Houve uma grande explosão no apartamento em que entramos para verificar. Nessa vez não era truque de mágica, infelizmente, não era apenas pirotecnia. Parte do forro do teto havia caído, e consequentemente estávamos todos no chão.
— Mike? — Foi a primeira pessoa que chamei.
Escutei seu tossir e um "Estou aqui." e olhando para cima, vi que não havia nenhum perigo de mais forro cair, então me levantei e me limpei.
O rádio estava intacto e chamei minha equipe que estava em outro compartimento. Todos responderam.
Ao sairmos da sala, vi que havia alguém no chão, quase perto da porta.
Reconheci pela cor dos cabelos.
— Came... O que você estava fazendo aqui? Eu falei pra você ficar fora!
Ele balbuciou algo com tontura, e quando virou a cabeça vi que metade do seu rosto estava coberto de sangue. Ele fechou os olhos e suspirou com dificuldade e eu me abaixei rapidamente para ver o que havia acontecido.
— Médicos! — Escutei Mike gritar, descendo em direção a porta do edifício. — Tem uma pessoa sangrando na cabeça! — Ele completou já ao longe.
Me abaixei para ficar mais perto e observar melhor se ele havia se ferido em outro local. Peguei na sua mão, o que fez ele sorrir, mas ele ainda estava de olhos fechados e respirando de modo pesado.
— Minha cabeça dói, Kay.— Ele disse sem muita força.
Eu suspirando fundo junto a ele.
— Claro que dói. Caiu um forro de teto em cima da sua cabeça. Eu não falei pra você ficar lá fora? — perguntei com um pouco mais irritação do que deveria.
Isso também o fez sorrir, e me irritou, pois ele estava sempre sorrindo como se achasse óbvio as coisas que eu fazia.
Como se ele soubesse me ler.
Ele não estava ferido em qualquer outro lugar, mas o machucado da cabeça não parava de sangrar e sua respiração estava cada vez mais difícil e ele piscava os olhos parecendo exausto.
— Cam, fique aqui.— Eu disse apertando sua mão. — Não desmaiei, já tem gente vindo.
— Você pedindo assim eu até...— ele começou, mas não terminou porque desmaiou.
Eu olhei para ele e suspirei preocupada.
5 horas depois
— Conseguiu pegá-los? — Foi a primeira coisa que ele perguntou ao me ver entrando na sala.
— Sim. — respondi com um sorriso cansado e sentei na sua frente, na cama onde ele descansava sentado.
Ele retribuiu com um sorriso calado.
Trocamos intensos olhares até que ele mordeu o lábio inferior por dentro, o que sempre fazia quando estava nervoso.
— Pode começar a bronca agora.
— Bem, eu não quero brigar com você.— Eu comecei bem séria. — Eu quero apenas abrir o outro lado da sua cabeça e colocar algum juízo lá, talvez. Cameron Black, você é tão desobediente que só desmaiou depois que eu pedir pra você não fazer isso! — Meu tom de voz deve ter acusado toda a preocupação que eu senti com ele até chegar ao hospital e ele então puxou minhas mãos para a dele, puxou seu corpo rapidamente contra o meu e me deu um beijo na testa.
— Eu sei que não é bem isso que você quer fazer. — Ele rebateu.
Então eu fiz o que eu queria.
Eu o beijei.
Depois de alguns segundos, nos afastamos e olhei-o seriamente dentro dos olhos.
— Ok, mas se você fizer isso de novo, eu realmente vou abrir sua cabeça.
Ele riu de uma maneira adorável e respondeu
— Ok, eu não ousaria.
