André morava ali desde que se entendia por gente. Na verdade, a família dele estava naquela região havia mais tempo do que qualquer um conseguia lembrar. O avô dizia que o pai do pai dele já caçava naquela mata, e que antes dele havia sido o bisavô, e antes ainda outro homem cujo nome ninguém mais sabia. A casa tinha mudado de lugar algumas vezes, as paredes tinham sido refeitas, o telhado trocado, mas a mata continuava começando logo depois da cerca, exatamente como sempre estivera.
Caçar nunca tinha sido apenas um trabalho para os homens daquela família. Era o que eles sabiam fazer. Conheciam as trilhas, os riachos escondidos, os lugares onde os animais costumavam beber água e até os sons que não pertenciam à floresta. André aprendera tudo isso ainda menino, acompanhando o pai e os tios. Aprendera a andar sem quebrar galhos, a reconhecer pegadas na terra molhada e a saber, pelo silêncio repentino dos pássaros, quando havia alguma coisa por perto.
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