You Lose Me
Bom, eu já não sabia mais o que fazer. Ser tratada como um lixo? Ou ir lá e acabar aquilo?
Acho que eu já tomei coragem o suficiente pra acabar com aquilo... Eu Lilian Luna Potter, estava me deixando ser tratada como lixo por Matthew Zabine.
O pior, é que eu não mando no meu coração, me deixei apaixonar por ele, me deixei ser idiota, a ponto de achar que ele poderia querer admitir realmente o nosso namoro, quer dizer, se aquilo fosse considerado um namoro...
Matthew foi carinhoso, quer dizer, é carinhoso comigo, é gentil, mas ele não me tratava assim como quando estávamos a sós, ele simplesmente me tratava como alguém de nível baixo, como se eu fosse um encosto em sua vida...
Isso me irritava profundamente, mas eu tinha que dizer, ele era muito fofo comigo, me tratava como princesa, como a melhor pessoa do mundo. Só quando eu e ele estávamos sós.
Eu caminhava apressadamente pelos corredores, procurando-o, ele conversava animadamente com Scorpius Malfoy, seu melhor amigo. Fui até lá e disse:
– Matthew, precisamos conversar. – eu disse.
– Estou ocupado! – ele respondeu friamente.
Senti meus olhos marejarem e a minha visão começar a embaçar, ele não era o garoto pelo qual eu tinha me apaixonado perdidamente.
– É importante. – me limitei a dizer séria.
Ele se virou me encarando, assentiu, e eu comecei a andar sentindo seus passos atrás de mim, lágrimas silenciosas dançavam em meu rosto, fazendo com que eu as secasse rapidamente, o que não ajudava nem um pouco, outras vinham e as substituíam.
Entrei na primeira sala de aula vazia que eu vi, a sala de Defesa Contra as Artes das Trevas. Me virei pra ele, e de repente vi seu olhar se transformar, num misto de preocupação e raiva, como se fosse bater no cara que tivesse feito isso comigo, bom eu achava que era...
– O que ouve? Quem fez isso com você Lily? – ele perguntou tentando tocar meu rosto, mas eu esquivei.
– V-você! – eu disse simplesmente após um longo soluço.
– Eu? Nunca faria nada pra te machucar, te amo, e você sabe disso. – ele disse tocando meu rosto com as duas mãos para que eu o encarasse.
– Não me ama! – eu disse quase gritando. – Se me amasse, não teria a vergonha que tem de me ver contigo... – eu suspirei tentando acalmar minha respiração.
– Não tenho vergonha, só acho que ainda não chegou a hora de assumir nosso namoro. – ele disse normalmente.
– E quando vai chegar a hora hein Matthew? – eu perguntei enquanto mais lágrimas caiam por meu rosto.
O garoto perdeu a voz, não totalmente, nunca o tinha feito essa pergunta, de início nem me importava com esse fato de escondermos o namoro, mas depois de um tempo, foi ficando chato essa coisa de ver as garotas se esfregando nele e eu não poder fazer nada, ter que ficar quieta, sem dizer ou expressar qualquer sentimento.
– Olha... Eu... – ele se enrolou com as palavras.
– Sinto muito, te dei a chance, mas você me perdeu. – eu disse por fim.
Sai da sala, por um lado triste, por outro feliz, triste, pois, eu acabei de dar um fora no único menino que me pediu em namoro. Que dizia que eu era única sempre que estávamos juntos. E feliz por ter tido a coragem suficiente pra fazer isso.
Mas, algo estava errado, eu achei que me sentiria mais livre, mas... Eu só sentia um vazio no peito, algo que me fazia sei lá, querer voltar lá e dizer-lhe que eu fui estúpida, que sinto muito, que tudo aquilo que eu disse foi um grande delírio. Mas eu NÃO faria isso.
Segui até a Sala Comunal da Grifinória, mas a quem eu queria enganar, não iria ficar ali, subi rapidamente as escadas em direção ao dormitório feminino, hoje seria o Baile dos Formandos, ou seja, o meu baile, o problema, é que todos tinham um par, menos eu.
Chegando lá, entrei e dei de cara com minhas amigas, Clair Longbottom, Bella Sparks e Anne Weasley, minha priminha linda.
– Oi garotas! – eu disse sorrindo.
– Oi. – responderam alegres voltando a colocar suas roupas nas camas.
Clair usava um vestido azul escuro, salto preto e maquiagem pesada. Já Bella, usava um vestido amarelo bonito, salto branco e maquiagem bem leve. E minha diva Anne, usava um vestido roxo, um salto roxo também e me esperava pra lhe maquiar.
Peguei minhas coisas e fui lá maquiar a menina, todas as duas já tinham ido, e só estávamos nós lá, até que ela disse:
– Terminou com ele não foi? – ela perguntou.
– Eu? Ah, sim, mas estou bem. – fingi um sorriso que não a convenceu. – Olha, não quero que fique preocupada comigo, vai se divertir, você e o Al são fofos juntos, quero você como minha cunhada. – sorri de canto.
– Lily, olha, eu não vou me divertir enquanto você não entrar naquele banheiro, fazer uma maquiagem perfeita em você, e vestir aquele vestido lindo que você comprou. Anda, senão nos atrasamos. – ela sorriu e eu neguei. – Vai querer discutir comigo?
Bom, depois disso eu fui até o banheiro, adorava isso em Anne, ela me fazia feliz.
Mas minha felicidade não dura para sempre, sempre tem alguma coisa pra estragar tudo, no meu caso, Matthew Zabine, me lembrei de seu sorriso, o mais lindo, o dia que ele me beijou, que me pediu em namoro, naquele dia seus olhos brilhavam, e seu sorriso era imenso.
Logo meu sorriso caiu, quando eu pensei que ele poderia estar dando aquele sorriso pra qualquer outra garota daqui de Hogwarts... Enfim, não vou morrer, não pensando nele...
Sai do banheiro, meu vestido estava na minha cama, meus saltos ao seu lado.
Eu podia desistir, colocar meu pijama e dormir, mas era meu penúltimo dia aqui em Hogwarts, meus pais e toda a família viriam, não podia desapontá-los...
Eu me vesti, coloquei maquiagem e segui, respirei fundo e abri a porta do dormitório, tudo isso estava vazio, era nessas horas que eu precisava da minha família, me ajudavam a ter coragem pra enfrentar todos os meus problemas.
– Devia estar na festa... – meu pai se pronunciou no final da escada. – Está bonita. – sorriu.
Ele não sabia que eu tinha namorado o Zabine, foi difícil esconder isso dele, me sentia culpada. O olhei, sorri e disse:
– Estão todos ai? – perguntei nos últimos degraus, ele negou e eu corri pra abraça-lo. – Senti saudades...
– Também. – respondeu beijando o topo da minha cabeça. – Precisa estar lá, sua mãe está orgulhosa... Todos estamos, James e Alvo estão aqui, bom, acho que Al quer matar as saudades da namorada. – riu fraco e eu o acompanhei.
Ele segurou minha mão, beijou-a e saiu, ele iria querer que eu fizesse aquilo sozinha, o vi nos corredores, e depois fui andando, o Salão estava lindo, uma mesa com comida a vontade, as mesas pessoais numa parte e a ala de dança ainda vazia.
Coloquei a cabeça pra ver, respirei fundo, e fui descendo as escadas, as pessoas me olhavam sussurrando coisas, eu seguia sem medo até a minha mesa, estavam lá, minha mãe, meu pai, James, Alice e Alvo. Abracei cada um e fiquei lá, virei e de longe eu vi Matthew me encarando, virei para frente novamente, tentando esquecer isso tudo.
– Bem vindos alunos, quero que todos se reúnam com seus pares para iniciarmos a festa. – Minerva disse.
Aos poucos o Salão ia levantando pegando seus pares e indo dançar, os únicos sentados, erámos eu e Zabine, todos tinham ido dançar, até os pais dos alunos...
Os passos eram bonitos e todos sabiam dançar, mamãe sorria pra papai que dizia algo em seu ouvido, com o tempo, pais iam embora, era a regra do baile nada de despedidas, eles só aparatavam, hoje havia sido liberada essa restrição.
Só tinham alunos agora, Anne tinha ido dormir e o resto das meninas estavam dançando, suspirei e segui para os corredores, até que uma voz chamou minha atenção.
– Com licença. – Matthew estava falando. – Todos os pais e alunos foram avisados e já estão voltando.
Os alunos iam entrando de pouquinho em pouquinho, os pais iam voltando, todos já estavam em seus lugares, e quando eu ia saindo eu escuto:
– Preciso que fique. – eu virei e meus cachos balançaram, eu neguei levemente. – Por favor.
Suspirei e assenti, meu pai me olhava com medo, não de mim, mas por mim, ele tinha essa reação.
– Olha, ninguém aqui sabe o por que disso. – ele suspirou e me encarou por um tempo. – Mas a realidade é que eu perdi a pessoa mais sensacional do mundo... A minha ruiva.
– O que é isso? – meu pai sibilou silenciosamente pra mim. – dei de ombros e ele voltou à atenção até Matthew.
– Enfim, essa garota é muito especial, por que na verdade, nós nos odiávamos, quando chegamos em Hogwarts, eu tentava de qualquer forma ser melhor que ela em tudo, ela era a garota que sabia de tudo e queria ser melhor que eu e isso me irritava muito, eu sentia raiva. – as garotas suspiraram. – Mas ai, eu me descobri pensando em todos os momentos naquela garota, que me fazia raiva, depois ela virou o motivo pra eu estudar, só pra que ela prestasse atenção em mim... Depois disso, eu tive coragem, sendo que na hora, nós discutimos, e nisso, quando ela ia saindo, eu a puxei e a beijei, e disse que a amava, e ela disse que me amava também, e começamos a namorar. – ele abriu um sorriso e piscou pra mim. – Sendo que... – ele parou, me olhou com um olhar triste. – Eu esqueci depois de um tempo, o quanto essa garota era importante pra mim, pedi a ela que nunca contasse a ninguém sobre nós, e ela aceitou, sendo que eu tive que perde-la pra poder lembrar do quanto ela me faz falta, e o incrível, é que ela é perfeita, é ruiva, alegre, divertida, e eu sinto muito okay? – ele disse se aproximando de mim. – Eu te amo, Lílian Luna Potter, sem ter vergonha de nada e nem de ninguém... – segurou meu rosto com as mãos e sussurrou só pra eu escutar. – Me perdoa?
Eu assenti sentindo lágrimas em meus olhos, mas lágrimas de felicidade. Ele se aproximou e me beijou.
Como nosso primeiro beijo, as borboletas passeavam por meu estomago, meu coração disparava. Era uma sensação boa, demais...
Nos separamos por falta de ar, nos olhamos e ele segurou minha mão, nos viramos e bom, meus irmãos, meu pai, meus tios e meu avô estavam em pé, nos encarando, ótimo, foi isso com todas as garotas da família e agora vai ser comigo.
Fui indo na frente ainda segurando sua mão, seus pais acompanhavam nos passos com os olhos... Sem expressar nenhuma emoção.
– Bom, esse é meu namorado. – eu sorri.
– Harry, se você disser algo, ou fizer algo, isso vale pra todos da família... Se fizerem algo com o garoto vocês vão apanhar feio de toda a família na parte feminina. – minha mãe disse. – Ele é lindo filha. – ela piscou pra mim.
– Okay Gina, nada de armar com o garoto. – meu pai se limitou a dizer rolando os olhos.
– Sai, eu te dou cobertura. – Anne passou pelo meu ouvido sussurrando. – ENTÃO FAMÍLIA, TO GRÁVIDA! – gritou.
– O QUE? – eu ainda escutei eles gritarem.
Sai correndo, com Matthew grudado em mim, parei quando chegamos perto do velho carvalho de Hogwarts, nós arfávamos, devido à pequena “corrida”.
– Por que me quis de volta, achei que não fazia diferença pra sua vida... – eu disse após nos sentarmos nos galhos altos da árvore.
– Não faz. – eu paralisei com essa frase. – Hey, calma, foi só brincadeira, enfim, tenho dois motivos na real.
– Okay, primeiro motivo. – eu disse me ajeitando no galho.
– Percebi como poderíamos ser felizes juntos, mas sem você isso não aconteceria, percebi que eu te amo mais que amo a minha própria vida... Mentira! – ele disse convicto. – Eu amo mais a minha vida, por que minha vida é você.
– Segundo motivo. – eu sabia que estava corada.
– Ahn, é meio embaraçoso de falar. – ele disse meio vermelho.
– Ah qual é Matt, Vai fala, prometo que não rio. – ergui a mão direita. – Fala, estamos numa altura meio grande, cair não seria um bom plano. – eu disse meio que “ameaçando-o”, ele acha mesmo que vou jogá-lo.
– Ahn... Eu tinha feito uma surpresa pra você, eu queria te mostrar hoje depois do baile, e não tinha como voltar atrás. – ele disse.
– O que foi? – eu perguntei.
Ele não me respondeu, tirou o paletó e ficou só com a camisa social e a gravata, a camisa marcava seus GRANDES músculos. Aos poucos ele ia abrindo os botões de sua camisa, deixando a mostra uma tatuagem acima do peito, onde tinham letras, que não eram as que eu entendia.
– O que... O que significa? – eu perguntei passando os dedos por cima da tatuagem (N/A: as maliciosas foram vocês, é sério, não teve malícia não okay?).
– Esta em latim, significa Lily Luna. – ele disse.
Levantei meu olhar o encarando, seus olhos brilhavam esperando uma reação, o puxei forte pra mim e o abracei...
Havia sido a homenagem mais bonita que eu já tinha ganhado.
O soltei, abotoei sua camisa e ele segurou o paletó, desceu da árvore, segurou minha cintura e desceu também.
Segurou minha mão forte e disse:
– Hora de conhecer meus pais. – paralisei. – Vem, acha o que? Que eles vão matar você e ressuscitar Lord Voldemort com o seu sangue, por que é filha Harry Potter?
– Ah meu Deus, eu só tinha pensado que sua mãe não ia gostar de mim, agora eu não vou mesmo. – sai correndo.
Mas, ele é mais rápido me agarrou e segurou minha mão me levando até sua mesa, chegando lá, sua mãe e seu pai me encaravam.
– Oi, prazer, meu nome é Lily Luna. – eu sorri.
– Olá, sou Blásio Zabine, essa é minha esposa, Louise Zabine. – ele sorriu beijando minha bochecha.
– Olá querida.- Sra. Zabine se aproximou e me abraçou. – Seja bem vinda a família. Graças aos Céus esse garoto achou alguma garota bonita e educada. – riu fraco e eu a acompanhei.
– Vem, vamos aproveitar o resto da noite... – ele sussurrou no meu ouvido.
– E ai mamãe, o papai fez mesmo essa tatuagem por você? – minha filha Katy perguntou.
– Fez sim, ele ainda tem ela. – respondi sorrindo.
A realidade era que minha filha de 16 anos tinha acabado um namoro há poucos dias e como erámos muito próximas, me perguntou sobre a minha história com Matt, e eu contei, ela ria às vezes e outras só me encarava sibilando alguns “awns”, foi divertido contar-lhe.
– Mamãe? – ela perguntou. – Você e o papai vão voltar a se falar?
– Eu não sei. – respondi dando de ombros.
Outro fato, era que eu e Matthew estamos ajeitando a papelada da separação.
A campainha tocou e Louis entrou, o melhor amigo de Katy.
– Ahn, Katy, tá afim de sair hoje? – ele perguntou, eu já deixara a sala.
– T-ta, pode ser. – ela sorriu envergonhada.
Eles ficaram conversando, até que saíram, e eu desci as escadas sorrindo, se amavam e não sabiam.
Fui até a cozinha e vi o envelope, branco com o símbolo do Ministério da Magia, a papelada da separação tinha chegado, era a papelada provisória.
Abri lentamente, na realidade, só brigamos uma vez, mas por causa dessa briga, que foi enorme, estamos no separando.
Dentro tinham muitos papéis inúteis na minha opinião, mas o decisivo, eu e ele precisávamos assinar, sua assinatura ainda não estava ali, o que eu achei muito estranho, já que os papéis já vinham de sua casa.
– Quer mesmo acabar tudo que temos por causa de uma briga? – virei rapidamente e meus cachos balançaram.
– Não fui eu que quis isso, foi você. – o olhei e ele tinha olheiras profundas. – O que foi que eu te disse? Você não pode se matar de trabalhar. – eu suspirei.
– Continuo com minha pergunta inicial. Quer acabar tudo isso, por causa dessa briguinha? – ele disse.
– Sabe que não vou deixar de trabalhar não sabe? – eu disse.
Ele socou com força o balcão, e vi uma fina linha de sangue escorrer por sua mão, segui até lá e fui fazer um curativo.
– Ganho por nós dois, não quero você trabalhando com isso. – ele me encarou, mas eu encarava sua mão enquanto fazia um curativo.
– Matthew, eu me formei pra ser auror, não vou desistir disso, sei que é perigoso, mas nem por isso, você deixou. – eu suspirei. – Não quero brigar okay? Eu só queria que você me deixasse ser eu, me deixasse ter a liberdade de escolher o que eu quero ser.
Eu o encarei e ele me encarava confuso.
– O que foi? – eu perguntei.
– Ganho por nós dois e um pouco mais, posso pagar tudo o que você e Katy quiserem, por que quer tanto continuar trabalhando? – ele perguntou.
– Quero ser útil! – eu respondi certa do que falava.
– Posso lhe fazer ser útil na cama! – ele disse sorrindo de canto, meu rosto ficou mais vermelho que pimentão.
– Ahn... Volte a sua pergunta inicial. – eu disse tentando mudar o assunto.
– Você quer mesmo acabar com o nós? – ele perguntou sério.
– Não. – eu respondi o encarando. – Não, por que... Você não é meu marido, nem o amor da minha vida, você é o meu coração. É o meu bebe, é meu tudo e até meu nada. – sorri. – Mas e você, quer acabar com tudo isso?
– Não, por que sem você eu não vivo. – ele me encarou e me deu um beijo.
– EBA! UHU, VAMOS LÁ JAKE! UHU, EU SABIA QUE ELES IAM VOLTAR! – Katy gritava rodando seu irmão mais novo de 3 anos no ar, enquanto o mesmo ria.
Caminhamos até ela que no mesmo instante parou e se limitou a dizer:
– Jake, eu disse pra você não gritar. – ela disse rindo.
Nós rimos e a abraçamos.
The end...
