UM ANO ATRÁS
Ela está aqui, a dois centímetros da minha boca, caindo de sono e de tanto beber Pink Moon. Cheira a álcool e morango. Seu choro abafa a batida de Oceano na caixa.
A nossa valsa volta à minha memória. O suor nas nossas festas, nossos dedos entrelaçados e o meu coração igual um tambor.
O que eu faço com essa vontade de beijar ela agora?
Seguro sua cintura e o vestido azul-celeste deixa meus dedos ainda mais gelados.
— Tem certeza que cê não vai me beijar? Mesmo? Achei que a gente era amigo!
— Amigo não se beija.
Ela ri, grogue e esconde a cabeça no meu peito. — Amigo colorido se beija sim!
— Eu… é… é…
— Você me acha feia, né?
— Não. Você é tipo… o diamante dessa festa.
— Então por que você não me beija logo, hein, garoto? — Ela gruda nossas testas.
Aperto os olhos até as pálpebras doerem.
As paredes brancas da festa, os balões dourados e prateados, cada brigadeiro, docinho e cheiro de guaraná…
A forma como ela diz o meu nome me faz recuar. Me deixa tremendo.
Eu prometi que não ia deixar essa situação chegar a esse ponto. Eu ia afastar ela de mim pra sempre. Não ia voltar atrás na minha palavra, não ia deixar ela entrar na minha cabeça.
Ferrou.

