— Algo bonito. — Era a vez de Luna de pedir algo. Com um sorriso doce, ergueu o seu corpo, sentando-se ao lado dele no rochedo sem muita dificuldade. — Me traga algo bonito.
Já faziam dez anos desde o dia em que se conheceram. As pequenas tradições que haviam criado eram extremamente preciosas para ambos, e colaboravam para que continuassem pensando um no outro, mesmo quando estavam distantes.
A primeira havia começado no final do verão, há dez anos, quando Armin anunciou que seria o seu último dia na região, Luna pediu para que trouxesse algum artigo humano no ano seguinte, como prova de seu comprometimento a amizade deles.
No ano seguinte ele lhe trouxe um pacote de lays e um relógio do Bob esponja, e no seu último dia, Luna prometeu lhe trazer algo também.
— Claro. Vou me lembrar disso. — Apesar do olhar cansado em seu rosto, e as olheiras profundas debaixo de seus olhos, Armin não poderia deixar de estar feliz. — Pode me trazer algo importante para você?
Luna assentiu, olhando para ele com certa preocupação.
— Não quer mesmo se retirar mais cedo hoje?
Olhando para a posição da Lua no céu assumia que fosse uma, talvez duas da manhã. Armin nunca foi de dormir cedo, mas não conseguiu deixar de notar o quão cansado parecia nos últimos tempos.
— Nossa, Lu. É o meu último dia aqui, pensei que iria me querer por perto.
A sereia o conhecia bem o suficiente para saber que ele estava propositalmente mudando a direção da conversa.
— Você entendeu o que eu quis dizer. — Ela esticou o seu braço para tocar o seu rosto, se aproximando um pouco mais no processo. A sereia tinha uma notável dificuldade em entender o conceito de espaço pessoal devido às suas diferenças culturais — Você está exausto! Isso é minha culpa.
O humano permitiu que a criatura marinha tocasse o seu rosto, acariciando a sua pele gentilmente com o dedão.
— Não é sua culpa, Calliope. — A sereia se assustou quando ouviu o seu verdadeiro nome sendo citado. Não era algo que ele fazia com frequência. — E mesmo assim, não é como se pudesse te ver todo o dia, não posso deixar essa oportunidade passar.
Ele olhou para ela com afeição, e a sereia sentiu o seu coração bater mais rápido no seu peito.
Já faziam dez anos desde o dia em que se conheceram, e esta seria a décima vez que ele a deixaria.
Costumava a acreditar que cada despedida seria mais fácil do que a anterior, mas parece que o oposto era verdade.
Queria desesperadamente ir com ele, mas sabia que era impossível.
— Eu queria que isso fosse mais fácil.
A loira permitiu que ele deitasse a cabeça em sua cauda. Não deveria ser muito confortável, mas ele parecia perfeitamente contente com a sua posição.
— Nós?
Aproveitou para acariciar o cabelo do rapaz.
— Sim.
A brisa estava um pouco mais fria do que o usual, indicando o fim eminente do verão. Luna não conseguiu esconder a tristeza em sua voz.
— Eu também, Luna. Eu também...
Nenhum dos dois ousou falar mais sobre assunto, optando por observar o movimento das ondas em silêncio.
Armin fechou os olhos, permitindo-se descansar por alguns minutos no colo da amada, e naquele momento, aquilo era o suficiente para ambos.u

