Winnie the Gus
Winnie the Gus
Chapter 15 min read

Ursinho Gus


PITTSBURGH, setembro de 1987


Brian se assustou quando aquele ursinho caiu bem em cima da sua cabeça.

Ei! Você pode me dar o Gus?

Ele olhou para o garotinho no escorregador, loiro, de olhos azuis, não mais que quatro anos e, tão bonito que mais se parecia com um dos anjos que enfeitavam a igreja que sua mãe o obrigava a ir todos os domingos.

Gus?

O meu ursinho!

Vai Brian! Devolve logo o urso idiota pro garoto e vamos embora. _ Brian se lembrou o que estava fazendo naquele parque, tentando consolar Mikey de mais uma paixão que deu errado: agora foi o zagueiro do time da escola deles.

Meu urso não é idiota! Vocês é que são fumando esses cigarros esquisitos! Vocês sabiam que isso dá câncer?

Brian não estava muito acostumado com piralhos, ainda mais espertinhos como esse, mas algo no menino o intrigou e ele decidiu puxar conversa.

Como você se chama? Quantos anos você tem? E onde está a sua mãe?

Eu não tenho autorização para falar com estranhos!

Então por que você está falando comigo?

Porque você está com o meu ursinho e eu quero ele de volta.

Nossa! O menino conseguia ser mais coerente do que Mikey, com ou sem maconha. E por falar em Mikey:

Olha menino, nós sabemos que você está perdido. Eu sou Michael Novotny e esse é meu amigo Brian Kinney, nós vamos ajudar você a achar sua mãe. Agora você pode nos falar qual é o seu nome e o nome da sua mãe?

Eu não estou perdido! Eu sei onde está a minha mãe! E vocês deveriam estar na escola e não fumando esses cigarros esquisitos e bebendo num parque cheio de crianças. E as mães de vocês não sabem que estão aqui, com certeza!

Brian, devolve o urso pro menino. Ele é da CIA ou um mutante com superpoderes e vai derreter nossos cérebros.

Eu não sou da CIA , não sou mutante e não posso derreter seus cérebros, pois eu acho que vocês não tem.

Brian estava achando muito divertido aquele menino tão pequeno, tão bonito e tão inteligente. Algo naquele garoto o fascinava de uma forma diferente, ele não tinha como explicar. Um sentimento estranho o forçava a estender aquele momento, irresistivelmente. Ele queria saber mais sobre o piralho espertinho, entender o que ele estava sentindo. Por que ele estava dando tanta atenção para o moleque? Por que ele não queria que o pentelho fosse embora? Ele decidiu continuar aquela conversa, então resolveu mudar de tática:

Bem, ursinho Gus, vou devolver-lhe pro seu dono se você me prometer levar ele de volta para a mãe dele.

Você é alguma espécie de maluco conversando com meu ursinho? Você acha que ele vai lhe responder?

Já que você não responde, resolvi tentar com o ursinho.

Tudo bem! Eu respondo! Mas eu acho que seu amigo acabou de desmaiar!

"Droga! O moleque tinha razão. Obrigado Mikey! Agora você conseguiu assustar o menino."

Não se preocupe! Ele dormiu! Logo vai ficar bem!

Tudo bem! Você vai me devolver o Gus? (Brian balançou a cabeça afirmativamente e colocou a língua na bochecha, na expectativa da resposta do garoto.) Eu não sou da CIA, não sou mutante e nem tenho superpoderes. Na minha escola, falaram para meus pais que eu tenho a inteligência acima da média, mas isso não é grande coisa, só me ajuda a aprender com mais facilidade que os outros. Eu me chamo Justin Taylor, tenho quatro anos e seis meses , minha mãe se chama Jennifer e meu pai Craig. A minha mãe esteve esse tempo todo sentada naquele banco lá na frente, olhando para nós.

O menino deixou Brian perplexo . Algo naquele menino o encantou como nunca aconteceu antes. Ele devolveu o ursinho. Justin finalmente escorregou no brinquedo e correu para onde estava sua mãe. Ele se virou para Brian, deu um sorriso que parecia iluminar o mundo e lhe deu adeus. Ao chegar perto de sua mãe, uma autêntica dona de casa WASP, ganhou um beijo e um abraço carinhoso, o que fez Brian se lembrar que tinha que deixar Mikey apresentável para poder pedir mais uma noite de refúgio para Debbie.

PITTSBURGH, novembro de 2007

Brian, estava se divertindo com a cara que Justin estava fazendo quando Jennifer resolveu mostrar seus álbuns de bebê .

Após dois anos em Nova York, Justin tinha feito vários contatos com as galerias e conseguiu uma agente bem competente, permitindo que pintasse em Pittsburgh e viajasse quando necessário. O jantar, na casa de Jennifer , foi uma das muitas comemorações pela sua volta , além das feitas por Debbie, Michael e Ben, Emmet... e claro a comemoração interminável e particular dele e de Brian!

Mas, sem dúvida, o ponto alto do jantar foram os álbuns do bebê Justin, algo que depois de sete anos de relacionamento com Brian, Justin acreditou que estava livre, mas Jennifer e Brian tinham se tornado grandes amigos e agora estavam unidos para constrangê-lo.

Quando Brian viu a foto do menino lindo de olhos azuis e cabelos loiros de quatro anos abraçado ao seu ursinho Gus, Brian se lembrou daquele garoto que o deixou completamente desconcertado há vinte anos atrás em um parque, ele resolveu descobrir onde estava aquele ursinho e chegou a uma conclusão que finalmente lhe explicou o furacão loiro que transformou sua vida: Brian Kinney jamais teve chance alguma de resistir e vencer Justin Taylor.



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