Se havia uma coisa que Ember Eldridge detestava, eram turistas. O que era irônico, considerando que vivia em Alethea’s Grove, conhecida como a cidade mais mística do país — e, para completar a ironia, era descendente direta da mulher que a fundara. A cidade atraía visitantes durante todo o ano, todos ávidos por lendas, superstições e experiências que pudessem transformar em fotografias e vídeos para as redes sociais.
E era justamente isso que Ember detestava neles. Estava cansada das mesmas perguntas, das mesmas expressões fascinadas e, principalmente, daquela busca incessante por alguma história sobrenatural que pudessem levar para casa como lembrança. Uma experiência exótica para contar aos amigos. Uma fotografia diante de algum lugar supostamente assombrado. Na verdade, qualquer coisa desde que rendesse algumas curtidas.
É claro que Ember entendia a curiosidade das pessoas pelo oculto e a importância do turismo para a região. Afinal, boa parte da economia de Alethea’s Grove dependia dos visitantes; sua própria família fazia parte disso, mesmo que essa não fosse sua principal fonte de renda. O Antiquário Eldridge, por exemplo, era quase tão antigo quanto a cidade. Ocupava uma construção estreita de três andares, espremida entre uma loja especializada em chás artesanais e outra que vendia cristais decorativos.
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