Um garoto?! Por que diabos tem um garoto no telhado da casa abandonada? O próprio nome já diz que é abandonada, deveria estar vazia. Sem contar que aquilo fica bem atrás da mansão. Será que é um ladrão? Acho que não, ele parece um colegial. Bom, não que isso o impeça de ser um ladrão...de qualquer forma, é perigoso ficar nesses lugares e ele tem uma vista direta para o meu quarto, se fosse um pervertido ele... pensando bem, a quanto tempo minha janela está aberta...? MEU DEUS, como se não bastasse ter um garoto desconhecido e estranho com um notebook no teto da casa de trás, ele pode ter me visto nua?! Ninguém nunca ensinou ele que não se entra em lugares abandonados e não se sobe em telhados? E onde estão os seguranças em uma hora dessas?
Sentei na beira da cama, me afastando da janela e respirei fundo. Sinceramente...o que eu estava fazendo ficando desesperada desse jeito? Nem parecia eu mesma... de qualquer forma, não posso deixar um garoto vadiando do outro lado da minha janela. As minhas opções são ligar para os seguranças ou mandar ele ir embora eu mesma. Se eu chamar os seguranças, ele com certeza vai se encrencar mas se eu não chamar... é verdade que ele parece inofensivo, mas nem tudo é o que parece, não é?
Continuei sentada por um tempo enquanto pensava na melhor opção e acabei optando por chamar ele eu mesma. Não é como se ele pudesse pular de uma casa para outra e me sequestrar ou nada assim. Claro que eu considerei a possibilidade de ele estar armado, mas provavelmente só era um garoto que fugiu de casa. Sendo assim, fiquei de pé encostada na parede, bem ao lado da janela e estiquei a cabeça para o lado lentamente, fazendo com que meu rosto aparecesse aos poucos. Assim que meus olhos encontraram o garoto, ele já estava me encarando com uma cara curiosa. Talvez pelo choque de não esperar que ele me visse de primeira, instintivamente escondi meu rosto novamente. Quando controlei os meus reflexos e saí de trás da parede outra vez, ele já havia fechado o notebook e parecia apenas esperar que eu aparecesse outra vez. No instante em que abri a boca para falar algo, pude ver um sorriso...não, mais como uma risada baixa e discreta, quase inaudível se formar em seu rosto por alguns instantes antes que ele pulasse daquele telhado e começasse a andar na direção oposta da avenida principal.
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