Século XIX — Inglaterra
Era uma vez um nobre rico que vivia em uma grande chácara com sua esposa e quatro filhos.
Certo dia, sua esposa adoeceu e nem mesmo os caros tratamentos dos melhores médicos da região conseguiram curar a boa senhora.
Quando sentia que seu tempo de vida chegava ao fim, mandou as servas chamarem sua filha mais velha e seus três filhos mais novos, para despedir-se.
— Teresa, preserve seu bom coração e seja boa para as pessoas. Lembre-se sempre que te amo muito — ela disse à mais velha — James, Stan e Thomas, cuidem de sua irmã, de seu pai e dos negócios de seu pai. Sejam bons para quem ele escolher se casar depois de mim.
Eles prometeram que fariam como ela desejava e naquela mesma noite, ela partiu deste mundo.
Passado o período de luto, muitas das viúvas e solteironas da região, fizeram visitas à casa dos Lisbon, na tentativa de serem as escolhidas de se tornarem a nova Sra. Lisbon, até que o Sr. Lisbon decidiu casar-se com a Sra. Dana Martins e ela e suas duas filhas mudaram-se para a residência dos Lisbon.
As filhas da nova sra. Lisbon, muito se pareciam com ela em sua fama de metida e arrogante. Tanto que, bastou verem a pequena Teresa e seus três irmãos na sala principal da casa, que já disseram:
— O que estes pequenos vermes fazem aqui? Deveriam estar com os servos!
— Tem razão, filha — respondeu Dana — A partir de agora serão nossos empregados. Irão cozinhar, limpar e tudo o mais…
Esta decisão alegrou as duas filhas, Lorelai e Erica, que logo retiraram de Teresa e de seus irmãos suas roupas finas, suas jóias e tudo o mais que lhes pertencia, dando-lhes em troca trapos como roupas e o celeiro, onde passariam a dormir, de agora em diante.
— E agora, já para a cozinha! — exclamaram as duas, rindo-se.
O sr. Lisbon, apesar de ciente do decidido com relação aos seus filhos, nada fez.
Então, conforme lhes era ordenado, os irmãos Lisbon limpavam, cozinhavam, faziam compras e auxiliavam os outros servos que cuidavam dos animais.
Todos os dias, após o Sol se pôr, os quatro juntavam-se ao túmulo de sua mãe para lamentar sua perda e relembrar os bons momentos vividos enquanto ela estava viva.
— Isto não deveria acontecer — disse James — Deveríamos estar estudando, aprendendo a ler e escrever.
— Nosso pai não deveria ter permitido isto! — respondeu Stan
— “Mas quem é a responsável pelo bom andamento desta casa sou eu!” — imitou Thomas — “Agora já pode beijar meus pés” — os outros riram da voz engraçada que ele fizera.
— Não podemos viver nos lamentando — disse Teresa — Temos que nos manter unidos e cumprir o que a mamãe nos fez prometer.
— Mas como cuidaremos dos negócios do Pai, quando ele precisar de ajuda, se não sabemos nem ler? — perguntou James
— Eu ensinarei a vocês — respondeu Teresa — Lembro-me bem das lições que tinha antes do Pai se casar novamente. Posso ensinar a vocês o que eu sei.
— Mas como praticaremos? Não podemos pegar os livros sem que notem sua ausência na Biblioteca.
— Não se preocupem com isto, está bem? Eu cuidarei de tudo.
— E como não seremos pegos?
— Viremos para cá, todas as noites, como sempre fazemos. Daremos nosso jeito.
— Obrigada Resee! — disseram todos os irmãos.
E todas os dias, depois que o Sol se punha no horizonte, os quatro irmãos aprendiam a ler e a escrever embaixo do Carvalho sob o qual sua querida e amada mãe havia sido sepultada.

