Will this be a Secret?
Will this be a Secret?
Chapter 111 min read

Isso será um Segredo?

Quando Ashley abriu os olhos ao despertar e sentiu a claridade os invadir rapidamente lembrou-se da noite anterior e do quanto havia bebido no jantar de ensaio de Aria e Ezra. A dor em sua cabeça ajudava a sustentar a lembrança que, afinal, era a única que ela possuía.

Lembrava-se de ter chegado ao jantar, de ter cumprimentado Hanna e as meninas e depois de ter se unido as outras mães para começarem a beber, principalmente após relembrarem como escaparam do porão dos DiLaurentis. Depois disso tudo era um borrão branco, sem forma e com gosto de ressaca.

Conseguiu finalmente abrir os olhos e a primeira coisa que constatou era que estava nua, afinal sentiu que seu corpo estava enrolado em um lençol. Talvez tivesse tirado a roupa para tomar um banho, mas adormecera antes de entrar no banheiro.

Porém a teoria foi esquecida quando notou que não estava em seu quarto. A grande janela que se estendia a sua frente certamente nunca existira em sua casa, muito menos o criado mudo ao seu lado que ela nunca havia visto.

“Céus” pensou alto imaginando o que poderia ter acontecido na noite anterior quando estava totalmente embriagada e sem noção do que fazia. Com quem havia dormido? Tinha medo de virar-se e encontrar quem quer que fosse do outro lado da cama.

Quando criou coragem e se virou sentiu o corpo gelar ao dar de cara com Verônica Hastings dormindo, também enrolada apenas em um lençol. Havia dormido com ela? Com Verônica Hastings?

Sentou-se na cama sem saber o que pensar. Nunca havia se sentido atraída por uma mulher antes, o que dirá por aquela que dormia ao seu lado e que sempre fora considerada uma amiga. Fora culpa da bebida, pois certamente a senadora estava tão bêbada quanto ela ao final da noite.

Verônica aos poucos sentiu a claridade lhe tocar a despertando. Abriu os olhos e levou a mão a cabeça sabendo que havia extrapolado na noite anterior. Sabia que estava em seu quarto, mas não se lembrava como havia chegado ali.

— Spencer? – perguntou ao perceber que havia alguém sentada ao seu lado na cama – É você?

— Na verdade – Ashley começou sentindo o rosto queimar – Sou eu.

Verônica levantou os olhos e quando se deparou com Ashley levantou-se de uma vez, só então percebendo que tinha apenas um lençol lhe cobrindo o corpo. Ajeitou o tecido para que não ficasse nua na frente da mulher e tentou se recompor.

— Ashley, o quê aconteceu?

— Eu... Eu não sei – começou enquanto se levantava – Eu também acabei de acordar e sei tanto quanto você.

— Spencer havia te levado para casa, não?

E aos poucos uma vaga lembrança começara a surgir na mente de ambas.

“Spencer, vamos, você terá que fazer algumas paradas no caminho”— a voz de Verônica soava ao longe – “Marin, para o carro”.

— Sim, nós saímos juntas, eu, você e a Ella. A Spencer estava dirigindo, mas eu não me lembro de mais nada depois disso.

— Eu nem sei direito como entrei no carro – sentou-se na cama – Por que eu fui beber tanto?

— Bom, eu sei que não fui para casa, só não sei como vim parar aqui, na sua cama – também se sentou e esperou a outra lhe fitar – Nua.

Verônica desviou o olhar e pegou uma peça de roupa íntima que estava jogada no chão aos seus pés.

— Essa calcinha não é minha.

— É minha – Ashley a puxou das mãos da outra.

Por baixo do lençol conseguiu vestir a peça e em seguida procurou por suas roupas, mas não encontrou todas as peças.

— Minhas roupas sumiram – disse assustada.

— Eu te empresto – pegou as roupas que Verônica lhe emprestou e foi até o banheiro para se trocar. Verônica, ainda perdida, fez o mesmo, mas em outro banheiro.

✳

— Eu fiz um café bem forte – Verônica anunciou mostrando o bule enquanto Ashley descia as escadas.

— Eu vou querer duas xícaras – a ruiva se aproximou e se serviu.

Um longo silêncio se instalou enquanto ambas apenas tomavam seu café. Verônica sabia que sendo a anfitriã era ela quem precisava, talvez, lhe pedir desculpas, mas nem ela mesma sabia por que. Enquanto isso Ashley pensava em mil maneiras de se desculpar e se despedir sem parecer que estava desesperada para fugir dali.

— Verônica.

— Ashley.

Disseram ao mesmo tempo e acabaram rindo da situação. A senadora indicou para que a outra falasse primeiro.

— Verônica, eu sinto muito, eu não faço ideia do que aconteceu noite passada, mas não quero que pense mal de mim.

— Ashley, por favor, nós duas estávamos completamente bêbadas. Talvez apenas caímos no sono juntas.

— Nuas? Com as roupas espalhadas pelo seu quarto?

Os fatos eram inegáveis, havia acontecido mais do que apenas uma noite de sono tranquila.

— Você acha que – Ashley começou, mas foi Verônica quem completou a pergunta.

— Nós dormimos juntas? – a outra assentiu – Acho que isso pode ter acontecido.

— Que vergonha – a ruiva alcançou sua bolsa – Eu preciso ir embora.

Levantou-se, mas antes de sair buscou seu celular na bolsa e quando o encontrou viu que havia algumas chamadas perdidas de Hanna. Abriu as mensagens e leu o que a filha havia lhe enviado na noite anterior.

“Mãe? Onde você está? Cheguei em casa e você não estava aqui”.

E depois outra enviada 1 hora depois.

“Mãe, como você pode ter feito aquilo com a Verônica na frente da Spencer? Você me mata de vergonha. Nunca mais vou conseguir olhar para a Sra H”.

— O quê foi? – Verônica assustou-se ao ver o semblante da outra.

Ashley apenas estendeu o celular para que a mulher o pegasse e lesse as mensagens. Em seu rosto instalou-se o mesmo semblante.

— O quê nós fizemos, na frente da Spencer?

— Eu não sei – Verônica parecia atordoada – Mas Spencer só virá para casa mais tarde, ela tem estado ocupada esses dias e só vem para dormir.

— Eu não posso ir embora sem perguntar para ela o que houve e me desculpar. Se eu chegar em casa a Hanna irá me bombardear com perguntas que eu nem sei como responder.

— Você pode ficar, claro.

Ashley soltou a bolsa e ficou.

✳

Verônica passou boa parte do dia em seu escritório resolvendo algumas coisas do senado, embora sua cabeça ainda pesasse. Ashley pegou um notebook emprestado da Hastings e decidiu responder alguns e-mails do trabalho.

Ambas sabiam que estavam evitando uma a outra por causa da vergonha e das dúvidas, afinal eram amigas e nunca tiveram problemas quando estavam juntas, a conversa sempre fluía sobre diversos assuntos.

Na hora do almoço decidiram esquentar alguma comida pronta para não precisarem ter o trabalho de fazer o almoço e limpar a cozinha. Afinal, essa seria uma tarefa que exigiria contato e era o que elas menos queriam, imaginando que já haviam tido contato suficiente na noite anterior.

Porém, em determinado momento a ruiva soube que não poderia fugir, e lidar com a situação estando preparada seria melhor do que ouvir tudo da boca de Spencer e ter que olhar nos olhos de Verônica depois. Fechou o notebook e se dirigiu ao escritório parando na porta e encarando a outra.

— Nós precisamos conversar, você não acha?

Verônica também fechou o notebook e se levantou. Puxou a outra até a sala e sentaram-se lado a lado.

— Eu acho que está muito claro o que aconteceu noite passada, não é mesmo? – Hastings começou a conversa.

— Nós – Ashley procurava as palavras, sabendo que só havia uma a dizer – Nós transamos. Por causa da bebida.

— Por causa da bebida – Verônica reafirmou.

— E como você se sente sobre isso?

— Ashley – alcançou a mão da outra com a sua – Nós sempre fomos amigas, isso muda algo entre nós?

— Eu me sinto tão envergonhada, não posso acreditar que fiz isso com você, com Verônica Hastings.

— Por que esse tom, como se eu fosse superior?

— Eu sempre te vi como um exemplo de mulher, inalcançável, alguém que eu admiro a ponto de querer ser igual.

— Ashley, por favor, eu sou como você, como a Ella, a Pam, eu sou uma mulher normal.

— Não para mim – os olhares se encontraram e assim ficaram por algum tempo – Você se arrepende, mesmo sem se lembrar?

— Não – o tom suave fez a pele da ruiva se arrepiar – Você se arrepende?

— Bom, você é uma mulher linda, então com certeza não.

— Eu nunca pensei que dormiria com uma mulher antes, mas se aconteceu fico feliz que tenha sido com você.

Apoiaram os braços no sofá e a cabeça nas mãos se olhando, ambas na mesma posição. Sentiam-se mais tranquilas e até sorriram.

— Eu já ouvi dizer que quando estamos bêbados fazemos as coisas que sempre quisemos e nunca tivemos coragem.

— Eu não acho que precisamos estar bêbados para isso – Verônica quando percebeu já estava colocando uma mecha ruiva atrás da orelha de Ashley e depois deixando a mão passear acariciando seu rosto.

Foi Ashley quem se movimentou indo em direção a outra e sem medo se sentou em seu colo. Sabiam o que estava acontecendo e não queriam parar.

As mãos da ruiva seguraram o rosto da morena e os dedos entraram se enroscando em seus cabelos antes de se beijarem. E o que começou lento e delicado logo se transformou em urgência.

Verônica retirou o casaco de Ashley e o atirou longe, em seguida separaram os lábios e a ruiva começou a desabotoar a camisa que a morena usava. Logo a peça também foi jogada longe, se levantaram se beijando e se despindo e assim foram até as escadas.

Subiram alguns degraus e Ashley encostou Verônica na parede puxando sua perna para cima e agarrando sua coxa enquanto lhe beijava o pescoço. A morena gemia sentindo os toques, mas logo continuaram subindo e entraram no quarto onde tudo começou naquela manhã.

Terminaram de retirar as peças que faltavam e se deitaram na cama. Não sabiam como havia sido na noite anterior, mas sabiam o que queriam naquele momento.

As mãos percorriam os corpos, que se enroscavam. Ashley estava sobre Verônica e se movimentava friccionando as intimidades. Os olhares não se desviaram em momento algum o que indicava a ambas que ali havia muito mais do que apenas prazer envolvido.

Envolveram-se nos lençóis após atingirem o ápice e continuaram com os beijos e carícias.

— Eu estava louca para sentir o que havia sentido noite passada.

— E foi uma boa lembrança? – Ashley perguntou quando estavam apenas deitadas se olhando e conversando.

— Foi muito melhor do que eu esperava.

— Eu não quero que isso acabe – e se aproximou para beijá-la novamente.

✳

Spencer chegou em casa quando já estava prestes a anoitecer, entrou e encontrou peças de roupas jogadas pela sala, todas ela sabia que pertenciam a sua mãe.

— Mãe? – chamou indo em direção as escadas.

Verônica e Ashley conversavam e riam juntas no quarto que não ouviram a moça chegar. Spencer abriu a porta e as três se assustaram.

— Vocês ainda estão aqui – disse parecendo incrédula.

— Spencer, eu posso explicar – Ashley se levantou enrolada no lençol.

— Aconteceu de novo, o mesmo que na noite passada – Verônica se adiantou.

— Sério? Por que você não deu um remédio a ela, mãe? Ashley, você melhorou? – seu semblante parecia preocupado.

As mais velhas se entreolharam perdidas.

— Spencer, você pode clarear nossa mente relembrando o que aconteceu noite passada? – a ruiva pediu.

— Vocês estavam muito bêbadas, eu deixei a Ella em casa e depois quando fui deixar você – disse se referindo a Ashley – Você não conseguia achar a chave para entrar, minha mãe desceu para te ajudar a procurar e você vomitou nas duas. Eu não podia te deixar daquele jeito, então te trouxe para casa, tirei a blusa de ambas, mas depois vocês começaram a retirar tudo. Eu vi que não teriam condições de tomar banho, então só enrolei vocês no lençol e deixei que dormissem – finalizou como se fosse a história mais óbvia do mundo – Não acredito que vocês ficaram no quarto o dia todo.

Spencer saiu após a sua última frase e as duas permaneceram estáticas, sem conseguir olhar uma para a outra.

— Verônica.

— Eu não me importo – a senadora a cortou. Alcançou sua mão e entrelaçou seus dedos – Eu não me importo que entendemos tudo errado, o que aconteceu depois foi porque nós quisemos e estávamos bem sóbrias para decidir.

Ashley sorriu e se aproximou para beijá-la.

— Eu vou repetir o que eu já disse, eu não quero que isso acabe.

E sorriram durante o beijo sabendo que não iria acabar, que na realidade estava só começando, mas as duas ainda queriam aproveitar um pouco mais uma a outra antes de precisarem contar uma longa história que não queriam que fosse um segredo, para duas garotas que sabiam muito bem sobre segredos.

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