the mansion
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O casarão

O casarão
por Ladyroll e pós-vida

Os animais noturnos já cantavam sua canção repetitiva.
Um vento frio carregado de umidade soprava movendo as folhas das árvores e esfriando todo o lugar.

Já era noite quando o casal chegou à porta do velho casarão abandonado.

A janela quebrada batia, fazendo ecoar um rangido que tornava o lugar assombrado.
A lua que se erguia atrás do telhado iluminava precariamente toda a área.
Uma clareira em meio a floresta, no alto de uma montanha silenciosa.

Mas quem deveria ter morado alí, tão longe da vila?
Por que alguém abandonaria aquele casarão?

Ela abriu sua mochila e retirou de dento dela uma lanterna, colocou as pilhas e ligou.
O foco de luz era pequeno mas útil e ela o apontou para a porta antiga de madeira e ferro.
Com bastante destreza o jovem se aproximou e começou a verificar se a porta tinha alguma tranca.
Facilmente a abriu, forçando o lugar correto.

Eles se olharam nos olhos.
Ela com medo, ele com curiosidade.

Ele a segurou pela mão e então atravessaram a porta em direção à escuridão do interior o casarão.

Logo sons se fizeram ouvir. Sons vindos do nada.
Lamúrias, lamentos, gritos.

Apavorados, os dois tentaram correr de volta pela porta, mas esta se fechou, prendendo os dois na escuridão.
A tranca antes tão fácil de abrir agora parecia impossível de ser movida.

Os sons simplesmente cessam, aumentando ainda mais o terror dos dois que mal imaginavam o que estaria ainda por vir.

A luz fraca da lanterna começou a falhar.
Nada que uns bons murros dele não pudessem consertar, ou mesmo, piorar a situação.
A lanterna funcionava por algum tempo, logo apagava e mais uma vez ele, desesperado, batia o objeto para que voltasse a ligar.

Eles discutiram, como ela poderia ter esquecido um par novo de pilhas?
Novamente a lanterna se apagou.

Ela solta um grito e ele pergunta qual o problema dela.

Em pânico ela se agarra a ele dizendo que alguém a tocou em meio à escuridão.
Ele diz nervoso que devem sair logo daquele lugar.

Começaram a andar. O piso de madeira rangia a cada passo deles, parecendo que iria se partir a qualquer momento e os deixar cair direto no porão do casarão. Disseram que nessas velhas construções os porões serviam de prisão e sala de tortura para escravos.

Pelos gritos que ouviram a pouco certamente havia alguém alí ainda usando os aparelhos de tortura, ou talvez fossem apenas lembranças do passado que ainda ressoavam na mente de visitantes indesejados.
Claro, isso era história para quem acreditava em fantasmas, talvez para ela mas, não para ele, que sempre pensava de forma racional.

Alguém esta brincando conosco, disse ele.
Ela, chorando tomada pelo medo, implorou para que saíssem logo dali.
A lanterna dá o último suspiro e se apaga completamente. Era inútil tentar ligá-la e ele a atirou no chão furioso. Ele detestava perder o controle da situação.

Gargalhadas ressoaram no ambiente. Não eram gargalhadas de alegria, ao contrário, eram tão tenebrosas que arrepiavam o mais profundo de suas almas.
Labaredas surgiram da lareira como se fosse alguma mágica.
O som de um piano podia agora ser ouvido, vindo do canto do salão.
A teclas quebradas sendo tocadas produziam um som digno de um filme de terror, notas dissonates e desafinadas completavam aquela harmonia sombria.

O piano tocava sozinho.
Quando percebeu isso ela quase desmaiou nos braços dele.

Ela caiu no chão em prantos, pedindo por piedade com gritos de agonia.
Ele não se deixou levar pelo desespero dela e foi até o piano pois aquilo só poderia ser algum truque. Certamente as teclas se moviam por algum tipo de motor.
Com sua aproximação som do piano cessa por completo.

Ele se senta no estofado de veludo empoeirado que fica em frente ao piano. Queria analisar melhor o objeto, mesmo com a fraca luz que se projetava da lareira.

Ela implora apavorada para que ele se afaste dalí, para que não brinque com aquelas coisas.
Ele simplesmente a ignora, balançando a cabeça em desaprovação pelas crenças inusitadas dela.

Ele leva os dedos até as teclas do piano.
Aperta algumas delas. Os sons hipnóticos do instrumento atravessam sua mente, invadem seu corpo, sua alma. Ela começa a chamar por ele, mas algo parecia falar na mente dele e ele continuava a ignorá-la enquanto toca uma estranha melodia.

Ele para de tocar. O olhar frio e vazio, como se não fosse mais ele mesmo, então, vira o rosto na direção dela. Ela recua alguns passos enquanto pergunta o que ele estava fazendo, se aquilo era alguma brincadeira.
Ele desliza a mão para dentro do piano e pega um objeto. Um punhal, ricamente ornado por pedras preciosas e sujo de sangue já seco.

Os olhos dela não conseguem acreditar no que vêem até que a maldita lareira simplesmente se apaga.

Fim.

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