20 de março, início da primavera nos Estados Unidos
Luisiana — New Orleans
— Talvez depois das férias, Sammy. — Disse, docemente, para a filha. Lágrimas e mais lágrimas escorriam pelo rostinho vermelho da loirinha.
— Você disse a mesma coisa ano passado, mamãe. — A menina de apenas cinco aninhos soluçava, desolada, planejava aquelas férias desde o verão passado.
— Eu sei bebê, mas a mamãe vai ter que trabalhar nas férias dela também! — Partia o coração de Pâmela ver a filha daquele jeito.
— "Voxê" só "tabalha", não fica mais comigo. — E então subiu as escadas correndo, batendo a porta do quarto fortemente, o que fez a mesma ranger com o baque.
Assim que a filha saiu, Pam desabou no chão, em lágrimas, partia seu coração ver a menina assim. Ela tinha apenas cinco anos e toda a criança merecem, ao menos,um pouco de fantasia, Pâmela tentava ao máximo dar a ela o que quisesse e mais, mas Samantha sempre fora muito mimada e nunca era o bastante para a menina.
Depois de mais alguns minutos sentada no porcelanato gélido, Pam lembrou que tinha que se recompor para o jantar. Se levantou, tomou um banho quente para, tentar, relaxar, botou uma regata branca e um short jeans frouxo. Se dirigiu à dispensa e pegou tudo que iria precisar para o jantar, assim que começou a cortar os legumes, ouviu o barulho do carro de Sebastian, respirou fundo e continuou o que fazia.
— PAPAI! — Samantha desceu as escadas animada como sempre, depois de qualquer decepção o pai sempre alegrava o seu dia. Assim que o moreno cruzou o gramado, a loirinha se jogou em seus braços.
— Oi My lady. — Sorriu para a baixinha, a chamando pelo apelido que ele mesmo deu e a acolheu em seu colo.
— Senti sua falta, papai. — O homem sorriu amarelo, seguiram pelo jardim conversando alegremente. A criança gesticulava seu dia na escolinha e o pai ouvia cada detalhe.
Entraram em casa, lavaram as mãos e se sentaram a mesa.
— Então, Sebastian, como foi na loja? — Seu tom enojado era evidente, não estava nem um pouco interessada de fato no dia do marido, só perguntara por educação. Sebastian levantara a cabeça, encarando a loira em sua frente.
— Foi cansativo, Senhor Falcon teve que sair e então Lily ficou no lugar dele. — Respondeu, sorridente, sabia que a filha do seu chefe irritava Pâmela.
Pam apenas assentiu e terminou de jantar, sabia que o marido e a filha do chefe dele, tinham um caso. Odiava Sebastian, mas odiava mais ainda saber que era corna.
Depois do jantar Samantha foi brincar no quarto e Pâmela foi ler um livro que havia comprado semana passada, a loira sempre fora apaixonada por leitura, a acalmava.
— Eu e Lily conversamos hoje. — Disse, calmo, se sentado na poltrona ao lado da loira.
— E o que que eu tenho haver com você e a piranha que você come? — Continuou lendo seu livro como se tivesse na maior paz desse mundo.
— Não fale dela assim.
— Eu falo do jeito que eu quiser daquela vadia, agora se me der licença, vou colocar Sam na cama! — Se levantou e foi em, passos largos, direção a estante guardar o livro, iria lê-lo mais tarde.
— Ela está grávida! — Assim que as palavras cruzaram sua boca, sentiu um gosto amargo no canto da língua, como se tivesse xingado sua própria mãe. Pâmela parou o que fazia e ficou estática no mesmo lugar.
— Não espere que eu faça uma festa de comemoração, né?Sebastian, sinceramente, não me importo com você desde o momento que passou a me desrespeitar com essa filha da puta, mas eu espero mesmo que você tenha algum tipo de consideração com a garotinha que está sentada, brincando lá em cima. Faça como eu, pelo menos uma vez na vida, e pense primeiro nela para depois pensar em você e a sua recém família! Boa noite. — E saiu, em passos largos e apressados. Seu semblante estava sério, destruído e por mais que tentasse odiar Sebastian, não conseguia pois só pensava numa menininha decepcionada com o pai que, Pam sabia, iria abandona-lá por aquela vadia.
O casamento de Pâmela e Sebastian nem de longe era um dos mais belos. Os dois eram jovens, namoraram por alguns meses no colegial, o que gerou Samantha. Tiveram a menina no ano que Sebastian entrou na faculdade, o moreno no auge dos estudos e a loira tinha 17 anos recém completos. Jovens e completamene imaturos, assim que a filha completou alguns meses de vida, Sebastian começou a ter um caso com Lily, a filha do dono da loja de ferramentas, à duas quadras da casa da irmã de Pâmela, que logo descobriu e contou a toda a família. Ai que as brigas começaram, Pâmela fez um escândalo chamando até um advogado para o divórcio do recém casal, mas logo desistiu pois ainda amava o marido, por outro lado, Sebastian levou o divórcio como uma ofensa e se fingiu de coitado, continuou com a amante e se tornou um completo idiota com o amor de Pam, que a acada ano ia diminuindo com as suas infidelidades e a falta de amor no relacionamento. Pâmela só se decepcionava, mas viu que não vivia só por ela agora e sim por Samantha também, arranjou um emprego e excluiu o marido totalmente da sua vida, só deixando que "entrasse" para falar com a filha e o amor que um dia enchia o pote, se esvaziou e agora só tem um grande vácuo.
A madrugada caiu e Pâmela, inquieta, se levantou da cama e, por instinto, foi atrás da filha. Abriu a porta de seu quarto, ouvindo a porta ranger alto logo em seguida, esticou o pescoço e constou que a filha estava lá, dormindo serenamente. Sorriu aliviada, fechou a porta e já iria dar meia volta para o próprio quarto, quando percebeu que um vento frio vinha lá debaixo, desceu as escadas em busca de alguma frexa aberta que tivesse esquecido de fechar, até que viu a porta dos fundos entre aberta. Suspirou. Ele havia ido embora e abandonado a filha.

