Alguns dias se passaram, e nada mais mudou, as garotas não viraram minhas amigas, elas eram do tipo que não combinavam comigo, só queriam tirar fotos e se maquiar no banheiro do colégio. Eu sempre estava sozinha com meu caderninho para lá e para cá. Um dia sentei-me no banco perto do campo de futebol, e acabei me distraindo vendo o Gustavo jogar, ele era perfeito, jogava perfeito, tinha os olhos, perfeitos, o sorriso perfeito, enfim tudo perfeito. Eu Odeio o Sorriso dele porque sempre me faz derreter. Isso daria uma música boa. Anotei em meu caderninho: EU ODEIO SEU SORRISO. Deixei ele ao lado e comecei a ler meu livro. Quando percebi aquela mesma voz me assustou de novo:
- Eu odeio seu sorriso. Hmm, é pro Gustavo?- Lucas disse olhando pra mim com cara de desconfiado, adorava as covinhas que ele tinha quando sorria eram fofas.
Eu fiquei vermelha como um pimentão, ele não podia ter lido minhas músicas. Peguei o caderno de suas mãos e guardei em minha mochila.
- Desculpa, eram suas coisas não devia ter mexido.
- Nunca mais toque em meu caderno ok?
- Tudo bem, tudo bem- Disse ele com olhar confuso. Mas está sozinha?
- Estou, não gosto muito de me enturmar. E você não devia estar lá? Disse apontando pro campo onde os garotos jogavam.
- Devia, mas te vi aqui sozinha e vim ver se estava bem. Falando isso ele abriu um enorme sorriso.
- Ei. Disse bagunçando o seu cabelo. Eu gostei de você.
Ele deu uma risadinha e falou:
- Também gostei do você. Quer jogar?
- Não obrigado, não me dou muito bem no futebol.
- Tudo bem, cuida minha mochila pra mim porfavor?
- Pode deixar. – Falei já colocando a sua mochila ao lado da minha.
Continuei olhando para o Gustavo jogando futebol, esperei até o sinal bater entreguei a mochila a Lucas e saímos até entrar na sala.
Tínhamos história e para minha sorte ( azar), Gustavo sentava bem na minha frente. Ele sempre se virava para trás para pedir algo emprestado, eu timidamente emprestava claro. Mas o que mais me enojava era uma loira que se achava la na minha sala, só porque ela era a mais inteligente, tinha as melhores roupas, e todos gostavam dela. Por causa dos peitos e das suas enormes coxas. Quando Guto ( o apelido de Gustavo) se virava para falar comigo ela ia na frente dele para chamar a atenção. Que vontade de arrancar cada fiozinho daquele cabelo loiro bem tratado dela. E na aula de hoje não foi diferente quando ele ia me dizer alguma coisa ela o chamou e depois me olhou dos pés a cabeça e fez cara de nojo.
- Não liga pra ela não, — disse Lucas já se intrometendo – Ela é deste jeito mesmo.
- Hm, como é o nome dela?
- Natasha. Todo mundo ama ela, por ela ser popular, linda e rica. Mas como minha mãe diz eu não sou todo mundo. – Ele deu uma risadinha. Eu retribui com outra.
Ela me encarou a aula inteira com aquela cara de quem comeu e não gostou. Quando o sinal tocou eu guardei minhas coisas me despedi de Lucas e quando eu ia saindo Gustavo me puxou pelo braço:
- Espera, eu preciso de falar uma coisa.
Eu parei por um momento, estava com muita vergonha. Quando eu acenti com a cabeça que era pra ele dizer Natasha chegou e fez de conta que ia desmaiar. Eu revirei meus olhos, minha vontade de mata-la era maior do que jogador de basquete. Fuzilei ela com os olhos ela puxou Gustavo do seu lado e foi o levando para longe de mim. Quase no fim do corredor ele gritou:
- NÓS FALAMOS AMANHÃ!
Estava ansiosa para chegar amanhã o que será que ele queria me dizer.