Os últimos meses de Ana no instituto estavam chegando ao fim, mais um mês e enfim ela partiria de volta à Londres. Tudo o que ela precisava fazer para concluir o ano era preparar uma apresentação em seu piano aos professores, diretores, alunos e quem quisesse aparecer e assistir. E lá estava ela na sala com um enorme piano de calda tocando sem parar. Bia desta vez não estava a fazendo companhia, todos os alunos daquele instituto estavam tensos preparando alguma performance para apresentar, em todo lugar havia alguém ensaiando. Ana nunca viu algo parecido, tantas músicas sendo tocadas ao mesmo tempo e todos aqueles 10% que Ana classificara como "os sem interesse", também estavam focados em preparar uma boa apresentação no fim do ano.
Danny, ao prever que Ana estaria na sala de sempre, abriu a porta com cautela sem que a garota percebesse. Ele ajeitou a guitarra em seu ombro e caminhou até o canto da sala, onde Bia sempre ficava enquanto a amiga estava ao piano, e ficou parado de pé observando os movimentos da pianista. Ana tocava Clair de Lune do compositor francês Claude Debussy ao piano e seu corpo dançava conforme a cada nota pressionada. Era uma música calma, mas uma música que atingia a garota de forma que a fizesse sentir o peso das teclas em si mesma como se ao mesmo tempo em que sentia-se relaxada, também tivesse que passar pela dor seja ela qual for. O guitarrista cruzou os braços e recostou sobre um pilar que havia na sala, ele sorria achando graça das expressões que Ana fazia. Seus olhos estavam fechados e toda a vez que tocava as notas mais agudas, ela franzia o cenho e deixava seu corpo ir para frente como se precisasse sentir mais e mais as teclas tocadas por ela.
Desde a noite em que os dois passaram juntos durante o festival de fogos, as coisas mudaram entre eles. Ana não considerava que seriam amigos, mas vez e outra gostava de conversar ou discutir sobre música com o garoto quando ele ouvia os clássicos dela e ela ouvia os rock's dele. Ana, porém, recusava-se a admitir que algumas músicas que ela ouvira teria mudado o conceito sobre "apenas ser barulho". Houve letras que e a tocou profundamente, algumas ela podia jurar que descrevia sua vida ou os problemas a que havia enfrentado.
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