A cabeça de Harry parecia prestes a rachar ao meio. Sentia um colchão macio embaixo dele, cobertas quentes demais, um mal-estar rondando o estômago… Mas o pior era dentro do crânio: um vazio que doía estupidamente. Não um esquecimento comum, como um nome na ponta da língua. Era um buraco com paredes geladas. Ele desistiu de abrir os olhos e ficou quieto, fingindo que dormia, tentando pescar as vozes que conversavam por perto.
— ...é difícil dizer… Antes que ele acorde. — A voz era grave e serena. — A memória não é um pergaminho que se rasga, Severus. O feitiço não apaga, ele tranca. Sela as lembranças atrás de uma porta e joga fora a chave. A depender da especialidade do conjurador, terá selado apenas uma parte, e não o todo. Rezo para que seja só uma parte.
— E, se selou, é porque Potter descobriu algo que não devia. — Esta era oleosa, ríspida. — Só não entendo por que não matar o garoto de uma vez.
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