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The Ruler.

AlehPerre

The Ruler.
Chapter 110 min read

Capítulo 01 - Caminhos Perdidos.

– AAAH! — Um berro masculino foi ouvido, seguido de um tombo ao chão.

Algumas risadas pela cena cômica foram soltados. Algumas pessoas de sobretudo branco e outras vestidas com uma camisa de tecido grosso e gola alta e cachecol no pescoço surgiram de trás das árvores para acudirem a pessoa que caiu.

– O menino das florestas caindo no chão por causa de uma raiz... — Debochava um senhor de cabelos grisalhos e penteados para trás.

As risadas cessaram por alguns instantes, até que uma das pessoas disse algo que assustou as outras.

– Espera, cadê as árvores?

Realmente, parecia que a floresta tinha sido posta naquele lugar como uma peça de um quebra cabeça. Na frente deles, uma grande planície com grama alta se prolongava até a vista não conseguir alcançar. Atrás deles, a Floresta Sem Fim, quieta, silenciosa. Tão silenciosa quanto a planície conseguia ser. Se não fossem por algumas árvores retorcidas distantes uma das outras, a área ali seria quase um cemitério de tão sem vida e sem presença do jeito que estava. Algumas das pessoas ainda olhavam para trás e para frente, não compreendiam a mudança radical de vegetação que acontecia ali, nem se quer haviam notado que tinha uma planície na frente deles. O rapaz que caiu se levantou e começou a sorrir.

– Onde estamos? — Perguntou um gordo ruivo de cachecol, ele coçava sua barba repetidamente.

– Eu não faço ideia, nunca saí da Floresta Sem Fim. — Respondeu um rapaz de cabelos acastanhados e olhos esverdeados, com a lança que carregava no ombro, cravou no chão e segurava ela.

– QUE DEMAIS! — Berrou o rapaz que estava no chão até aquela hora.

Todos observavam o garoto que comemorava e pulava de um lado para o outro, feliz da vida. Ninguém entendia o motivo da comemoração.

– MATTEW FREDERICK FERDINAND?! O QUE DIABOS ESTÁ FAZENDO?! SE CONTENHA! — Reclamava o mesmo senhor de cabelos grisalhos.

– Vocês não entenderam?! Nós chegamos no fim da Floresta Sem Fim!!! — Explicava Mattew, com um imenso sorriso no rosto.

Silêncio... Ainda não entendiam a comemoração.

– Mattew, você tem que se tratar. — Falou o garoto que segurava a lança.

– Féres, isso é inacreditável! Nós vivemos toda a nossa vida na Floresta Sem Fim! E nós passamos ela, saímos dela, isso aqui é outro mundo! Outra história, outra vida! É o começo definitivo da Marcha dos Três Mil! É a nossa vez de deixarmos nossa marca em Asgorath!!! — O rapaz de ccabelos negros dizia animadamente.

– Mesmo ainda sendo um Aspirante de Honra, você sonha alto demais, muleque... — Reclamava o senhor.

– Mas ele tá certo, Simon, é praticamente o começo da Marcha. Depois de tanto tempo conseguimos sair dessa floresta. Até achei que não íamos sair mais. — Falava Féres, que descravou a lança do chão e apoiou ela em seu ombro.

– De fato, mas o que faremos agora que saímos da Floresta? Nem sabemos de que lado saímos. Temos que perguntar para alguém sobre aonde estamos. — Perguntou Simon que olhava para o Peregrino que carregava a lança.

Olharam à sua volta. Realmente, nem um inseto se quer atrevia a aparecer naquela paisagem. Eram os únicos seres vivos da região, o vento que soprava era o único som de toda a planície dali.

– É... Se acharmos alguém... — Reclamou um dos Peregrinos, com cabelos acastanhados e ondulados. Seu cabelo era penteado para trás, a única arma que carregava era uma espada com a empunhadura dourada e a bainha amarelada em suas costas, tão grande quanto elas eram. Seu sobretudo era de tecido fino, como de todos os outros Peregrinos, os detalhes eram da cor vermelha escarlate na manga, no fim das costuras e no lado das calças. Sua camiseta era vermelha, mais clara que os detalhes da roupa de oficial. Seus olhos eram cansado e sua voz raspava na garganta, era de altura mediana. Um dos maiores destaques era uma grande cicatriz de um corte em sua mão direita e uma queimadura que subia do lado esquerdo do pescoço até cobrir parte da bochecha e quase chegar ao olho, tão castanhos quanto seu cabelo.

– Positivismo, Bruno, Positivismo! — Pediu Féres, enquanto cutucava o rapaz de cabelos acastanhados com a parte de madeira da sua lança no ombro do rapaz e começou a caminhar.

Bruno olhou para Féres que começava a caminhar assim como os outros oficiais da Marcha dos Três Mil. Mattew e Bruno Olavo Costa eram os únicos que ficaram parados enquanto viam todos os Três Mil oficiais começarem à andar. Da floresta surgiam cada vez mais Peregrinos e Legionários que andavam em frente, seguidos pelo comando de Simon a frente de todos. Mattew chamou o Peregrino de cabelos acastanhados para andar. Prontamente, todos andavam sem conhecer aquelas planícies. Mas com um único propósito : Proteger Asgorath.



– EI, VIAJANTES! — Berrou um senhorzinho montado em um cavalo negro.

– EI, VELHO! — Respondeu Mattew, acenou de volta para o estranho.

– OLHA O RESPEITO, PIVETE! — Alertou o cavaleiro.

Em meio das vastas planícies, um pequeno senhor apareceu em meio das gramas montado em um robusto cavalo de pelagem negra. Os oficiais suspiraram aliviados quando conseguiram ver uma pessoa em meio à tanta solidão, o dia estava quase no fim e mal sabiam se continuavam a caminhada ou paravam para acampar. Alguns oficiais que estavam mais avançados, correram na direção do cavalgador. Os outros atrás sentaram na relva e esperaram. Bruno, Mattew, Féres e Simon se aproximaram do senhor, juntamente com outros cinquenta oficiais.

– Boa noite! O que oficiais da Frente Armada fazem por aqui?! — Perguntava o senhor com um imenso sorriso no rosto. Vestia um chapéu de aba redonda para se proteger da irradiação dos sóis, mesmo que fosse noite.

– Estávamos à procura de gente amiga... E informação! Somos da Marcha do Reino, estamos à procura da cidade de Seldorá. — Simon falava cordialmente com o novo conhecido.

– Então vocês deram sorte! Eu moro exatamente a algum tempo daqui, estava recolhendo água do Rio das Mágoas e meus cães começaram à latir na direção de vocês... — Dizia o senhor que apontava na direita dele, provavelmente a localização de sua morada.

– Por isso eu amo cachorros. — Comentou Bruno, sorridente.

Os outros oficiais não deram bola para o comentário e ouviam o que o pequeno velho tinha a dizer.

– E vocês têm mais sorte de ainda de eu ser amigo do Coroado. — Terminou o ancião.

Muitos se impressionaram com a frase que o senhor montado no

– Como? — Perguntou Féres, sem entender.

– Sou o Ex-Comandante da Primeira Divisão de Defesa da Cidade de Nalau, Guilherme Matos, e quem vai dar abrigo para vocês essa noite em nome do Coroado e de toda Asgorath. — Disse e retirou o chapéu da cabeça, cordialmente e em sinal de respeito aos oficiais de Onarto.



– CARALHO, COMO É BOM COMER CARNE DE NOVO! — Féres dizia empolgadamente enquanto coçava a própria comida e terminava de mastigar a janta.

– Comam quanto quiserem e fiquem o quanto quiserem, oficiais! — Dizia Guilherme, sorridente, estava sentado com Mattew, Féres e Simon em uma das tantas rodas de conversa que se estendiam por toda a fazenda do senhor.

– Obrigado, mas nós hospedaremos por hoje e partiremos amanhã mesmo... E aliás, desculpe tamanha ousadia de meus oficiais de quererem ter uma boa janta com carne. — Simon olhava com vergonha para os Peregrinos e Legionários que assavam um Gigavali em meio de uma grande fogueira, riam e se divertiam com a noite.

– Não, não, não! Para que se desculpar? Eu mesmo acendi a fogueira para eles! — Guilherme ria gostosamente com a cena. — E além do mais, eu fui abastecido com todos esses animais e comida especialmente para as pessoas do arredores da Floresta Sem Fim e das Planícies do Silêncio.

– Planícies do Silêncio? — Repetiu em pergunta o de cabelos negros.

– Sim, sim! É a região onde vocês estão pisando agora! Em volta da Floresta Sem Fim, há as Planícies do Silêncio e as Cordilheiras de Asgorath. Vocês podem se encaminhar tanto para Seldorá, quanto para Gular, Turi ou Perosi. Mas como vocês vão já para Seldorá, apontar aonde ficam as outras cidades é o de menos. — Dizia o velho sem parar, os outros da mesa olhavam para ele como se ele fosse uma enciclopédia ambulante.

– Uau, você sabe bastante daqui. — Comentou Mattew.

– CLARO QUE SEI! EU DEVERIA SABER! — Riu o velho, assim, deu alguns tapas no ombro do rapaz de felicidade. — Eu sou um Ex-Comandante! Minha missão era proteger esses arredores! Diferente de vocês Peregrinos e Missionários, nós, Defensores, Legionários e Comandantes ficamos resididos nas cidades, protegendo a cidade a todo custo, examinando território, criando rotas de uma cidade a outra, enfim, descobrindo nossas cidades cada dia mais!

– Que demais! E você já tá nessa vida à quanto tempo?! — Perguntou o garoto campineiro, ignorava a janta para a conversa do velho, que lhe parecia bem mais interessante.

– Ah, eu acho que uns vinte, vinte e cinco anos... Eu não lembro, estou velho demais para lembrar de algo! — Riu de si mesmo, Mattew acompanhou a risada.

– Espero poder ser alguém que nem você, Guilherme! Você parece ter sido alguém tão grandioso na sua cidade! — Comentava o de cabelos negros.

O velho olhava o rapaz. Riu mais uma vez, bateu nas costas do garoto mais uma vez, que sorria para o senhor.

– Rapaz, você me lembra alguém muito parecido contigo! Tanto a fisionomia quanto o jeito de falar! — O velho enxugava as lágrimas de risada que caiam de seus olhos com as duas mãos.

– Quem? — Questionou o Aspirante.

– Volker Ferdinand! — Disse o senhor, que pegou um caneco e bebeu um longo gole da bebida que ali estava.

– É óbvio que ele lembra, ele é filho dele. — Simon dizia com desgosto enquanto comia.

Silêncio entre todos e espanto na cara de Guilherme, que parou de beber e olhou para Mattew. O rapaz respondeu o olhar e apenas observava o senhor.

– Escuta... Você tem um irmão? — Perguntou o senhorzinho, intrigado.

– Nenhum de sangue, por que? — O garoto campineiro respondeu e arqueou os ombros.

O velho roçou a barba, olhou em volta e viu o brasão de "F.A.O" nas costas de Frederick. Coçou a bochecha e olhou ao chão. Enfim, terminou o silêncio e olhou para Mattew.

– Eu fui informado, de que uma Marcha de Três Mil Soldados viria de todas a Floresta Sem Fim, inclusive de Onarto, com um senhor na liderança e o filho do renomado Volker... — Dizia Guilherme, com uma voz mais baixa do que o normal.

– E daí? Até aí nos encaixamos perfeitamente nosso grupo se encaixa perfeitamente nas características. Qual o problema? — Questionou Féres, sorridente.

O velho olhou para Féres com a testa franzida.

– Eu fui noticiado que vocês chegariam em um mês ou dois... Vocês demoraram mais de quatro anos.