The Memories Will Stay
The Memories Will Stay
Kapitel 17 min Lesezeit

Escrevendo-lhe uma carta

Nunca me imaginei escrevendo isto. Nunca me imaginei desabafando ao mundo que eu fui idiota com você. Talvez eu tenha amadurecido o suficiente desde que nós acabamos para saber que o orgulho que me preenchia não fazia muito sentido. Quem ler pode dizer: “Agora não adianta mais, nada muda”, porém não estou escrevendo isso para mudar algo, e sim para justificar, justificar que eu fiz tudo ao contrário do que deveria ter feito. Foi uma grande experiência para mim, só que não dá para ver como uma experiência de vida, algo construtivo para o meu futuro, porque as minhas emoções se transformaram por causa de você.

Sinto que, mesmo tendo escrito menos de dez linhas até aqui, já me perdi, e isso como os sentimentos que alimentei por você, que foram tão confusos. Por quê? Por que não aconteceu num momento que eu estivesse mais calma? Por que não aconteceu quando eu tivesse maturidade o suficiente para lidar com o que houve entre nós? Por que não enfrentei os problemas mínimos? Por que arranjei desculpas para tudo? Por que não joguei a verdade pra você? Por que não dividi as dúvidas que me preenchiam? Por quê?

Eu só quero uma resposta. Eu imploro por ela, a cada segundo que passa, a cada vez que vejo você cruzando o meu caminho.

Podem dizer pelos corredores que eu fui idiota com você, que não valorizei seus sentimentos e que ignorei aquele que se importava comigo. Não desminto, porque eu fui egoísta, pensei só em mim! Pensei que só eu sofresse, só eu tivesse receios. Perdoe-me, eu era uma garotinha equivocada, descobrindo muito além do que esperava ver. Ah, cada momento que vivi com você foram especiais. Lembro-me de alguns detalhes, das mensagens que trocamos nos primeiros dias, e como eu queria gritar para todo o mundo ouvir meu sentimento por você. Como fiquei com vergonha quando você me cumprimentou com um beijo na frente de todo mundo. A partir daquele momento, éramos um casal.

E foi assim de repente, que tudo mudou. “Opa! Agora os dois vão ficar juntos para sempre e ser felizes”. Não minto, fiquei assustada, muito assustada. Era diferente. Lembro-me do seu abraço. Você colocava as mãos perto do meu quadril e me abraçava forte. Era bom, mas tinha acontecido tão de repente. Tão rápido. A primeira vez que conversamos sozinhos foi também a primeira vez que nos beijamos. E se iniciou o furacão, a tormenta que me possui em relação a você até os dias de hoje.

Naquela época, não tão distante assim, eu acreditava que num relacionamento tudo tivesse que ser perfeito. Pura tolice! Mal sabia eu que era cheio de defeitos o que existia entre nós. E culpo-me porque eu não tentei mudar nada. Mas será que a culpa era só minha? Sentia o peso de nós sobre mim, como se eu estivesse fazendo as escolhas erradas, como se eu não quisesse nada sério, como se eu não tivesse me esforçado. Talvez não tenha me esforçado o máximo, no entanto, eu quis estar com você.

Por que estou chorando, derramando lágrimas por você, agora? Porque, apesar de ter convivido com outros garotos, nada me dói tanto quanto pensar que eu fiz tudo errado com você. Sou obrigada a confessar, eu sinto muita falta sua. Aquelas manhãs frias de segunda que vínhamos abraçados eram boas. Às vezes, você fazia uma cara pra mim “Você está aprontando algo, você está me escondendo alguma coisa.” E falava que a vida era minha. Meio confuso, não?

Lembro da primeira vez que te vi, da primeira vez que nos falamos, e eu perguntei qual era seu signo. Teve a primeira vez que eu disse que você era bonito, e a primeira vez que uma amiga lhe contou isso. Não me esqueço da primeira aula que matei por sua causa, da primeira vez que ficamos sozinhos. Sempre me lembrarei do nosso primeiro beijo. E apesar de parecer completamente melodramático, é a realidade.

Até que vieram: A primeira briga, o primeiro atrito, o primeiro fora. Sim, eu larguei o porto seguro que você era, o que significava que eu realmente dava mais valor ao momento, e não a chance que nós dois tínhamos no futuro. É, eu virei as costas. Como pude ser tão ignorante? Como não enxerguei a burrice que estava fazendo? Só que agora não é mais a hora para questionamentos. Eu tenho consciência disso.

Estou num momento que meu coração se corrompeu, e as palavras que queria escrever sumiram da minha mente. Eu queria poder voltar no passado e consertar toda essa confusão, entretanto, eu não posso, ninguém pode.

O tempo passou. E iniciou-se a época “das segundas vezes”. Era um tempo novo para nós, meses depois, mas não havia mais confiança. Quando voltamos, você passou a me abraçar mais forte, como se tivesse medo que eu saísse correndo. O pior é que eu fiz isso, saí correndo. Fugi de nós, e por uma ligação. Como pude fazer isso?

A pior parte foi no dia seguinte, naquela velha manhã fria de segunda: Eu queria lhe dizer pra esquecer tudo o que eu havia falado para você no dia anterior, que a gente ia dar um jeito, que as coisas funcionaram. Porém não tive essa capacidade, fui mais uma vez consumida pelo orgulho idiota.

De repente, você começou a ser grosso comigo. E frio. Eu fiquei muito brava. Eu sabia que você tinha direito de ficar daquele jeito, e eu piorei as coisas ficando com um menino na sua frente uma semana. Raiva. Acho que foi isso. Ações inconsequentes.

O ano acabou, os dias passaram. E num piscar de olhos, eu estava de volta ao colégio, vendo você outra vez. Senti raiva, saudade, felicidade, fiquei irritada. Sentia uma conexão forte demais para que eu pudesse simplesmente ignorar. Cada vez que eu passava no corredor, encontrava você. Entrei numa crise de ciúmes por causa das outras menininhas que apareceram, eu queria que você fosse só meu. E sei lá por que queria isso.

Resolvi falar com você. Após algumas confusões, combinamos de nos ver pessoalmente e parar de discutir por mensagem. Andamos juntos até um lugar afastado e você não falou nada. Sentamos no mesmo banco que demos nosso primeiro beijo, algo que eu queria de você naquele momento. Pedi desculpas seguidas vezes, você não disse quase nada. Isso era algo que me irritava desde o começo, tive vontade de bater em você. A pior parte foi que eu vi um adeus naquela nossa conversa, só que eu não queria. Meus olhos encheram de lágrimas. Só que não chorei. Mas você sabia que eu estava a ponto de derrubar todo o meu choro sobre você. Você não fez nada. Não lhe culpo, no entanto, eu queria um abraço seu. Um abraço de despedida, algo que nunca mais vou ter.

Desse ponto em diante tudo pareceu voltar ao normal. Nós nos tornamos colegas de escola. Fazer o quê? A vida é um processo de mudanças sem fim. As memórias vão ficar. O que me lembra que nós nunca tiramos uma foto junto, todavia, não vou me esquecer de você. Obrigada por fazer parte da minha vida, obrigada por me fazer sentir algo diferente, obrigada por ser o cara que eu quase disse “Eu te amo” (pois é). E perdão... Por ter desperdiçado o tempo da sua vida, por ter sido inconsequente e egoísta.

Ei, isso não é um adeus, não para mim. Eu posso estar fazendo errado mais uma vez, mas sempre vou fazer tudo ao contrário. No fim das contas, estou aqui, não? De pé, com algumas lembranças de você, com meu olhar preso ao seu, seguindo a vida. Porque é a única coisa a ser feita. Sinta-se abraçado pelas minhas palavras, e até logo.

Kommentare & Reaktionen

Teile deine Gedanken, hefte Sammel-Stempel an und interagiere mit dem Autor und der Community.

Du hast das neueste Kapitel erreichtZurück zur Geschichte
Geschichten-Index