"Você é estragado como eu? Estranho como eu?
Acende fósforos só para engolir a chama como eu?
Você se intitula como um furacão como eu?
Apontando dedos pois nunca vai assumir a culpa como eu?"
—Gasoline (Halsey)
Trevor|Libra
—Ei, onde você estava?—Eu digo, interceptando minha irmã quando ela entra pela porta da sede, acompanhada por Amanda.
—Por aí, maninho, por aí.
Me levanto do amontoado de trapos que nós chamamos de divã e intercepto-a antes de mais nada.
—Só estou preocupado, sabe?
Na verdade, com todas as missões, todas as richas, todas as perdas e toda a pressão de poder ser apunhalado pelas costas o tempo todo, achei um lugarzinho para me preocupar com o que se passa na cabeça de Líria. Desde que éramos crianças, ela sempre foi do tipo de deixar mistérios e não estar nem aí com quem não compreender, é a pessoa mais segura de si que eu conheço e confio plenamente nas suas razões mas...Ainda assim...
—Trevor, eu não saí da nossa Zona, se é o que quer saber.—Ela ri. Olho pra Amanda que revira os olhos, compartilhando os mesmo pensamentos sobre os perigos da fronteira.
—Tudo bem, Lí.
De uma das portas enferrujadas, Daniel aparece com o olhar inexpressivo. Cumprimenta as meninas e, depois de as assistirmos sumirem de vista na sede, coloca o braço sobre os meus ombros e começa:
—Parece que a missão de hoje é pra você, cara.
—E lá vamos nós...—Reviro os olhos, já sabendo o que estava por vir.—Pode mandar.
—Sean e Asad não têm certeza sobre os Hydra, precisam que você dê uma olhada enquanto eles acalmam as pessoas da nossa Zona.
Meus ombros caem, poderiam ser os Orion ou os Sagitta mas não, havia de ser os piores dos piores. Suspiro.
—Qual é, Trevs? você sabe que é o mais rápido de nós...É só dar uma olhadinha e voltar.
—Por que sempre cabe a mim ver se a sujeira não está mais na nossa porta?
—Bom, o que tem a perder?
Paro pra um momento de reflexão. Não tenho nada a perder, nenhum de nós têm pelo simples fato de não termos nada a não ser um ao outro. E é por isso que evitamos falar dos mortos em batalha, dos desaparecidos e dos capturados, não suportamos o fato de nos tirarem de nós mesmos e então vivemos em constante vigília.
Todos nós, não só os Libras mas todas as gangues. É o que nos torna iguais, mas obviamente, se eu dissesse isso, questionariam minha sanidade.
Então me despeço de todos e saio, com nada além de um binóculo desgastado e ultrapassado, e uma faca no sinto, que espero não ter que usar novamente em tão pouco tempo.
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