“Você é louco.”

Era uma das frases que mais falava para ele.

Ele era louco por ficar comigo, era louco por se entregar a mim, era louco por me amar.

Mas eu não reclamaria. Ele que agüentasse um ser egocêntrico, possessivo e ciumento, como eu era.

Pergunto-me se ele me provocava de propósito ao falar das coxas do Reno¹, de alguma pessoa que viu na rua ou de uma das várias saídas com amigos de outras bandas.

E não adiantava ficar bravo com ele por muito tempo, eu nunca conseguiria. Não quando ele me dava carinho e atenção, falando que eu era único em sua vida e nunca me trocaria.

Eu até tentava me fazer de forte, mas sempre me amolecia ouvir essas palavras.

Suspirei baixinho, deixando de fitar o teto para observar o baixista, que dormia tranquilamente ao meu lado, agarrado a mim. E eu adorava quando nós dormíamos agarrados, porque aí sabia que ele não iria fugir de mim.

No fundo, eu era somente um egocêntrico possessivo e ciumento carente, que adorava receber atenção e carinho do namorado.

Afaguei seus cabelos loiros, quase pratas², vendo-o se aconchegar mais em meus braços, beijando-lhe a testa.

E eu poderia ficar assim a noite – e a vida – inteira.

Porque ele era importante para mim.

Porque eu o amava.

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