The box
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Kapitel 14 min Lesezeit

A caixa

Levante-se...

Mas meus olhos estão pesados...
Levante-se agora.

Eu não quro ir, mamãe. Me deixe dormir, só mais um pouco...

O som da mão se chocando contra meu rosto me fez despertar por completo.
Na boca o gosto de sangue. Os músculos doíam.

Senti as mãos e as penas amarradas por correntes grossas e pesadas de metal enferrujado.

QUEM ESTÁ AÍ? O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

Não havia resposta, apenas o som de minha respiração ofegante.
A cabeça estava coberta por um pano. Não podia ver nada.

Um som ôco, vontade de chorar.
A costela agora partida do lado direito ardia como se me enfiassem uma faca no peito.

Veio a tosse e com ela o sangue vermelho vivo.

O QUE FOI QUE EU FIZ?

Silêncio...

Apenas o vazio som do silêncio.
E o medo... o doloroso medo da morte ou de quem quer que a estivesse trazendo para mim.

Lágrimas lavaram meu rosto como se realmente fosse eu uma criança sem a mãe.


A voz de uma mulher cortou silêncio. Ela queria a senha e a chave. Dizia que eu sabia exatamente do que se tratava. Riu-se exigindo que eu a ajudasse entregando tudo.

EU NÃO SEI DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO!

Fui novamente interrompido por uma forte pancada em meu rosto.
Dessa vez fui derrubado no chão, tamanha a violencia do golpe.

Como eu não me lembrava? Ela perguntou novamente sobre a chave e a senha...
E a cada não que eu falava recebia mais dor como punição.
Repentinamente ela começou a rir.
Falou sobre uma pequena caixa, de madeira, com um cadeado de prata.
E em como o povo de meu clã havia roubado a relíquia das terras de seu próprio clã.

Os ouvidos zumbiam. Mas eu jamais revelaria o paradeiro de meu clã.
Mesmo porque fora abandonado por ele, no dia da grande investida, a 30 anos passados.

Meu grito de agonia rasgou as paredes daquele lugar com fúria ao sentir algo fervente sendo derramado em minhas pernas.

EU NÃO SEI PARA ONDE ELES FORAM! AHHHHH!

Ele não sabe. Ressoa uma voz masculina.
Se soubesse já teria falado.

Derrame o resto do óleo. Continuou a voz feminina.
Apenas para que nos certifiquemos disso. Depois devolva-o para onde o encontrou.

Do jeito deprimente que está ele morrerá. Falou o homem.

Isso não é problema nosso. Continuou a mulher. Ele mesmo deseja a caixa. Se o encontrarem irão cuidar dele, nós o seguiremos e ela retornará às nossas mãos. Se ele morrer, não será grande perda.
Nossos batedores já estão seguindo as pistas pela estrada onde os avistamos da última vez.

Vamos, terminem de derramar o óleo enquanto ele ainda está borbulhando...


Gritei até perder meus sentidos. Quando abrí meus olhos já estava em casa. Minhas forças falhavam. Ataduras cobriam quase todo o meu corpo. Tentei me levantar enquanto procurava entender o que aqueles malditos queriam. Me sentei na cama após um imenso esforço que me deixou trêmulo. Observo as correspondencias jogadas ao lado da cama, entre elas um pequeno embrulho em papel pardo. As correspondencias entregues a dois dias atrás...
Estiquei o braço para alcançar o pacote. Meus olhos não acreditaram, era o selo real do clã.

Não, eles não podiam fazer isso comigo.... não me mandariam essa armadilha.

Minhas mãos trêmulas rasgaram com dificuldade o papel... dentro, uma pequena caixa de madeira com um cadeado de prata e um bilhete que dizia... \"Com a cortesia dos membros de seu clã\".

Foi a última coisa que eu lí antes que minhas forças se acabassem completamente.
Os ferimentos que sofrí naquela manhã foram fatais.

As letras do bilhete começaram a embaralhar diante de meus olhos e nada mais pude fazer contra minha derradeira morte.

Fim.

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