Indiana, Estados Unidos. 6:45 p.m.
Hazel Grace Lancaster.
- Hazel, meu amor, você precisa comer alguma coisa — insistia minha mãe pela milionésima vez.
- Mãe, é sério, eu tô completamente sem fome...
- Pode ao menos abrir a porta?
Resmunguei algo baixinho mas, pra não ter que ficar discutindo, destranquei a porta.
Enquanto voltava para a cama me olhei no espelho e, definitivamente, estava horrível. Parecia que o câncer havia tomado conta de mim novamente.
Estremeci com tal pensamento.
- Hazel... Já se passaram três anos. Você tem que esquecer isso.
- Eu sei mãe, é só que... É difícil achar alguém como Augustus Waters.
Minha mãe apenas comprimiu os lábios e me abraçou e, embora eu não quisesse, retribuí. Ela só estava tentando me ajudar.
Não que eu fosse alguém completamente maníaca, e mesmo três anos depois da morte de Gus ainda o amasse e não conseguisse seguir em frente, eu segui, mas o que tivemos era incrível, o Gus era incrível. Nós éramos.
- Olha mãe... Já passou. Foi só um momento de... Fraqueza. Esquece isso.
- Hazel...
- É sério, mãe — a interrompi, a gente tem mesmo que esquecer. Isso já faz tanto tempo... A vida continua.
- É... Hazel, nós te amamos. Não quero te ver assim.
- Tudo bem — sorri fraco -, eu vou sair, tá bom?
- Tá bem. Se cuida.
Mamãe saiu do quarto e mandei uma mensagem para Isaac dizendo que iria lá, e também uma para Theo, meu "namorado".
Depois do banho penteei meus — agora longos — cabelos,
fiz uma maquiagem leve e me vesti.
•••
- Então você está me dizendo que não gosta de verdade do seu namorado. Você nunca esqueceu o Gus, mesmo depois de sua morte — disse Isaac, com uma cara confusa.
- Mais ou menos... Sei lá, Isaac, eu gosto do Theo... Mas ele não é o "cara dos meus sonhos", se é que isso existe. Eu gosto dele, gosto muito, mas às vezes parece que ele é mais como um irmão mais velho, que pagou o tratamento que me livrou do câncer.
- Entendo... Eu acho.
- A verdade é que a três anos 'tá tudo uma grande merda sem o Gus aqui.
- Gus teria brigado com você por ter usado a palavra merda se estivesse aqui.
- É — ri fraco. Ficamos em silêncio, eu encarando o chão, o Isaac "encarando nada".
- Eu acho — disse ele depois de um longo tempo -, que as coisas vão mudar, pra melhor. Muito melhor.
Eu não concordava muito, mas resolvi pensar naquela possibilidade. O melhor estava por vir.

