The Rescue
The Rescue
Chapter 13 min read

Por favor

Bruce Banner pedala pelas ruas ouvindo seu fone de ouvido e balança a bicicleta com proeza pelos cantos e se desviando das pessoas e principalmente, sem estragar o lanche que vinha na caixa.

Ao se afastar da cidade e se aproximar dos becos, diminui a velocidade até parar por completo. Abre a mochila e aguarda.

Sente um roçar nas pernas, um miado singelo com pelos laranjas e a ponta da cauda dobrada.

— Aqui está, bichano. — Sorri ao retirar uma pizza, colocar no chão e dividir a comida. A gatinha balança o salame antes de mordê-lo, lentamente.

— Eu prometo… que ainda… vou te resgatar da rua… vou fugir de casa e... denunciar meu pai... — Escuta um miado.

A gatinha o observa profundamente e sobe em seu colo. Enxuga as lágrimas.

— Obrigado… que nome eu vou te dar? O que acha de Natasha?

Ouve um ronronar.

— Promete que vai me esperar? Por favor! — Abraça a gatinha e molha os pêlos cobre.

A fêmea se espreguiça espichando o corpo. Levanta e vai até a bicicleta.

— Tchau, Nat! — Coça-lhe as orelhas.

Chega em casa e sobe lentamente na ponta dos pés carregando a bolsa térmica, sente-a pesada, tenta abrir enquanto pisa nos degraus e se desequilibra derrubando. Começa a chorar.

— Você chegou em casa, seu desgraçado! — O homem alto surge no corredor.

— Por favor, pai… — O garoto se agacha na escada.

— Isso é hora de chegar? — A raiva fluía.

— Eu estava trabalhando, pai…- Afasta os braços do rosto.

— Devia estar estudando para ser grande igual eu e não um miserável! — Prestes a chutar a caixa, escuta um berro alto e selvagem, fazendo-a rolar e uma bola de pelos pular em si.

As garras fincam na pele, tentando se segurar e ao mesmo tempo agredir.

Bruce encara assustado a cena.

Mãos ágeis puxam o animal e o joga em algum lugar da sala, escuta um vaso ser quebrado e outros berros irritados com o pelo eriçado.

Encara as mãos inchadas, começa a tossir freneticamente, a pele avermelha-se e não somente a região ferida.

Arfa ruidosamente e guina até a cozinha, ansiando algum líquido, mas escorrega nos próprios pés e grita arranhando o pescoço com os dedos grossos.

— B-r-ruce… — Tomba.

Alguns minutos depois, o menino levanta da escada, pega a pizza que foi jogada no chão e caminhando devagar, vai até a estante.

Pss. Pss. Pss. Sou eu! Natasha… pss, pss.

Procura a gata em todos os lugares e a chama de todas as formas, mas não a encontra e por fim, liga para a ambulância. Senta no chão esperando, ao lado do que deveria ser o corpo de seu pai.

Sentia ódio por ele, mas sempre manteve este lado aprisionado, jamais se libertaria.

Assusta-se com o roçar, mas sorri.

Obrigado!

Desliza os dedos pelo corpinho felpudo.

Vamos morar juntos, por favor!

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