
Enquanto respondia perguntas básicas feitas por ele, ela continuava traçando linhas e mais linhas no conjunto de bolos de folha que recebera. David curioso perguntou.
— Para o que você tanto estuda? — colocou a mão sobre a pasta.
— Esse é o meu trabalho! — fechou-a rapidamente.
— Então... no que trabalha? — continuou.
— Por que o interesse repentino no que faço? — se encostou no assento cruzando os braços.
— Porque estou interessado em você. — disparou.
— Nossa, como você é direto! — sorriu descruzando os braços.
— Esperei uma semana para te ver novamente. — confessou.
— Bastante tempo em David. — apoiou o queixo em uma das mãos.
— Para você ver Emi. — a apelidou.
— Emi? — ela riu. — Não me chame assim, acabei de te conhecer.
— Acho um ótimo apelido! — se inclinou sobre a mesa.
Ela riu da atitude dele.
— O que foi? — perguntou-lhe.
— Você. — ela ainda ria.
— O que tem eu? — preocupou-se.
— Acha mesmo que não sei o que você quer David? Lido com caras como você todos os dias. — ainda lhe dando um fora conseguia ser encantadora.
— Talvez eu seja diferente. — jogou charme.
— Você seria diferente se me convidasse para sair ao invés de dar em cima de mim descaradamente. — o encarou nos olhos.
— Seria uma ótima companhia, você é maravilhosa. — sorriu galanteador.
— Depois dessa eu vou embora. — Gargalhou.
Se levantou e pegou a pasta, ele a impediu que fosse.
— Heyyy, onde você pensa que vai? — se pôs de frente a ela, impossibilitando que saísse.
— Vou embora. Já é tarde, amanhã levanto bem cedo. — o encarou.
— Espera. Dê-me seu número antes. — sorriu.
— Por que não me dá o seu? — perguntou.
— Tá brincando? Sei que se eu te der o meu não vai me ligar. — ele tinha razão nesse quesito.
— Okay. Você vai me deixar ir embora se eu te der?
— Claro que vou. Até te levo em casa se quiser.
— Não precisa. Moro aqui perto.
— Então...
— O quê? — perguntou saindo de seus pensamentos.
— O número. — sorriu gentilmente.
— Ah sim. — pensou em lhe dar seu cartão, mas ele revelaria sua profissão. Arrancou um pedaço do rodapé de uma página qualquer e escreveu seu número. — Aqui está. — o entregou.
— Muito obrigado! — ela se virou para ir. — Espere pela minha ligação te convidando para sair Emi. — ela sorriu, porém esse sorriso não pode ser avistado por ele.
— Não me chame de Emi. — e foi embora.
David encantado olhou os números e a letra dela perfeitamente desenhados, como se não estivesse escrito às pressas. Virou o papel ao contrário e encontrou um pedaço de roteiro, quase imperceptível, porém ele conhecera muito bem um enredo.
— Então você é atriz? — sorriu e disse em pensamentos.
