— Falta muito?- reclamava o rapaz de cabelos negros cujo o nome é Armin.
Deveríamos estar a caminhar à mais ou menos UMA HORA! Isto está pior do que quando eu fui a Fátima a pé. Bem, talvez eu tenha exagerado porque daqui até Fátima demora dias. Whatever. Durante o caminho acabamos por nos apresentar. O rapaz de cabelos azuis chama-se Alexy e era gémeo do Armin. Como se não desse para ver, não é? O de cabelos platinados é o Lysandre, e o de olhos cor de esmeralda é o Kentin.
Nunca pensei conhecer tantos rapazes em um só dia. Ainda por mais no meio de um apocalipse.
— Por acaso, estás com sorte. Faltam dois minutos.- respondi enquanto apontava para uma floresta que estava a poucos metros de nós.
Como é que eu sei que são dois minutos daqui até lá? Não sei. Disse isso à sorte.
Caminhamos mais um pouco até lá.
— Amy, tu mentiste.Não foram dois minutos. Foram três.- reclamou Armin.
Rimos, e continuamos o nosso trajeto para dentro daquele local repleto de arvóres. Agora desfeitas...
Em um momento paramos e observamos o estado do local.
— Está tudo...- eu nem tinha palavras para terminar a frase.
— Completamente desfeito...- felizmente Nathaniel fê-lo por mim.
— Acho, que temos muito trabalho por aqui. Bom. O que acham de fazer uma fogueira, fazer com que alguns troncos sejam os nossos brancos e passamos aqui pelo menos esta noite?- perguntei.
Todos concordaram comigo. Talvez porque não achassem coisa melhor a fazer.
Decidimos separar-nos por grupos.
Eu, Night, Castiel e Nathaniel fomos por um lado procurar vestígios de madeira, já Lysandre, , os gémeos e Kentin, foram por outra direção à procura de algo para fazer de nossos bancos.
— Oh Night!- chamou Castiel.
— Que é que queres, oh Bruno De Carvalho?- ri do nome que Night lhe deu.
— Duvido que consigas subir aquela árvore.- disse ele enquanto apontava para uma das poucas árvores que ainda estavam inteiras.
— Pfft! Canja.- disse ela.
Night preparou-se para subir.Até subiu um pouco mas...
— Night pensa rápido!- disse Castiel ao atirar um galho de madeira na direção da minha melhor amiga.
— O quê?- Night virou-se e ao ver o que vinha na sua direção, levantou levou as mão para a frente do rosto em forma de defesa.
O único problema é que Night estava mais apoiada na árvore com os braços, do que com os pés ou as pernas, o que fez com que ela se desequilibrasse e caísse.
Bem. Cair ela não caiu, já que Castiel a segurou.
— Eu estou a ver a luz!- disse ela.
Rimos.
Poucos segundos depois olhou para o Castiel.
— Deus, és tu?- perguntou- Fodasse. Que Deus Feio.- reclamou na brincadeira.
— Adeus.- disse Castiel.
— O quê?- Perguntou Night. Segundos antes de Castiel a largar, fazendo com que ela caísse no chão.
Rimos muito.
— Escusado.- disse ela enquanto se levantava.
— Vá, agora a sério, concentrem-se.- anunciei.
Continuamos a nossa busca por madeira.
Em um momento, eu comecei a não conseguir ver o chão, devido á quantidade de madeira que carregava nos meus braços. De qualquer maneira, eu decidi arriscar, e tentar caminhar até ao nosso suposto "local de campismo".
De repente, o meu braço raspou em algo. Senti a minha pele ser perfurada. Eu havia me cortado em um galho de uma árvore.
— Ai!- queixei-me.
Ignorei e continuei o meu caminho.
— Amy, cuida...- ouvi Nathaniel a dizer.
Poucos segundos depois, senti o meu pé escorregar e ia cair para trás. Porém senti as mãos de alguém ampararem as minhas costas. De seguida toda a madeira que eu levava em meus braços caiu.
— do...- Nathaniel completou a sua frase.
Olhamos um para o outro.
Uau! Os olhos cor de mel dele são... Lindos.
— Não bebes mais.- fez essa brincadeira e eu ri do comentário dele.
Permanecemos a trocar olhares.
— Os teus olhos esverdeados são...maravilhosos.- disse ele de uma forma que fez com que as minhas bochechas esquentassem.
Wow. Não estava nada à espera.
— D-desculpa.- pediu e eu saí dos braços dele.
— Obrigado, por me segurares.- agradeci e abaixei-me para pegar na madeira que havia caído.
— Amy...- ouvi o Nathaniel chamar o meu nome.
— Sim?- dei permissão para que ele continuasse a falar.
— Hum, o que aconteceu ao teu braço?- perguntou, referindo-se ao ferimento quando esbarrei na árvore.
— Isto? Isto não é nada.- respondi com calma.
— Não é nada?- perguntou e riu — Amy, isso está cheio de sangue. Tens a certeza que não foi profundo?- questionou, e eu não pude deixar de reparar no tom de preocupação na voz dele.
— Nathaniel, eu nem sei porque estás tão preocupado. Nós estamos a meio de uma apocalipse. Isto não é nada comparado ao que poderá vir a acontecer. Eu tenho a certeza absoluta que se uma dia isto acabar eu vou estas cheia de sangue e ferimentos.- respondi, e reparei que tinha sido um pouco rude e ao mesmo tempo, psicopata.- desculpa, eu fui rude, e não quero que fiques com medo de eu ser uma psicopata.- desculpei-me e rimos os dois.
— Confesso que fiquei com medo, mas...- ri ainda mais do comentário dele.
— Meninos, podem parar de namorar e ajudar?- ouvimos a voz de Night.
Namorar?
— Eu acho que já podemos ir.- disse eu.
Eles concordaram e seguimos caminho.
Quando chegamos, o resto do pessoal já estava lá.
— Bom, não são os melhores bancos, mas, dá pró gasto.- disse Armin.
— Está perfeito.- comentei.
Ajeitamos os bancos, colocamos os galhos que apanhamos no meio, e colocamos algumas pedras ao redor.
— Finalmente. Acabamos de arrumar!- suspirei aliviada por termos acabado o trabalho.
— Por mim poderia ficar tudo às três pancadas, mas vocês os dois querem tudo arrumado.- comentou Night, referindo-se a mim e ao Nathaniel, já que fomos nós que sugerimos que ficasse tudo da melhor forma.
— Eu concordo com a Night. De que serve ter tudo arrumado se, para além de estarmos a meio de um apocalipse, e daqui a um tempo vamos embora daqui?- Castiel concordou com Night. Estes dois são muito parecidos.
— Se fosse a ti Castiel eu não diria isso. Nós não sabemos qaunto tempo ficaremos aqui. Até somos capazes de ficar aqui até acabar o apocalipse. Se é que um dia poderá acabar.- disse Lysandre.
— Ás vezes pergunto-me, como é que eu sou o teu melhor amigo...- comentou Castiel.
— Penso exatamente isso sobre a Night. Mas eu sei o porquê, eu aturo Night e mesmo sendo o meu oposto, nós nos damos muito bem. Não é atóa que eu estou com ela à treze anos.- uau. Eu acabei de concordar com o Castiel? Foi isso mesmo?
— TREZE ANOS?- perguntaram todos surpreendidos.
— Uau! Isso é muita coisa.- comentou Alexy.
— Oh meu PSP. Isso é que é uma amizade verdadeira.- disse o gémeo Armin. Uma coisa que eu havia descoberto sobre ele é que ele ama jogos.
— Bom. Isso é a prova de que a amizade verdadeira existe. Eu espero que a minha com o Castiel dure tanto quanto a vossa.- Lysandre disse todo filósofo. Ele é melhor que Fernando Pessoa.
— É mais tempo do que aquele em que eu tive na escola militar.- é verdade. Kentin teve durante alguns meses na escola militar. Ele dizia que era muito, e eu ria disso. O bom é que pelo menos temos alguém forte e que sabe algumas estratégias de sobrevivência caso alguma coisa acontecesse.
— Treze anos era a idade que eu tinha quando comecei a descobrir o eu gosto por Romances Policiais.- ouvimos Nathaniel dizer. Acabei de descobrir mais uma coisa sobre ele. Ao que parece o seu tipo de história favorito é Romances Policiais.
— Bom. Ouvi muitas opiniões e nenhuma delas me interessou. E para falar a verdade a Amy só está comigo porque eu a ameaço de morte se ela me deixar.- todos se assustaram com a brincadeira de Night- estou na brinca (estou zuando), Amy está comigo porque ela gosta de mim e eu gosto dela. E acho que a nossa amizade é forte. Apenas isso.- terminou de falar e todos suspiraram aliviados ao saber que era apenas uma brincadeira.
Rimos um pouco.
— Enfim, o que acham de comermos? Eu trouxe alguns alimentos, e acho que Night também.- dei essa proposta.
Estávamos com fome. Por mais que fossem mais ou menos duas da manhã, o céu continuava coberto por uma enorme nuvem cor de laranja. Suponho que em breve desaparecerá.
Sentamos nos "bancos" e...
— Alguém tem um fósforo para acender a fogueira?- perguntei.
— Não.- responderam todos.
— Bom. Parece que vai ter de ser à moda antiga.- comentei.
Peguei em duas pedras e comecei a bater uma na outra.
Tentei, tentei, tentei mais uma vez...
— CONSEGUI!- gritei de alegria ao ver o fogo se expandir sobre os galhos.
— O que é isto aqui no meu bolso?- perguntou Castiel.
Ele apalpava o bolso das calças e de seguida foi ver o que tinha lá dentro.
— AHHHH!É só o meu isqueiro. Olha, Amy, queres usar para, ah, já temos fogo.- disse ele.
Peguei em uma das pedras e ergui o braço, pronta para lança-la ao palhaço de cabelos vermelhos que estava à minha frente.
Nathaniel pegou no meu punho e tirou a pedra da minha mão, impedindo que eu o fizesse.
Peguei na outra pedra, e fiz o mesmo. Novamente Nathaniel me impediu de lhe rachar a cabeça.
Respirei fundo e deixei ir embora a vontade de matar o Castiel.
— Vamos comer.- anunciei.
Tirei alguns alimentos como, salsichas, batatas fritas de pacote, salgados, pão de forma e assim para comermos.
Night ia tirando o mesmo da sua mochila e aquilo parecia infinito.
A comida até era bastante.
Depois de comermos conversamos um pouco até o sono bater.
— Pessoal, seguinte, prestem todos atenção!- chamei a atenção de todos para mim.
De repente todos olharam para minha pessoa.
— Eu trouxe três mantas.- foi isso que eu disse.
— E eu trouxe quatro.- completou Night.
— Ao todo dão sete. E nós somos oito. Ou seja, alguém vai ter que dormir com outra pessoa.- anunciei.
— Aviso já que eu sou possuída durante a noite, ou seja, eu mexo-me bué (muito).- disse Night.
— Fazemos assim. Quem é que aqui fica sempre na mesma posição durante a noite?- perguntei e levantei o braço logo em seguida.
Pensei que fosse a única mas... Nathaniel também levantou o braço.
— Boa. Assim ficam vocês os dois juntos. Agora vamos dormir.- disse Night.
O quê? Eu conheço este gajo apenas à horas e vamos dormir "juntos"?
Não posso deixar de dizer que é constrangedor.
— O-ok!- concordamos eu e Nathaniel ao mesmo tempo.
Cada um pegou em uma manta e se deitou. Eu Nathaniel pegamos numa e deitamos no chão, nos cobrindo em seguida.
Em pouco tempo adormecemos.
...
Acordei a meio da noite.
Pelo menos a nuvem alaranjada já foi embora. Deveriam ser mais ou menos três e meia da manhã. Levantei, fiquei sentada e vi que toda a gente dormia.
Fiquei a observar a estrelas.
—Passo por ti ;Tu nem me ves ;Só mais um dia.. amanha talvez...- comecei a cantar a música "Secretamente" da Rita Guerra- ...E fico à espera ;De ver em ti ;O sentimento.. que trago dentro de mim... Mas eu só posso imaginar ;O que podia ser ;Se eu te pudesse abraçar ;Se eu te pudesse ter...(Refrão) Secretamente, à espera de um gesto, de um sinal...
— Secretamente? Gosto dessa música.- ouvi a voz do Nathaniel e assustei-me.
Levei as mãos ao peito e virei-me para ele.
— Que susto.- disse e soltei um riso.
— Cantas bem.- comentou.
— Escusas de mentir.- disse eu.
— Mas é ver...- ele ia falar mas eu coloquei o meu dedo indicador sobre os seus lábios e disse "Shhhh".
Eu havia ouvido barulhos.
— Está aí alguém?- perguntei sem medos.
Novamente barulhos foram ouvidos. Tanto por mim como pelo Nathaniel.
— Apareçam.- Nathaniel ordenou.
Os barulhos continuaram. O que poderia ser?
CONTINUA...

