Why can't you be happy with me?
Why can't you be happy with me?
Chapter 16 min read

Goodbye my lady

20 de março, início da primavera nos Estados Unidos
Luisiana — New Orleans

— Talvez depois das férias, Sammy. — Disse, docemente, para a filha. Lágrimas e mais lágrimas escorriam pelo rostinho vermelho da loirinha.

— Você disse a mesma coisa ano passado, mamãe. — A menina de apenas cinco aninhos soluçava, desolada, planejava aquelas férias desde o verão passado.

— Eu sei bebê, mas a mamãe vai ter que trabalhar nas férias dela também! — Partia o coração de Pâmela ver a filha daquele jeito.

— "Voxê" só "tabalha", não fica mais comigo. — E então subiu as escadas correndo, batendo a porta do quarto fortemente, o que fez a mesma ranger com o baque.

Assim que a filha saiu, Pam desabou no chão, em lágrimas, partia seu coração ver a menina assim. Ela tinha apenas cinco anos e toda a criança merecem, ao menos,um pouco de fantasia, Pâmela tentava ao máximo dar a ela o que quisesse e mais, mas Samantha sempre fora muito mimada e nunca era o bastante para a menina.

Depois de mais alguns minutos sentada no porcelanato gélido, Pam lembrou que tinha que se recompor para o jantar. Se levantou, tomou um banho quente para, tentar, relaxar, botou uma regata branca e um short jeans frouxo. Se dirigiu à dispensa e pegou tudo que iria precisar para o jantar, assim que começou a cortar os legumes, ouviu o barulho do carro de Sebastian, respirou fundo e continuou o que fazia.

— PAPAI! — Samantha desceu as escadas animada como sempre, depois de qualquer decepção o pai sempre alegrava o seu dia. Assim que o moreno cruzou o gramado, a loirinha se jogou em seus braços.

— Oi My lady. — Sorriu para a baixinha, a chamando pelo apelido que ele mesmo deu e a acolheu em seu colo.

— Senti sua falta, papai. — O homem sorriu amarelo, seguiram pelo jardim conversando alegremente. A criança gesticulava seu dia na escolinha e o pai ouvia cada detalhe.

Entraram em casa, lavaram as mãos e se sentaram a mesa.

— Então, Sebastian, como foi na loja? — Seu tom enojado era evidente, não estava nem um pouco interessada de fato no dia do marido, só perguntara por educação. Sebastian levantara a cabeça, encarando a loira em sua frente.

— Foi cansativo, Senhor Falcon teve que sair e então Lily ficou no lugar dele. — Respondeu, sorridente, sabia que a filha do seu chefe irritava Pâmela.

Pam apenas assentiu e terminou de jantar, sabia que o marido e a filha do chefe dele, tinham um caso. Odiava Sebastian, mas odiava mais ainda saber que era corna.
Depois do jantar Samantha foi brincar no quarto e Pâmela foi ler um livro que havia comprado semana passada, a loira sempre fora apaixonada por leitura, a acalmava.

— Eu e Lily conversamos hoje. — Disse, calmo, se sentado na poltrona ao lado da loira.

— E o que que eu tenho haver com você e a piranha que você come? — Continuou lendo seu livro como se tivesse na maior paz desse mundo.

— Não fale dela assim.

— Eu falo do jeito que eu quiser daquela vadia, agora se me der licença, vou colocar Sam na cama! — Se levantou e foi em, passos largos, direção a estante guardar o livro, iria lê-lo mais tarde.

— Ela está grávida! — Assim que as palavras cruzaram sua boca, sentiu um gosto amargo no canto da língua, como se tivesse xingado sua própria mãe. Pâmela parou o que fazia e ficou estática no mesmo lugar.

— Não espere que eu faça uma festa de comemoração, né?Sebastian, sinceramente, não me importo com você desde o momento que passou a me desrespeitar com essa filha da puta, mas eu espero mesmo que você tenha algum tipo de consideração com a garotinha que está sentada, brincando lá em cima. Faça como eu, pelo menos uma vez na vida, e pense primeiro nela para depois pensar em você e a sua recém família! Boa noite. — E saiu, em passos largos e apressados. Seu semblante estava sério, destruído e por mais que tentasse odiar Sebastian, não conseguia pois só pensava numa menininha decepcionada com o pai que, Pam sabia, iria abandona-lá por aquela vadia.

O casamento de Pâmela e Sebastian nem de longe era um dos mais belos. Os dois eram jovens, namoraram por alguns meses no colegial, o que gerou Samantha. Tiveram a menina no ano que Sebastian entrou na faculdade, o moreno no auge dos estudos e a loira tinha 17 anos recém completos. Jovens e completamene imaturos, assim que a filha completou alguns meses de vida, Sebastian começou a ter um caso com Lily, a filha do dono da loja de ferramentas, à duas quadras da casa da irmã de Pâmela, que logo descobriu e contou a toda a família. Ai que as brigas começaram, Pâmela fez um escândalo chamando até um advogado para o divórcio do recém casal, mas logo desistiu pois ainda amava o marido, por outro lado, Sebastian levou o divórcio como uma ofensa e se fingiu de coitado, continuou com a amante e se tornou um completo idiota com o amor de Pam, que a acada ano ia diminuindo com as suas infidelidades e a falta de amor no relacionamento. Pâmela só se decepcionava, mas viu que não vivia só por ela agora e sim por Samantha também, arranjou um emprego e excluiu o marido totalmente da sua vida, só deixando que "entrasse" para falar com a filha e o amor que um dia enchia o pote, se esvaziou e agora só tem um grande vácuo.

A madrugada caiu e Pâmela, inquieta, se levantou da cama e, por instinto, foi atrás da filha. Abriu a porta de seu quarto, ouvindo a porta ranger alto logo em seguida, esticou o pescoço e constou que a filha estava lá, dormindo serenamente. Sorriu aliviada, fechou a porta e já iria dar meia volta para o próprio quarto, quando percebeu que um vento frio vinha lá debaixo, desceu as escadas em busca de alguma frexa aberta que tivesse esquecido de fechar, até que viu a porta dos fundos entre aberta. Suspirou. Ele havia ido embora e abandonado a filha.

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