As gotas de água eram consistentes, e macias. Pequenas gotículas no ar que vagavam pelo universo, vindas de planetas mortos, meteoros perdidos, naves despejando seu lixo residual, não importa, água, pequena gotículas de água lutava contra a física, logica e a vida em sua vontade sem igual de simplesmente existir, caminhando entre estrelas, constelações. Uma veio a caminho da Tardis, sutilmente Doctor ergueu a mão para toca-la. E lá estava ela, uma gota d’agua.
— Você está bem? – Clara perguntou intrigada enquanto impulsionava seu corpo para os lados chutando a base de comando da Tardis, girando na cadeira. – Você está quieto, quieto demais, nunca esteve tão quieto, na verdade tudo aqui está bem quieto né? POR QUE ESTÁ TUDO TÃO QUIETO, DOCTOR ME RESPONDA QUANDO EU FALO COM VOCÊ.
Doctor fechou as portas que davam para a paisagem de a constelação onde outrora se localizava os pilares da criação. Caminhou calmamente pelo corredor da nave com o som de seus passos ecoando na grade no chão da mesma e pôs seu dedo na ponta do nariz da garota.
— GOTAS D’AGUA, de onde elas vieram? — Doctor secou o dedo em seu terno e encarou Clara. – Seu nariz sempre foi redondo assim? Tenho quase certeza que tem algo de errado com ele.
A garota limpou o nariz de imediato se erguendo enfurecida. – OI, combinamos de você parar de chamar meu rosto de redondo.
- Não estou chamando seu rosto de redondo, só esse nariz, esse pequeno e irritantemente redondo nariz. – Retrucou Doctor de pronto.
— Eu vou fingir que não ouvi, o que tem com as gotas d’agua, elas vieram de onde todas as gotas d’agua geralmente vem.. de algum lugar que se tem água certo?
Empurrando a cadeira de Clara para longe Doctor pôs as mãos nos comandos da Tardis e começou a prepara-la para viagem, travando o monitor de navegação nas coordenadas certas e ligando os motores ao puxar a alavanca para trás.
— Vamos descobrir então. – Doctor dizia franzindo a testa e se segurando no console da nave enquanto ela começa seu familiar som indicando que estava de partida.
Clara tombou para trás na cadeira perdendo o equilíbrio com a viagem da nave. – Descobrir o que?? Onde a gente ta agora?
Doctor deu a mão a menina a erguendo da cadeira e fitando a porta da Tardis curioso enquanto caminhava até ela, o cheiro de fumaça pós viagem se erguia no ar junto da usual barulheira da mesma.
Doctor pôs as mãos na maçaneta abrindo a porta lentamente. – Estamos no começo de tudo, onde dizem que toda a vida começou, sabe como seus professores dizendo que não existe vida sem água. Bom eles estão errados, é claro que existe, em Ffrucepaos existe uma especie que literalmente se alimenta unica e exclusivamente de poeira, são bem avançados inclusive, um pouco rudes também, e definitivamente nojentos, nunca limpam suas casas ou simplesmente passam um pano.. Por motivos óbvios, mas ainda assim, nojentos. – Assim que a porta se abriu era possível ser ver um vasto terreno árido montanhoso, as montanhas eram cinzas pálidas diferente de qualquer montanha já vista, no céu um sol amarelo queimava tímido enquanto três luas, cada uma de uma cor diferente — verde, laranja e azul. Orbitavam o planeta. – Bom, estamos aonde aparentemente a água foi criada.
— O que você quer dizer com criada? Alguém criou a água? – Clara caminhou para fora da Tardis pisando no terreno arenoso de que era feito toda terra e montanhas que ela podia ver.
O céu tinha um tom verde musgo, o ar era puro, mais puro do que qualquer ar já respirado. As três luas dançavam entre si mesmas lentamente, ambas mantinham o planeta iluminado em diferentes pontos, como gigantescos holofotes. O sol queimava fraco, cansado, o frio era forte ali, mas não existia vento, nem uma baforada sequer. Clara se abaixou para tocar o terreno, ele era feito de uma areia cinza pálida, a mesma reagia ao toque, como um ser vivo, pulsava vida em cada grão e juntos se moviam, moldavam montanhas, se desfaziam em depressões.
— Doctor, olha isso a areia ela.. – Clara pôs um pouco da mesma próxima ao ouvido e conseguiu ouvir ela respirar, tentar respirar, os grãos sufocavam lutando para absorver o ar puro que o planeta era rico por. – Ela ta viva, e respirando, tentando respirar.
Doctor tocou o chão com a sua screwdriver com o habitual som irritante e luz verde saindo dela. A areia tímida ali recuou para os lados quando a luz tocou o solo, Doctor olhou o aparelho por alguns segundos admirando intrigado a terra.
— Ela está viva, eu nunca vi algo assim. – Ele sorria sem parar passando a mão no queixo tentando entender alguma logica nisso. – Eu não consigo nem sequer pensar direito, EU NUNCA VI ALGO ASSIM, você sabe o que isso significa?
Clara franziu a testa soltando a areia e olhando confusa para ele. – Significa... o que?
— SIGNIFICA que eu estou curioso. – Doctor se pôs a caminhar pelo campo de areias vivas apressadamente enquanto Clara acompanhava ele atrás.
Longe dali, em um pequeno satélite esverdeado podia se ouvir maquinas, mas não existia som de metal, ou engrenagens, ouvia-se um constante pulsar em meio a som de entranhas se expandindo e retraindo repetidamente. Uma vistosa arvore com raízes escuras e úmidas, um liquido esverdeado saía da mesma as vezes, ela abria suas raízes liberando o liquido em uma piscina natural e se retraia tentando proteger uma ferida que era obrigada a abrir. A arvore tinha singelos 41 metros de altura e suas folhas não eram folhas, eram grãos de areia que lutavam para se manterem grudados a raiz escura da mesma. Próxima da arvore uma criatura alta com o corpo cromado em um cinza cintilante olhava através de um visor para o planeta cinza que o satélite orbitava.
A criatura grunhiu algo em uma linguá tão antiga que nem mesmo a Tardis era capaz de traduzir, apos o grunhido outro homem cromado surgiu caminhando até ele e após um curto dialogo o mesmo pulou do satélite onde estava, um pulo tão alto que tirou o mesmo da orbita do satélite o fazendo ser rapidamente atraído pela gravidade do planeta cinza e logo começou a cair em direção a ele.

