family trip
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Kapitel 16 min Lesezeit

1- Boas Notícias

Dam sentou-se embaixo de uma árvore frondosa, sentindo o vento bagunçar seus cabelos enquanto lhe roçava suavemente a face, ocasionalmente atacando-a com uma folha ou um inseto colorido. Sentir os ol batendo contra a pele de vez em quando era bom, e o clima estava de tal maneira agradável que a enchia de vida, como se estivesse um pouco bêbada, quase retardada. Era um daqueles dias em que tudo deveria dar errado, mas parecia impossível sentir-se miserável. Na verdade, Dam sentia-se quase transcendente, quase irreal em meia àquela paisagem campesina e pacífica, somo se não pertencesse àquele lugar.

Ela preferia o lado de dentro, mas a casa estava cheia de gente estranha e barulhenta o que dificultaria a concentração. Aparentemente, alguém comemorava alguma coisa, um aniversário talvez, o nascimento de um bebê, alguma grande conquista ou até mesmo um funeral, embora a ultima opção fosse pouco provável e Dam soubesse que a maioria das pessoas não possuía um senso de humor tão deturpado e mórbido quanto o dela. Mas a maioria das pessoas era terrivelmente entediante, e que Deus nos livre de ser entediantes!

Não era sua casa, é evidente. Era a casa do garoto para quem deveria ensinar francês, mas ele parecia muito mais interessado em encarar desavergonhadamente seus seios com uma expressão mais idiota do que de costume estampada na cara. Não estavam fazendo muito progresso no francês, e Dam odiava não fazer progressos.

Um sorriso sádico a tomou em um rompante ao imaginar, por um segundo, Loki ali, em pé, atrás de seus ombros, escorado na árvore, observando o adolescente cheio de hormônios que praticamente lambia sua esposa com os olhos. O olhar rancoroso, completamente transtornado, quase fora de si... Era assustador, mas também um pouco sexy. Ah, as coisas que ele não faria...

Ela quase olhou para trás, esperando encontra-lo.

Mas ele não estava lá. O ar não cheirava a laranjas e frésias. Ela ainda se perguntava quando foi que ele passara a cheirar assim, mas Dam não se importava. Laranja passara a ser sua fruta favorita.

Estava um tanto quanto aérea essa manhã, e dispersa. Nem ao menos se importou com o garoto mal balbuciando um francês arrastado. Honestamente, estava feliz por estarem ao ar livre.

Geralmente era Loki quem dava as aulas. Ele não era mais paciente que ela, é verdade, mas parecia ter muito mais talento e elegância na hora de ensinar. Dam se realizava nas atividades mais dinâmicas, como encontrar pessoas, recuperar posses, uma ou outra ilegalidade, mas são ócios do ofício, não há o que se possa fazer à respeito. Parecia surpreendente que Loki fosse um professor habilidoso, levando-se em conta seu temperamento intolerante e tudo o mais. Ela frequentemente se surpreendia com o marido. Nem sempre positivamente, mas sempre se surpreendia.

Foi só quando a criatura rosa quentinha, um tanto quanto gosmenta e pequena demais para sobreviver sozinha agarrou uma de suas pernas que Dam deu-se conta de que realmente estava onde estava, embaixo daquela árvore, com o garoto excitado, presenciando um genocídio linguístico completamente desnecessário.

-Lucca... – ela disse, erguendo a garotinha nos braços – Como foi que você chegou até aqui?

Lucca deu um sorriso enquanto sua mãe tentava pentear-lhe os cabelos desgrenhados com os dedos. Eles eram longos, longos demais para uma criança, e brancos demais também. Os olhos de Lucca eram muito profundos, e ela sem dúvida era excepcional. Ainda assim, Dam assustou-se ao vê-la lá, sozinha.

-Dandando.- respondeu a criança.

Era o que Dam temia.

-Onde está seu pai?

A garotinha não se perturbou.

-Com as visitas.

-Visitas?- Dam uniu as sobrancelhas.

Lucca assentiu.

-Os amigos dele vieram.

Coisa curiosa, já que Loki não tinha muitos amigos.

-Onde estão suas irmãs, meu amor?

-Lisa disse que papai disse para nós ficarmos no porão e ficarmos “shhhhhh”. – pôs o dedinho sobre os lábios — Ele tinha uma reunião. Eu passava pelo buraco da janela. Lisa disse para procurar você.

-Entendo... Isso foi, de manhã, querida?

-Xim...

Dam deu uma risadinha sarcástica e abriu o sorriso para o “calças quentes” em frente a ela.

-Desculpe, eu não sei como ela chegou aqui sozinha, mas eu tenho que leva-la de volta. Você se importaria se terminássemos esta lição um outro dia?

-Ah, não, não, de maneira nenhuma, Dam. Tenho certeza que você vai me compensar depois.

Dam sentiu raiva.

-Trago um pirulito pra você, da próxima vez.- foi sua resposta dura, que assustou um pouco o garoto.

Ela teve que conter o sorriso.

Cantarolando e conversando com sua filha caçula, Dam caminhou em direção à casa o mais rápido possível. Aquele marido idiota estava com problemas, ele sempre estava com problemas. Marido estúpido, estúpido, estúpido, ele não deveria estar com problemas, deveria estar descansando para se livrar da maldita gripe que o acometera, e não estar arrumando problemas. Aquela foi uma ideia muito, muito idiota. Só mesmo um imbecil como Loki conseguiria arrumar problemas hoje.

Ela virou seu rosto para o lado e fingiu olhar uma flor esquisita para que Lucca não percebesse que estava nervosa e inquieta.

-Muito bem, docinho, quero que você entre outra vez pela janelinha do porão.- Dam instruiu sua filha assim que chegaram lá – Não faça barulho, não queremos atrapalhar o papai.

Ela trocaram uma risadinha de cumplicidade e Lucca escorregou para dentro.

Dam, então, soltou um suspiro profundo. Estralou seu pescoço e ombros, e deu a volta na casa, pronta para entrar. Retesou seus músculos, preparando-se para atacar. Quem quer que estivesse lá, não importa o que quisessem, ou o que estivessem procurando ou pretendendo, quem quer que estivesse lá havia feito uma péssima escolha. As pontas de seus dedos começaram a formigar, e ela esfregou-as umas contra as outras, pronta para usá-las caso alguém resolvesse fazer algo estúpido. Não era a primeira emboscada com a qual se deparava, e, inferno, não seria a última. Na medida do possível, estava preparada.

A casa estava em silencio. Isso era um péssimo sinal, porque Loki nunca ficava em silencio, e era justamente por causa disso que estavam geralmente em apuros. Mas agora ele estava em silencio, e Dam achou aquilo tudo extremamente incomodo, muito pavoroso. Preferia barulho, gritos, a voz incessante do marido enchendo o ar, fazendo com que ela soubesse que estava tudo bem, acalmando-a com o seu resmungar mal humorado, suas gargalhadas infantis, suas musicas, obscenas, um pouco cruéis, ou simplesmente cômicas ou doces. Aquele silencio se parecia demais com um aviso cruel.

Ela abriu a porta devagar e escutou. Nada. Deu alguns passos, olhando em volta, mas tudo estava vazio. E agora? Continuou caminhando pela casa, examinando cômodo por cômodo, mas ele não estava lá. Já sabia que ele não estaria lá.

Maldição, maldição, MALDIÇÃO!

-Onde esta a porra do meu marido?- murmurou entre os dentes trincados, com os olhos enchendo-se de lágrimas de frustração, ódio e terror.

Loki, onde está você?

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