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Kapitel 14 min Lesezeit

Prólogo

[...]

- Vou te expurgar da minha vida.

- Por que?

- Cansei.

- Hum, sei. Ta bom.

E ficou offline.

Pra sempre.

Minha relação com Guilherme já estava desgastada, corroída. Estava virada numa madeira cheia de cupins, mas o por quê de todo este desgaste, o motivo do fim, apenas ele carrega essa informação. Eu, por minha vez, carrego apenas hipóteses. Entretanto, não tento culpar ninguém ou pelo menos não culpar só um de nós. Penso que os dois foram os culpados. Confesso que ainda carrego um pouco de rancor, que ainda não o perdoo por ter me deixado, por ter me feito acreditar que éramos um casal.

No começo, me fiz de forte, fingi não me importar até não me importar de verdade, mas não consegui. Chorei. Chorei de soluçar, de ficar sentida como um bebê. Chorei até dormir o pior sono da minha vida. Mas agora que já me conformei, toda a neblina que ficou desde que ele se foi sumiu, possibilitando à mim enxergar com clareza o que foi a nossa relação. Percebi que abandonei minhas verdadeiras amizades e me sinto culpada por isso. Erámos tão parecidos... Somos tão parecidos. Acho que por isso que foi tão duro.

Eu tenho a fama de ser fria por controlar minhas emoções e não demontrá-las. Não choro na frente de ninguém, é raro que algo me afete — sou tão doce como um limão.

Meu nome é Samanta. Tenho 23 anos, dona da minha própria editora e escritora nas horas vagas. Moro sozinha. Tenho duas irmãs e um pai que não tenho um bom relacionamento. Minha mãe morreu quando eu tinha 6 anos. Tempos dificeis...

Então...

Sobre meu namoro: foi a pior e melhor coisa que já me aconteceu.

Conheci Guilherme na internet — não me julgue, já faço isso. As nossas primeiras conversas foram algo tão estranho e legal, pois parecia que estávamos num divã e que cada um fazia uma psicanalise um do outro. Pareciamos uma alma só que se dividiu ao vir ao mundo.

A internet nos acostuma muito mal. Consegue ser pior que a sua vó, que lhe faz todas suas vontades(estando ao seu alcance ou não).

A internet, essa avó que desrespeita a educação dada pelos pais, me deu um doce logo após a vida ter me xingado e me posto de castigo. Foi lá no meu quarto, me puxou pela mão e me apresentou-o(o doce).

Doce maldito que está criando caries.

Como eu disse anteriormente, a internet nos acostuma mal. Temos nossas regras; não falamos com pessoas que curtem um tipo de musica que não nos agrada, ou com quem posta fotos ridículas e de teor sexual explicito. Desprezamos alguém por escrever errado e não saber coisas que tu pensa ser obrigação de todos saber.

Na internet é muito mais fácil encontrar pessoas parecidas com você, na vida real é bem mais complicado e complexo — a não ser que você seja daquelas pessoas "extrovertidas" que fazem "amizade" fácil...

Não podemos, digo, é mais difícil pôr nossas regras virtuais na vida real. Se você é uma pessoa impaciente, jamais saberá que aquela pessoa que você julga legal e interessante, tem um Tumblr(ok, isso é um preconceito particular meu, mas é disso que estamos falando, certo? Das nossas regras que seguimos na internet para se socializar).

Então, você se vê confiando na pessoa, se abrindo além do limite imposto por si mesmo e se vê na obrigação de não deixar aquilo se perder ou virar uma coisa desconfortável que, se tudo se acabar, essa pessoa carregará junto dela coisas sobre vocês. É como se você perdesse o seu diário que, mesmo com a segurança que o cadeado lhe passa, pode ser aberto...

Transformamos confidencias involuntárias em uma amizade que é sincera, mas ao mesmo tempo cheia de duvidas porque não parece uma coisa palpável mas é tão linda -senão mais- quanto uma ao vivo.

Dividimos nossas angustias, nossas alegrias(um tanto bobas). Trocamos opiniões, às vezes discordamos(no meu caso, frequentemente), mas aprendemos. Muito.

Eu me apaixonei por essa amizade que se transformou em amor, mas que sobrou apenas migalhas, cacos de algo que um dia foi tão belo quanto os poemas que ele escrevia.

Eu o odeio.

Eu o amo.

Eu quero que ele se foda.

Eu estou com saudades.

Eu quero que ele morra.

Eu quero que ele volte.

(esqueça essas ultimas frases, quero tocar minha vida sem ele).

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