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The Life Of A Demigod

Bruna

The Life Of A Demigod
Kapitel 17 min Lesezeit

Meu professor de história delira

Ultimo dia de aula, finalmente. Não é que eu não goste de estudar, eu só não gosto da escola. Todas aquelas menininhas pensando que são superiores a todos, ou aqueles meninos se achando popular por que já “pegou” todas da escola, ou pelo menos é isso que dizem, eu estou na escola deles e nenhum deles “me pegou” ainda, sorte minha, sou bem excluída mesmo, deve ser por isso que ninguém me considerava quando falava “tudo mundo”. Eu sou tão chata assim ou é porque eu sou “nerd”?

Peguei minha mochila e corri para o carro enquanto meu pai buzinava, impaciente. Ele me deixou na escola, um prédio amarelo desbotado, tinha um jardim na frente, provavelmente para esconder o lixo que era aquela escola por dentro, bancos quebrados, criancinhas correndo por todo lado, na maioria das vezes algumas estavam chorando porque acabaram batendo a cabeça na outra, o pessoal do ultimo ano rindo das menininhas do sétimo ano e ouvindo musica alta, funk na maioria das vezes. Eu dava graças que era meu ultimo ano naquela escola, ano que vem eu iria para o ensino médio e ficaria bem longe da li. O sinal bateu e eu fui direto para a sala, me sentei na minha carteira, a primeira da fila, odiava sentar ali mas minha professora de matemática insistia que se eu ficasse mais perto iria ajudar com a minha dislexia, como se alguma coisa tivesse haver com a outra. Nossas duas primeiras aulas eram de historia, você pode me achar estranha mas eu adoro historia, é minha matéria preferida, principalmente quando Paulo, nosso professor, falava sobre mitologia grega.

Paulo chegou na sala, ele era alto, cabelos castanhos claros e olhos azuis, parecia ter uns 24 anos ainda. Ele anunciou que teríamos uma prova oral sobre mitologia grega hoje, por ser o ultimo dia de aula, para que ninguém se esquecesse da matéria dele nas férias, a maioria da turma nem prestava atenção na aula ou esquecia a maioria das coisas quando chegava em casa. Eu nem me preocupei com isso, eu era boa nisso mesmo.

-Loth, a primeira pergunta é para você – não sei porque Paulo não me chamava de Bruna, meu nome, e sim pelo meu sobrenome, ele fazia isso com todos, deve ser por que ele era de Nova York e lá as pessoas chamam as outras pelo sobrenome, o português dele era meio esquisito também mas todos conseguiam entender. – Como são chamados os filhos de deuses com humanos?

-Herois.

-Ou?

-Semideuses ou meio sangues?

-Certo... – ele continuou fazendo as perguntas enquanto eu me distraia olhando para fora – Loth, já que esta prestando atenção na aula podia ajudar a sua colega – ele disse “prestando atenção na aula” sarcasticamente para mim.

-Ah, me desculpe senhor, qual era a pergunta mesmo?

-Quais são os três grandes deuses?

-Zeus, Poseidon e... Hades!

-Certo, preste atenção na aula. Se juntem em duplas para fazer um trabalho, sua professora de português não pode vir então vou ficar durante a aula dela.

Todos olharam para seus amiguinhos e começaram a juntar as carteiras, alguns começaram a brigar por que o outro amigo havia sentado com quem ele ou ela ia sentar mas logo acharam outra pessoa para fazer o trabalho. Só sobrou eu e Gustavo, um menino que também tinha dislexia, tinha os cabelos bem loiros e olhos verdes claros, chamei ele para se sentar comigo enquanto o professor passava nas carteiras entregando uma folha. Porque o professor fazia prova no ultimo dia de aula eu não sei, quem sabe ele ainda não tinha fechado as notas mas não me queixei.

Comecei a ler o trabalho, que parecia mais uma prova, não parecia ser difícil mas meu problema não estava ajudando muito.

— Droga de dislexia – murmurei.

— Acho que consigo ler, a questão um.. — Gustavo disse tentando ajudar – Hã, alguma coisa sobre Zeus. Com quem Zeus se casou, acho que é isso.

— Hera?

— Acho que sim.

As perguntas não eram difíceis, teríamos terminado antes se não fosse pelo nosso problema. Tivemos que ficar o recreio ali terminando a prova. Paulo parecia preocupado, como se precisasse falar alguma coisa mas não sabia como. Estava olhando para a porta, impaciente, balançando as pernas. Ele estava nervoso demais para só querer se livrar de dois alunos e ir para a sala dos professores e passar o intervalo lá, parecia que ele estava esperando por alguém que iria poupa –lo de fazer essa coisa que o deixava nervoso. Enfim terminamos a prova e entregamos a ele.

— Hm, crianças venham comigo, preciso falar com vocês.

Não gostava que me chamassem de criança, mesmo tendo apenas 14 anos, mas ele estava tão nervoso que não falei nada. Eu também estava um pouco nervosa, mesmo que os diretores quase sempre me chamavam para a direção por que discuti com algum professor ou fiz alguma coisa.

Nós fomos até um pequeno jardim velho e destruído no fundo da escola, Paulo sentou-se em um pedaço ainda inteiro de um dos bancos de madeira podre que deveria estar lá a anos. Pediu parar que sentássemos no outro banco que ficava em frente ao banco em que Paulo estava sentado e aparentemente estava mais inteiro, eu pressentia que se alguém sentasse ali aquilo ia quebrar, mesmo assim eu e Gustavo nos sentamos.

— Bom, eu não sei como falar isso para vocês, não faço idéia mas é preciso – ele ainda estava com o olhar distante, procurando alguém – Sabem esses deu... – Ele foi interrompido por um menino de aparentemente 16 anos, negro, e os cabelo encaracolado castanho-escuro estava escondido por um boné. Tinha um menina atrás dele também, era um pouco baixinha, acho que já tinha visto ela na escola, estudara com ela um ano antes, como era seu nome mesmo? Lara? Ela era um pouco morena, tinhas uma pequenas sardas no rosto que era quase impossíveis de se ver. Seus cabelos castanhos e enrolados estavam presos em um rabo de cavalo e ela usava o uniforme normal da escola. – Ah, Timber, pensei eu não vinha mais.

— Me desculpe, senhor Blofis. Essa é a Laura – disse ele apontando para a menina – Vejo que ainda não contou para Bruna e Gustavo – Ele olhou para nós, vendo como estávamos confusos.

— Ainda não, pensei que pudesse me ajudar. Hã, Laura, sente-se ali com os dois.

Ela sorriu para mim com um olhar mais confuso que o nosso e sentou ao meu lado. O garoto, Timber, continuou de pé ao lado de Paulo, como é que ele chamou ele? Blofis? Acho que era o sobrenome de Paulo, mas estava tão confusa que isso era apenas um detalhe.

— É, bom... Paul ainda não contou nada para vocês? – Todos negamos, Paul? Esse era o nome do professor? Eu sabia que ele morava em Nova York e vira para ensinar Historia no Brazil mas não me pergunte porque, deve ser assim que o chamam lá. – Vocês sabem que alguns deuses, deuses olimpianos, vem para a terra e as vezes se apaixonam por mortais e então eles tem filhos com eles, semi-deuses. Não sei como falar isso para vocês, é a minha primeira missão para buscar semi-deuses mas vocês são um deles.

Oque? Naquele momento pensei que esse garoto tinha problemas, ou bateu a cabeça, ou sei lá oque aconteceu com a cabeça dele, mas o professor só olhava para nós, como se também soubesse disso. Mas se algum do meu pai fosse um deus olimpiano, eu não teria um pai ou uma mãe mortal não é isso? Mas eu tenho os dois, e minha mãe sempre me falou que ele é meu pai biológico e que eu realmente sou filha dela. Sobre Gustavo eu não sabia muita coisa, mas ele parecia estar assustado pensando nisso. Laura, bem, ela sempre ficava meio triste perto do mês do dia dos pais e ela comentou uma vez que não conhecia ele. Eu pensei que estava em algum tipo de sonho, isso não era possível. Não era lógico.