Florescendo
Mais uma missão foi concluída, mais uma vez eu sinto meu corpo coberto por sangue das vitimas. Ainda posso ver o rosto da minha irmã deitada sobre aquela cama no hospital. As lagrimas não mais banham meu rosto nem as emoções fazem parte das minhas expressões.
-Abissinian, vamos logo, o Bombay já esta tendo um treco aqui por que ta querendo voltar pra casa...
-Aya! Eu tenho escola amanhã, quero dormir.
Eu não respondo, apenas sigo andando e andando. As ruas estavam calmas e desertas, as pessoas mudas não passavam de sombras, e a lua no céu clareava meu caminho.
-Eu prometi vingar-te, eu os farei sangrar sobre meus pés.
Estou eu errado por pensar dessa maneira? Eu não sei. Tenho certeza de que tu achas que é errado, que eu não deveria matar para vingar-me, mas eu me tornei um assassino para cumprir meus ideais.
As pessoas acham que eu estou errado, mas nenhuma delas sabe o que é ver seus próprios pais sendo mortos na sua frente e a irmã, que você insiste em proteger, entrar em coma em um hospital.
Eu me tornei forte desde então, eu desisti da minha vida e passei a trabalhar nas sombras.
-Eu abomino minhas emoções por que eu detesto chorar, detesto sorrir e odeio mais ainda pensar que eu não posso acabar com tudo isso.
Eu não sei até onde vou poder ir com isso, eu nem mesmo sei onde eu estou, a única certeza de que tenho é de que eu vou continuar assim sem poder mudar até o dia em que todos possam descansar em paz.
Caminho mais um pouco pelas ruas até a casa onde resido agora junto a mais três pessoas que se tornaram meus colegas de trabalho.
Subo para meu quarto para deitar-me e tento esquecer de tudo isso, não sei se poderei fazê-lo só sei que a realidade não pode ser mudada.
-Deixei meu corpo florescer brotando tristeza e dor.
Pouco depois eu adormeço e novamente recomeço o mesmo caminho, dia após dia.
