Olhava pelos vidros das janelas da escola, procurava sempre por uma específica aluna, dando a desculpa, para quem perguntasse, de não ser nada demais, apenas algo que qualquer professor faria, zelando pela segurança e bem-estar dos estudantes. Porém, mentindo para meus colegas, meus superiores e para ela, poderei mentir para mim também? A resposta é duvidosa, as vezes sim e as vezes não, embora na maioria das vezes prevaleça o "não sei".

Ser professor fora o meu maior sonho já realizado, não poderia arriscar tudo isso por causa de uma aluna, não que a culpa fosse dela, apenas tinha se deixado levar pelo sentimento pelo sentimento de ser amado por alguma pessoa, que por consequência era uma aluna.

– Murao, eu sou um professor.

Aquela expressão magoado dela nunca iria sair de minha mente, certamente.

– Vá para junto de seus colegas de classe.

Os ombros dela, sempre tão eretos, estavam cabisbaixo e tensos, com aquela expressão dolorosa no rosto e obedecendo ao meu pedido, começou a se distanciar a passos lentos, porém firmes.

Deus estava sendo muito cruel com os homens de sua família... Seu pai, Kou e agora si mesmo.

E antes que a imagem de Murao sumisse na curva do portão com a Makita e a Yoshioka, em direção ao lado oposto em que iria, esticava uma perna, mas logo ficava travado no mesmo lugar quando um leve tapa em meu ombro fazia com que voltasse a realidade.

– Continue certinho assim, Tanaka-sensei.

Me despedia com palavras vagas e ia até o carro, escorando a testa no volante, pensando que nem poderia dizer que gostava dela...

Sentia um aperto no peito e uma vontade de chorar enquanto dirigia para o apartamento, pensava em o que teria acontecido se alguém tivesse visto quando a Murao me selou nos lábios e também pensava qual seria a reação dela se ao menos tivesse retribuído aquele beijo... Ela iria sorrir? Corar? Se afastar?

Precisava parar de pensar nisso... Precisava deixa-lá seguir sua vida.

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