Meus olhos percorriam o quarto, atrás do autor de minha fadiga. Minhas pernas doíam tanto que nem sequer eu poderia levantar para procura-lo naquela escuridão. Minha cabeça ainda se encontrava atordoada, e eu estava ofegante. Ah, aquele ser me pagaria muito por aquilo. Alguém mexeu nas cortinas do aposento, e uma bela luz finalmente iluminou o local. Lá estava ele, observando o céu como sempre.
— O que há de tão bom lá em cima, Dantalion?
Ele virou, e passou a me fitar com um sorriso no rosto. Envergonhado, me virei para a parede. Ouvi uma risada baixa, e depois o som de passos. O moreno sentou-se em minha cama, ao meu lado, e começou a mexer nos fios de meus cabelos.
— William, se eu fosse uma estrela, talvez eu pudesse brilhar tanto quanto você?
Olhei para ele, com a face séria. Pus minha mão sobre a dele, e comecei a acaricia-la.
— Impossível.
Ele se deixou rir e levantou da cama. Fiquei a observa-lo até o mesmo se dirigir a porta e abri-la.
— Hora das crianças dormirem.
E foi embora, deixando apenas comigo o silêncio naquele grande cômodo.
