Império das Cinzas: A Ascensão Sombria
Império das Cinzas: A Ascensão Sombria
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Capítulo 2

O som abafado do vento batendo contra as vidraças duplas era a única música que habitava o quarto.

Abri os olhos devagar, sentindo as pálpebras pesadas, como se estivessem coladas por séculos de poeira e exaustão. A claridade fria da neve refletida do lado de fora entrava pelas frestas das cortinas pesadas de veludo escuro. Não havia o calor sufocante do deserto, nem o cheiro de sangue e terra daquela cratera onde o mundo parecia desabar. O ar aqui era gélido, cortante, carregado com o aroma inconfundível de pinho e lenha queimando na lareira de pedra que estalava baixinho em um dos cantos do aposento.

Tentei mover o corpo e uma pontada de dor surda percorreu minhas costelas que se intensificava no meu braço direito. A pele estava firmemente enfaixado com ataduras limpas de linho branco, embora, mesmo por baixo do tecido, eu pudesse sentir o latejar abafado, quente e fantasmagórico das veias negras. A cicatriz viva. O lembrete implacável de que o veneno de Sasori ainda corria ali, e que eu tinha apenas duas chances restantes antes que meu coração parasse de vez. Cada batida parecia arranhar o tecido da minha pele por dentro.

— Ainda bem que resolveu acordar. Eu já estava começando a achar que teria que cuidar de você para sempre — uma voz feminina soou firme, embora houvesse uma nota nítida de alívio e cansaço em seu tom.

Sentada em uma cadeira de espaldar alto ao lado da cama, a garota de cabelos castanhos mantinha uma kunai presa entre os dedos, deslizando a pedra de amolar ao longo da lâmina com movimentos ritmados e precisos. O som metálico raspando de leve preenchia o quarto. Ela ergueu o rosto, encarando-me com os olhos atentos, enquanto guardava a arma na coifa presa à coxa.

— Tenten...? — minha voz saiu arranhada, seca como papel velho. Conduzi a língua pelos lábios rachados, sentindo o gosto amargo da desidratação. — Onde... onde nós estamos?

— No Império do Norte — respondeu ela, levantando-se com cuidado e colocando a pedra de amolar sobre a mesinha de cabeceira. Ela se aproximou, encostando a parte de trás dos dedos na minha testa para checar a temperatura. — E você nos deu um susto terrível... Pensei que não resistiria.

Franzi as sobrancelhas, a cabeça girando em falso.

— Como assim? Eu mal me lembro... A última coisa que ficou gravada na minha mente foi o som do metal estilhaçando e o Primeiro Príncipe... o Naruto sumindo em chamas na minha frente — falei, a voz falhando enquanto a imagem daquela destruição ameaçava me sufocar. — Há quantos dias estou apagada?

Tenten soltou um suspiro pesado, cruzando os braços com um olhar severo, mas carregado de uma profunda empatia.

— Dias? Meses, Sakura. Foram três meses inteiros apagada, lutando contra a febre, a exaustão extrema e o colapso mágico desse Selo de Jade... Seu corpo despencou de uma vez.

O estômago desabou junto, revirando-se em um nó doloroso.

— Três meses...? — repeti, os olhos arregalados, a respiração fugindo do peito. — Tudo isso? Não é possível...

— Exato — Tenten confirmou, suavizando levemente o tom, embora a gravidade permanecesse. — Assim que perceberam que Sasori não estava no Flanco Leste, o avanço foi inevitável. Gaara precisou conter os ataques diretos no Reino das Areias, e a Guarda de Ferro atravessou a fronteira para nos resgatar antes que a situação virasse cinzas de vez. Sorte a sua que é dura na queda, porque o seu corpo implorou para desistir dezenas de vezes durante esse tempo.

Lembranças fragmentadas e violentas da luta contra Sasori despencaram na minha mente: o cheiro fétido do veneno, o desespero cortando minha garganta, e a figura imponente do Primeiro Príncipe do Império do Sul. O pavor gelado substituiu o torpor do sono.

— O Sasuke... — perguntei de supetão, a urgência me atropelando por dentro. Ergui o dorso da mão boa para segurar a manga do casaco de Tenten com uma força inesperada, meus nós dos dedos brancos de tensão. — O veneno... Ele estava correndo pelas veias dele na cratera, Tenten. Eu vi o sangue dele manchar a terra. Sasuke sobreviveu? Onde ele está?

Tenten deu um sorriso de canto, um misto orgulhoso de quem conhecia a teimosia daquela gente e uma ironia leve para aliviar a carga.

— Calma, respira fundo, garota — falou — Vossa Majestade é duro de derrubar, você deveria saber disso melhor do que ninguém... Os médicos imperiais daqui conseguiram estabilizá-lo poucas horas depois que chegamos ao castelo. Ele passou algumas semanas desacordado também, mas já está de pé há tempos.

Soltei o ar que nem sabia que estava prendendo, afundando a cabeça de volta nos travesseiros macios enquanto um alívio imenso, quase doloroso, lavava meu peito. Mas a calmaria durou pouco tempo.

— Ele não tem descansado um minuto sequer, Sakura — continuou Tenten, mudando o tom para algo sombrio enquanto caminhava até a janela e afastava levemente a cortina de veludo para olhar a nevasca implacável lá fora. — O fato de termos nos refugiado aqui no Norte com a "noiva fugitiva" do Império do Sul colocou um alvo gigantesco nas costas dele.

Tenten fez uma breve pausa.

-O príncipe Naruto não vai deixar isso barato... Há boatos fortíssimos de movimentação de tropas na fronteira sul. O Imperador tem passado noites em claro governando, gerindo essa crise e tentando conter uma guerra que pode estourar a qualquer segundo.

Olhei para o meu próprio braço enfaixado. Três meses de segurança fingida em um castelo de gelo, enquanto a tempestade política e real se formava lá fora, pronta para engolir a todos nós.

— Onde ele está agora? — perguntei, decidida, jogando o lençol pesado para o lado e tentando empurrar o corpo para fora da cama.

Minhas pernas pareceram de vidro quebrado. Uma vertigem violenta e um enjoo imediato me atingiram, fazendo o quarto rodopiar, mas eu cerrei os dentes, ignorando os protestos estridentes dos meus músculos atrofiados.

— Ei, ei, devagar! Suas pernas ainda estão fracas, você passou um trimestre inteiro sem firmar um músculo... — Tenten tentou me conter, mas eu já estava com os pés descalços tocando a madeira fria do chão, sentindo um arrepio gélido e cortante subir pela espinha.

— Eu preciso falar com ele, Tenten. Agora.

Ela me analisou por um segundo, percebendo a teimosia cega estampada no meu rosto. Com um suspiro derrotado, ela balançou a cabeça e apontou para o cabideiro próximo à porta.

— O escritório particular dele fica na ala oeste, no topo da torre de comando. E quer um conselho de amiga? Leve um casaco pesado.


— -


Os corredores do castelo do Império do Norte eram colossais e gélidos. Paredes de pedra escura intercaladas com tapeçarias pesadas que abafavam o som dos meus passos descalços. O silêncio da madrugada pesava sobre o ambiente, cortado apenas pelo sibilar do vento uivando agressivamente nas muralhas externas. Envolvi meu corpo trêmulo em um manto cinzento forrado de lã grossa que encontrei no quarto, tentando inutilmente ignorar a fraqueza latente nas pernas e o latejar persistente do meu braço direito.

Quando cheguei ao final do corredor da ala oeste, encontrei a imensa porta dupla de carvalho macio encostada. Uma fresta estreita de luz amarelada escapava por entre a madeira e o batente de pedra, cortando a penumbra.

Aproximei-me em absoluto silêncio, parando a poucos centímetros. Antes que eu pudesse levantar a mão trêmula para bater, a voz grave, fria e cortante de Sasuke atravessou a madeira.

— Se o lorde do leste decidir romper o tratado por causa das exigências do Sul, corte o suprimento de minério de ferro imediatamente. Não vou negociar com covardes que tremem diante de uma ameaça patética do Naruto.

Houve uma pausa tensa, pontuada pelo murmúrio rápido e acuado de outra pessoa — provavelmente um conselheiro ou general — concordando em tom baixo e apressado.

Empurrei a porta levemente, abrindo espaço suficiente apenas para espiar o interior.

O escritório era imenso, dominado por estanterias colossais de livros e uma lareira monumental onde toras de carvalho ardiam em brasas laranjas, projetando sombras dançantes nas paredes. Entretanto, o que prendia o olhar era a mesa central.

Sasuke estava sentado à ponta, debruçado sobre uma montanha caótica de pergaminhos, mapas militares e relatórios imperiais manchados de tinta. Ele usava uma camisa escura de gola alta, com as mangas dobradas até os cotovelos como se estivesse um dia comum nublado, revelando os antebraços firmes e a pele pálida sob a luz fraca. Seus cabelos negros caíam levemente sobre a testa, emoldurando o rosto marcado por olheiras profundas e uma linha de tensão implacável. Havia uma exaustão palpável nele — não apenas física, mas o peso esmagador de carregar um império inteiro nas costas enquanto protegia uma garota marcada por veias negras e pela morte iminente.

O conselheiro fez uma reverência rígida e se retirou em silêncio, passando por mim na porta sem notar minha presença, tão absorto estava na tensão sufocante daquele momento.

Fiquei parada na soleira por um instante, respirando fundo o ar pesado de papel velho, tinta e o perfume amadeirado que parecia pertencer exclusivamente a ele, gravado a ferro na minha memória.

— Se veio me dizer que os estoques de grãos estão baixos de novo, general, pode dar meia-volta — Sasuke disse sem levantar os olhos, os dedos longos e finos pressionando a ponta do próprio nariz em um gesto claro de dor de cabeça crônica, enquanto a pena continuava tinindo de forma ríspida na outra mão.

Dei dois passos para dentro, o assoalho rangendo suavemente sob meus pés descalços.

Sasuke ergueu o rosto em um movimento brusco. Os olhos ônix arregalaram-se por uma fração de segundo antes de se estreitarem perigosamente, fixando-se em mim com uma intensidade assustadora. Ele avaliou cada detalhe da minha postura frágil e, de repente, o cenho dele fechou-se em uma carranca de pura irritação incrédula.

Seus olhos correram rapidamente pelo meu corpo — notando o vestido leve de algodão sob o tecido fino da manta cinzenta que eu havia jogado de qualquer jeito sobre os ombros, além dos meus pés descalços tocando a pedra gélida.

— Você perdeu o juízo de vez, Sakura? — a voz dele saiu cortante, ecoando pelas paredes altas do escritório enquanto ele se levantava de supetão da cadeira, empurrando o móvel para trás com um som abafado de impacto. — Três meses deitada em uma cama, com o corpo implorando para se recuperar do colapso daquele selo maldito, e você decide passear pelos corredores do castelo de madrugada... vestindo trapos e descalça?!

Ajeitei a manta, com os dedos levemente enregelados.

— Eu estou bem, Sasuke... — tentei rebater, dando mais um passo à frente, mas a tontura bateu forte, fazendo minha visão turvar por um segundo. Ele já estava contornando a mesa com passos largos e decididos.

— Você não está em condição alguma de "estar bem" — retrucou ele, parando a menos de um palmo de mim. O olhar dele faiscava, misturando a raiva crua de quem foi pego de surpresa pela minha teimosia insensata com uma urgência e um pavor mal disfarçados. — O ar do Norte congela os pulmões de quem respira direito, imagine de alguém que mal voltou a si. Você quer ter uma recaída e parar o coração antes mesmo de conseguir andar por conta própria?!

Fiquei em silêncio por um segundo, surpresa e desarmada pela intensidade da reação dele. Por baixo daquela bronca dura, a preocupação latejava de forma nua e crua, quase dolorosa.

— Eu precisava ver com meus próprios olhos que você sobreviveu ao veneno de Sasori — falei, baixando um pouco o tom, sustentando o olhar dele sem recuar um centímetro sequer, mesmo com o corpo tremendo. — Não aguentei ficar trancada naquele quarto esperando notícias incertas. E pelo visto, você também não tem descansado absolutamente nada... olha para você.

Sasuke cerrou os dentes, o peito subindo e descendo em respirações curtas e pesadas. Ele olhou de relance para o meu braço enfaixado sob a manta, e a armadura de gelo em seu semblante ruiu, dando lugar a um suspiro longo, trêmulo e derrotado.

— Irritante... — murmurou entre dentes, balançando a cabeça de leve com um misto de exaustão profunda e rendição.

Sem pedir permissão, ele deu mais um passo, puxando o casaco de pele pesado, que estava apoiado sob uma poltrona de couro marrom. Em seguida, jogou-o diretamente sobre os meus ombros. O casaco era imenso, arrastando-se quase nos meus pulsos, mas o calor corporal residual dele e o aroma amadeirado e marcante me envolveram instantaneamente, blindando-me contra o frio. Com gestos firmes, mas de uma delicadeza inesperada, ele ajeitou a gola grossa bem perto do meu pescoço.

— Agora — Sasuke disse, a voz voltando àquele tom de comando irredutível, embora estivesse perigosamente próximo do meu rosto —, você vai voltar para o quarto. E eu faço questão de te acompanhar pessoalmente para garantir que não vai tentar nenhuma outra loucura suicida pelo caminho.

Dei um passo para trás para sair, mas no mesmo milésimo de segundo minhas pernas travaram por completo. Os três meses em coma haviam atrofiado meus músculos muito além do que eu imaginava; uma onda de fraqueza extrema subiu do estômago, uma tontura violenta girou o escritório inteiro, e o chão de pedra pareceu despencar de vez sob os meus pés.

Soltei um murmúrio abafado, perdendo o controle do próprio corpo.

Antes que eu atingisse o chão duro, braços firmes me alcançaram com uma rapidez implacável, puxando-me com firmeza contra um peito sólido.

A corrente elétrica do impacto subiu direto pela minha espinha. Era a primeira vez que ele me carregava assim — tão perto, sem barreiras de batalhas ou campos de guerra entre nós. O cheiro amadeirado e denso da pele dele, misturado ao calor feroz que emanava de todo o seu corpo, invadiu cada sentido meu de uma só vez, fazendo o ar sumir dos meus pulmões. Senti a rigidez dos músculos sob a camisa escura, o contraste brutal da minha fraqueza contra a força intransigente dele. Minha pele inteira se arrepiou, um calor súbito e febril subindo pelas bochechas.

Sasuke travou a respiração por uma fração de segundo, os olhos ônix escurecendo ao capturar o exato instante em que meu corpo cedeu contra o dele. O maxilar tencionou ainda mais, e a mão que apoiava minhas costas apertou o tecido do casaco com uma possessividade contida que ele tentou disfarçar de imediato.

Fui erguida do chão num piscar de olhos, sem a menor cerimônia, enquanto ele me ajustava em seus braços antes que eu pudesse sequer processar a desordem que ele havia criado dentro de mim.

O fôlego sumiu de vez da minha garganta. Senti o rosto queimar de um vermelho intenso, o coração disparando descompassado contra as costelas.

— Mas o que... o que você pensa que está fazendo?! — gaguejei, recuperando a capacidade de fala outra vez. Minhas mãos crispando contra a gola da camisa escura dele, sentindo as batidas firmes do seu coração bem perto. A proximidade era quase insuportável. — Me ponha no chão agora, Sasuke! Eu consigo andar sozinha!

— É, eu notei o quão brilhantemente você consegue andar — ele retrucou com um tom seco, embora houvesse uma rouquidão sutil na voz que não estava ali antes, e um traço finíssimo de divertimento no canto dos lábios enquanto começava a caminhar a passos firmes para fora do escritório. — Fique quieta e pare de se debater. Se você desmaiar de novo nos meus braços, não vou ter a menor paciência para te carregar duas vezes.

Enterrei o rosto contra o casaco de pele dele — aproveitando para esconder o escarlate furioso das bochechas e o sorriso involuntário —, bufando baixinho, embora por dentro tudo estivesse em curto-circuito. O trajeto pelos corredores silenciosos parecia uma eternidade flutuante, até que, ao virarmos na ala principal, demos de cara com Kakashi.

O Comandante da Guarda de Ferro vinha caminhando calmamente com um pergaminho enrolado na mão. Ele parou ao nos ver, erguendo lentamente uma das sobrancelhas sob a máscara, enquanto um brilho de puro divertimento dançava em seu único olho visível.

— Ora, ora... Vejo que o Império do Norte encontrou uma nova e criativa forma de reforçar as patrulhas da madrugada — Kakashi comentou, cruzando os braços com um sorriso cínico. — Não sabia que o rigoroso dever de um imperador incluía carregar refugiadas políticas no colo pelos corredores.

Senti meu rosto ferver tanto que achei que ia desintegrar no mesmo lugar.

— Cuide da sua vida, Kakashi — Sasuke rosnou de volta, cortando o ar com irritação genuína, sem parar de caminhar por um único segundo, mantendo a postura fria, embora o maxilar estivesse visivelmente tencionado.

Kakashi deu apenas uma risadinha abafada, balançando a cabeça em negação enquanto desviava o caminho para nos deixar passar.

Seguimos por mais alguns metros até chegarmos de volta ao quarto. Tenten, que já havia ajeitado a cama, virou-se de súbito ao ouvir a porta se abrir e congelou ao ver o Imperador do Norte atravessando o umbral com a "rebelde" nos braços. Os olhos castanhos dela alternaram rapidamente entre mim (vermelha como um tomate maduro) e a expressão mortalmente fechada de Sasuke.

Por um segundo, um sorrisinho malicioso começou a brotar no canto dos lábios da Tenten.

Sasuke a encarou com a máxima frieza glacial, aterrissando-me com extremo cuidado na borda da cama.

— Belo trabalho de vigilância e segurança você fez aqui, Tenten — ele disparou com um tom perfeitamente plano e irônico. — Ela quase desabou no meio do meu escritório. Agora, saia.

Tenten piscou, tossiu de leve para disfarçar o riso contido, e fez uma reverência exagerada.

— Ah, claro. Mil perdões pela falha colossal na segurança, Vossa Majestade. Vou deixá-los... absolutamente à vontade — ela enfatizou a última palavra com um brilho travesso nos olhos, passando apressada por nós e fechando a porta com um clique suave.

O silêncio fechou-se no quarto. Continuei sentada na beirada da cama, completamente envolvida pelo casaco grande e quente dele, sentindo ainda o eco do toque de suas mãos.

Sasuke endireitou a postura imponente, ajeitando as mangas da camisa escura, com o maxilar ainda tencionado, tentando desesperadamente retomar sua aura de autoridade inabalável.

— Tente manter os pés bem longe do chão frio pelo resto da noite — ele ordenou, a voz voltando àquele tom firme e irredutível, antes de se virar em direção à saída. — Amanhã conversaremos sobre os próximos passos e sobre essa sua mania de desafiar o perigo.

E, sem esperar resposta, ele abriu a porta e desapareceu na penumbra do corredor, deixando para trás o calor reconfortante do casaco sobre os meus ombros e a certeza de que o nosso destino — por mais perigoso que fosse — ainda estava longe de terminar.