soviet
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Chapter 15 min read

I

O partido bolchevique estava cada vez mais revolto e isso deixava o bruxo cada vez mais nervoso. Não que fosse abertamente a favor da monarquia, mas sabia que era extremamente mais fácil e agradável trabalhar com magia em território russo se todos não fossem tão bem informados — e quando se tinha infiltrados dentro do governo tudo ficava melhor ainda. Em todos os lugares da fria Moskva, o moreno poderia encontrar grupos de homens e mulheres, às vezes adolescentes e alguns poucos eram mais novos que ele, em constante peleja por planos e projetos novos ou mais arriscados, cada vez mais arriscados. Sabiam o quão grandes eram e o quão fortes poderiam se tornar, caso estivessem juntos e por mal dos caminhos e maldições de Merlin, estavam imensuravelmente próximos, unidos, como se a pátria russa tornasse-se um incrível campo de guerra civil trouxa, embora com resquícios bruxos de um canto a outro.

Estava sentado num barzinho em fronte a Praça Strastnaya, tentando saborear um pouco daquela bebida que os russos tanto adoravam. O líquido descia quente, rasgando sua garganta, por mais que bebesse aos poucos. Tudo estava calmo demais aos seus olhos e o único som que preenchia o ambiente era a música que uma vitrola quase quebrada no canto do balcão tentava produzir.

“Ei, você, yunosha!” um resmungo ecoou por seus ouvidos, fazendo com que virasse o rosto para encontrar um homem gordo, provavelmente cinquenta ou sessenta anos mais velho que ele, de olhos azuis tão claros quanto os seus e de barba mal feita. Os cabelos eram brancos e desciam até a nuca, outro sinal de que passava um bom tempo sozinho, coisa que Tom não demorou muito para descobrir — seu nome era Boris, Boris Ispuganniev, e a única coisa que se passava pela cabeça do velho era o preço da vodka. Talvez Riddle pudesse descobrir algo na mente do homem, talvez estivesse perdendo seu tempo.

“Você não devia beber essas coisas...” murmurou, agora arregalando os olhos e segurando um soluço. “Seus pais sabem disso, maltchik?” ele riu. Não demorou muito para que o mais novo conseguisse mais informações do homem — agora sabia que tinha perdido três de seus seis filhos em combates militares do país e que dois dos outros três estavam seguindo o mesmo caminho.

Tom esboçou um sorriso para Boris, mas não queria prolongar a conversa, até escutar a voz dele resmungando alguma coisa novamente. “O que acha deles?”

“Deles quem?” perguntou, enquanto seus orbes azuis voltavam para a figura de Boris.

“Os bolcheviques,” ele respondeu. Seus dedos tamborilavam sobre a superfície suja do balcão enquanto sua mente fixava-se na imagem de um ou dois jovens discutindo, e Tom deduziu que aqueles deveriam ser alguns de seus conhecidos rebeldes. Suspirou.

Pensou em dizer várias coisas, desde quanto detestava o grupo, até verbalizar algum comentário que agradasse o velho e fazer com que ele cedesse informações interessantes sobre o partido ou qualquer outra coisa, mas quando iria balbuciar alguma resposta, foi interrompido pelo mesmo.

“Você sabe, do jeito que as coisas estão indo...” ele parou. Parecia esconder alguma coisa que Tom não conseguiu ver o que era e o homem não parava de resmungar. “Eu fico feliz. Nós precisávamos disso, mais do que qualquer outra coisa...” Parou de novo, agora fechando os olhos. O rapaz pôde ver a imagem de uma garota magricela e de cabelos espessos, castanhos, assim como seus olhos. Ela gritava mais do que os outros, estendendo alguma coisa em mãos, as roupas sujas, mas havia algo nela que fazia com que pelo menos Boris acreditasse fielmente nas palavras que dizia. “E existe uma pessoa... Uma garota, na verdade,” ele continuou, bebendo mais um pouco da vodka. “Ela grita por boa parte de nós.”

“Quem ela é?” Tom perguntou num tom gentil, esboçando um sorriso logo em seguida. Recebeu uma risada forçada do velho como resposta.

“Hermione...” aquelas paradas que Boris dava durante as frases eram agonizantes. Parecia procurar o nome da garota lá no fundo de suas memórias. “Creio que seja o nome dela,” completou. “Ela é conhecida por alguma parte dos camaradas, mas isso é questão de tempo...” ele riu mais uma vez, mas agora tinha um tom de sarcasmo em sua atitude.

A mente do moreno parecia querer explodir. Pensava em várias coisas — e não, não considerava inútil conhecer a garota soviete -, mas a voz arrastada e resmungona do velho continuava a falar algumas besteiras que o Tom não queria ouvir — “Onde posso encontra-la?” murmurou, interrompendo o velho.

Boris pigarreou. A imagem de um homem magro e barbudo apareceu em sua mente — ele tinha cabelos longos e acaju, olhos tranquilos e aparentemente sinceros -, mas logo foi desviada por outro pensamento que Riddle não acompanhou, escutando ele dizer: “na Praça Vermelha. Você sabe... Catedral de São Basílio... É um bom lugar para se fazer protestos...”. Ispuganniev parou por um momento. “E a alemã gosta de visitar a igreja,” riu.


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