dentro de si toda a fúria que percorria em suas veias.
Alba tentou acalmá-lo mas foi em vão; ele saiu da cabana, batendo a porta atrás de sí. Ela olhou para Eleonor com olhos que imploravam por ajuda. Ele embainhou sua adaga de volta e saiu atrás do jovem rebelde enquanto balançava a cabeça em sinal de total desaprovação.
Janus entrou cada vez mais fundo na escuridão, andando a passadas largas e firmes.
Ele não ficaria mais ao lado daquele suksor infame, nem mesmo por Alba.
Ele ainda se perguntava se Alba amava aquela criatura. Se não o amasse, para que o defenderia com tanto vigor?
Por ... Coelhos? Ele também podia caçar alguns animais, arrumar comida.
Ele não entendia isso e não estava mais nem um pouco disposto a entender o que havia acontecido, muito menos o que passava na cabeça dela ou do maldito verme sugador de sangue que insistia estar ao lado dela.

Toda aquela escuridão e Janus sem imaginar por onde ia; até que repentinamente se desequilibra em uma raiz saliente, acabando por mergulhar em uma poça até a altura dos joelhos. Ele se agarrou na vegetação da beirada, se puxando até sair daquele poço gelado.
Ele sentiu uma picada na perna e usando a capa afastou o inseto dali. Continuou andando a esmo na escuridão densa que sufocava aquelas terras.
Em poucos minutos Janus ficara exausto. Decidiu sentar-se e tateou ao redor em busca de alguma pedra ou galho onde pudesse finalmente descansar. Ele sentia a pele ao redor da picada que levou do inseto arder e as pontas dos dedos dos pés pareciam estar sem tato algum. Com sorte ele encontrou um tronco com uma fenda grande o suficiente para ele entrar e se proteger do frio e da umidade.
À medida em que o tempo passava, Janus, encolhido ali como estava, perdia a vontade de se mover. Os olhos foram ficando pesados, os sons e cheiros ao redor começaram a desaparecer lentamente e as batidas de seu coração fraquejavam.
Janus não sabia, mas estava prestes a morrer tomado pelo veneno de um suksor que o picara minutos atrás quando escorregou no poço próximo à cabana.
Ele se esforçou, abrindo os olhos uma última vez. Sentiu que alguém se moveu perto dele, porém não conseguiu perceber quem era e deixou as pálpebras caírem lentamente, se entregando ao sono eterno e arrebatador.

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