A noite estava fria, mas a lua brilhava forte sob a cabeça dos espectadores. Cada estrela brilhava intensamente clareando a floresta. Sesshoumaru naquela noite, havia tomado uma decisão difícil para si, mas que sabia que no fundo, estava tomando a decisão certa. Enquanto Rin brincava com Ah-Uh, Sesshoumaru chamou Jaken no canto para conversar.
— Jaken, está na hora de discutirmos sobre o futuro de Rin. Ela tem vivido conosco por muito tempo, mas talvez seja melhor que ela siga seu próprio caminho. O pequeno youkai verde arregalou seus olhos amarelos. Estava extremamente assustado com as palavras de seu mestre. — Mas, meu senhor, Rin se tornou uma parte essencial da nossa jornada. Ela é tão útil e está sempre ao seu lado. Ela é leal a nós, mesmo sendo humana. Por que deixá-la para trás?
Sesshoumaru encarou a lua por um tempo, tentando não olhar para a garota. — Jaken, você sabia desde o início que Rin não é um youkai, mas sim uma humana frágil e delicada. Ela tem um potencial inexplorado para ser feliz e aproveitar a vida entre os humanos. Eu quase a perdi uma vez. Quero que ela cresça em um ambiente mais seguro. Talvez seja hora de oferecermos essa oportunidade a ela.
— M-mas, meu senhor, insistiu o pequeno youkai. — Ela é tão jovem e inocente. Ela confia em você e acredita em nossas batalhas. Se a enviarmos para viver com os humanos, não estaremos deixando-a vulnerável aos perigos que ela nunca enfrentou?
Sesshoumaru olhou decidido para Jaken. — Eu entendo suas preocupações, Jaken. Mas a vida de um youkai não é adequada para uma humana como Rin. Ela merece a chance de ter uma vida normal, cercada por pessoas de sua própria raça. Ela merece ter a liberdade de crescer, aprender e amadurecer no mundo humano. Além do mais, ela ficará no vilarejo com Inuyasha.
— Mas, meu senhor! Insistiu novamente o pequeno youkai.— E se ela nunca encontrar seu lugar entre os humanos? E se ela se sentir perdida e abandonada sem nós por perto? Sesshoumaru encarou Rin por um momento ao longe, ela sorriu e acenou para Sesshoumaru e Jaken. Jaken tentou conter suas lágrimas ao ver a inocência da garota. Sesshoumaru sussurrou quase que para si mesmo, mas alto suficiente para Jaken ouvir.
— Confie na minha decisão. Eu estou ciente dos riscos, mas também estou ciente da natureza humana. Os humanos têm a capacidade de se adaptar e encontrar seu próprio caminho. Se ela sentir falta de nós, eu irei ao encontro dela a qualquer momento que for necessário. Mas é hora de permitir que Rin siga seu coração e descubra onde está sua verdadeira felicidade.
Jaken encarou triste a garota e em seguida olhou para seu mestre. — Como desejar, meu senhor. Rin merece tudo o que há de melhor. Farei o possível para apoiá-lo em sua decisão e estar sempre disponíveis caso ela precise de nós.
Sesshoumaru suspirou— Seu apoio é crucial nesse momento.
Jaken se afastou de Sesshoumaru e foi conversar com Rin a sós em tom de despedida, a garota não entendeu direito o que estava acontecendo. Jaken apenas se resumiu em dizer que, ele estaria por perto sempre que ela precisasse. Pegou as rédeas de Ah-Uh e puxou para longe da garota. Rin encarou o pequeno youkai verde se afastar e a aproximação de Sesshoumaru. Ele olhava para Rin com seriedade enquanto a brisa da floresta balançava seus longos cabelos prateados. Aquele era o momento que ele temia, teria que permitir que ela partisse para explorar o mundo humano.
— Venha Rin, me siga. Disse ele em tom firme.
A pequena o encarava tentando decifrar seu mestre. Não demorou muito durante a caminhada para ela enchê-lo de perguntas sobre para onde ele estava a levando. Depois de alguns minutos de silêncio, ele finalmente começou a falar.
— Rin, chegou o momento de você tomar seu próprio caminho. Disse enquanto guiava a garota para o vilarejo onde Kagome e Inuyasha viviam.
—O-o-que? Disse ela gaguejando e recuando alguns passos para trás.
Sesshoumaru com sua voz firme e decidida continuou a falar calmamente, mas com um toque de tristeza.
— Eu sei que isso é difícil de entender, Rin, mas como humanos, você merece experimentar a vida no mundo humano. Encontrar seu próprio caminho, cercada por pessoas de sua própria raça. Entenda isso como uma nova experiência. Você poderá crescer em um local seguro, e aprender a viver como uma humana verdadeira.
— É hora de você ter a liberdade que lhe foi negada por tanto tempo.
— Não, eu não quero! Disse recuando mais alguns passos.
Eles já estavam quase na entrada do vilarejo. A garota parecia confusa.
— A Rin fez algo que irritou Sesshoumaru-sama?
Perguntou a garota com uma voz melancólica tentando engolir seu choro. Sesshoumaru suspirou profundamente, seus olhos dourados refletindo as preocupações escondidas em seu coração.
— Rin, o fato de eu estar fazendo isso é porque me preocupo com você. Quero que você seja feliz e tenha a oportunidade de viver plenamente como humana. Não tenha medo, minha pequena. Você é forte e encontrará seu lugar entre os humanos.
Rin, por sua vez, olhava para Sesshoumaru com grandes olhos castanhos cheios de medo e insegurança. Ela estava pronta para confiar em seu senhor e mestre, ao mesmo tempo em que a incerteza sobre as intenções do mundo humano a preenchia.
— Mas, senhor, eu... Eu quero estar com você. Eu sou feliz ao seu lado, Sesshoumaru-sama. Eu me sinto protegida e amada. Não sei se serei capaz de enfrentar esse novo caminho sem você. Ela disse suavemente, suas palavras sussurradas no vento como um segredo amoroso.
Ele se aproximou de Rin e tocou gentilmente em seu rosto, seu toque firme, mas suave.
— Rin, você tem sido minha companheira fiel durante esses três anos. Eu quero que você saiba e entenda o mundo humano antes de tomar qualquer decisão. Quero que você escolha seu próprio destino, completamente informada sobre quem você é.
Explicou ele, sua voz carregada de sinceridade. Rin abaixou a cabeça, absorvendo as palavras de Sesshoumaru. — E o que acontecerá com você, Sesshoumaru-sama? E com Jaken-sama? Não vou conseguir lidar com a ideia de ficar longe de vocês. Ela sabia que ele estava certo, mas a ideia de estar separada dele a assustava.
— Jaken e eu continuaremos a nossa jornada, mas sempre manteremos um olho em você, Rin. Se você precisar de nós, estaremos aqui para ajudar. Não é um adeus permanente, apenas um tempo para você descobrir quem é.
Rin fez que sim com a cabeça. Cedendo finalmente aos desejos de seu mestre.
— Eu entendo, Sesshoumaru-sama. Eu confio em você. Se você acredita que isso é o melhor para mim, então eu vou seguir suas palavras. Mas prometa que sempre estará por perto, mesmo que eu esteja vivendo entre os humanos.
Sesshoumaru encarou a garota por um tempo, firmou em seus olhos sinceros, abaixou-se no mesmo nível que ela. E sussurrou. — Eu prometo, Rin. Não importa onde você esteja, meu espírito sempre estará com você. Nunca se esqueça disso.
Rin sorriu para espantar algumas lágrimas teimosas que insistiam em cair naquele momento. Atreveu-se de abraçar Sesshoumaru. Ele ficou surpreso com o ato da garota, mas não a impediu.
— Eu também prometo que voltarei para você quando me sentir pronta para tomar uma decisão. Declarou ela com determinação, seu olhar decidido encontrando o de seu mestre. Sesshoumaru assentiu em silêncio, seus olhos expressando orgulho e confiança. Ele sabia que Rin era jovem, forte e corajosa, capaz de enfrentar qualquer desafio que o mundo humano lhe lançasse.
— Eu estarei esperando por você, Rin. Não importa qual seja sua decisão final.
Sussurrou ele, seus lábios roçando suavemente na testa de Rin antes de se afastar progressivamente.
— Agora vá.
Disse ele se afastando lentamente dela. Rin observou Sesshoumaru se distanciar, seu coração batendo forte em seu peito. Ela sabia que a jornada à sua frente seria difícil, mas o amor e a confiança de seu mestre a impulsionariam. Então, com uma última troca de olhares, Rin partiu, seguindo em direção ao vilarejo, ansiando pelo dia em que voltaria aos braços de seu amado Sesshoumaru, pronta para compartilhar com ele todas as experiências e conhecimentos que havia adquirido.
Rin aproximou-se da velha Kaede, e lhe contou que viveria ali por um tempo por ordem de Sesshoumaru. A senhora ficou surpresa, mas não se opôs ao desejo de ambos. — Vamos Rin, vamos entrar, estou fazendo um jantar delicioso.

