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Pessimism

Miss Kwon

Pessimism
Chapter 15 min read

Seguro, confortável e bem.

Portas trancadas. Confere.

Janelas, trancadas também. Confere.

Deitar confortavelmente na cama para adormecer. Confere também. Olhos fechados, deitar relaxado no meio dos cobertores, só esperando adormecer. O que não deveria demorar muito, com certeza não deveria demorar tanto. Não pode acontecer de novo, não agora. Ele quer pegar o celular no pequeno criado-mudo ao lado da cama, apertar qualquer botão para ver há quantos minutos ele estava deitado ali, sem sono.

Provavelmente não mais de quinze minutos, mesmo assim, a luz forte demais vai machucar seus olhos e sua cabeça vai doer e isso não pode acontecer. Ele quer dormir, então luta para ficar perfeitamente quieto na cama, onde ele está seguro, confortável e bem.

Ele realmente fechou as janelas antes de ir deitar?

Ele se lembra de fechar e re-abrir apenas para fechá-las de novo, para ter certeza de que estão trancadas. Mas e se ele se esqueceu de fechar na segunda vez? Ou e se foi só a imaginação dele dizendo que ele fez aquilo porque é automático e na verdade ele se esqueceu de fechar todas as janelas?

Não está seguro.

Ele poderia se levantar mas já fazia mais de vinte minutos e pelo amor de deus, ele precisa dormir. Se ele não conseguir... Irá absolutamente cansado à reunião, não vai prestar atenção suficiente e pode fazer algo ruim esquecer algo para trás ter problemas na fala, o que faria as pessoas rirem dele e ele obviamente cairia fora dali porque ele sabe como as pessoas na reunião vão reagir se algo der errado e tudo estará arruinado e não não não não pode acontecer.

Ele sente o coração acelerar e uma necessidade súbita por ar e droga, por quanto tempo ele esteve segurando o fôlego? Ótimo, agora tem que normalizar a respiração para tentar dormir.

Não vai acontecer.

E ele ignora o pensamento de "mas e se acontecer?" assim que este aparece. Arthur é um homem calmo, sério, educado, perfeitamente confiante em falar em público que não vai passar por isso de novo. Nada disso. Ele só precisa relaxar e isso vai passar.

Ele se vira para o outro lado, apertando o travesseiro porque tem certeza de que já havia se passado mais de uma hora e por que ele não consegue dormir? Por quê por quê por quê? Ele está — não exatamente — seguro, está confortável, está bem. Por que seu coração está acelerado e por que ele não consegue respirar e por que está acordado? Ele joga o travesseiro do outro lado do quarto e de jeito nenhum ele vai sair da cama para pegá-lo.

Não está confortável.

Obviamente ele não será capaz de prestar atenção e vai errar tudo ou vai dormir tão pouco que não será capaz de se levantar pela manhã e portanto vai estragar tudo. De qualquer jeito, tudo estará arruinado, mas é uma droga de reunião, é importante, vai decidir coisas importantes com outras nações e ele não pode estragar nada.

Não não não. Vai dar tudo certo, ele consegue.

...

Mas e se ele adormecer dirigindo? E se confundir uma palavra com outra enquanto fala e acabar sendo ridicularizado e não finalizar seu discurso? E se ele gaguejar na frente de todo mundo? E se não acordar a tempo? E se ele se perder? E se não não não. Não. Pode. Acontecer.

Ele está suando, o coração bate rápido e forte demais e, espera, isso é uma lágrima? Droga, é uma lágrima muitas lágrimas e sua vista está severamente embaçada agora, quando suas mãos começaram a tremer tanto? A cama está bagunçada e ele sabe que não vai dormir e só precisa sair dali então ele se vira, pronto para pular da cama e, por ora, escolhe ignorar seu corpo trêmulo.

Ele realmente trancou a porta?

Não está bem.

Enquanto se levanta, por que infernos o chão está tão frio?, ele tem certeza de que o pânico tomou conta. É algo familiar para ele. Arthur chora e sua garganta está irritada e ele estremece e treme tanto que é difícil pegar o celular. 4:07 da madrugada.

Anda até a cozinha para beber água — muita água, água demais — e começa a checar tudo de novo enquanto ignora a sensação de que alguém havia invadido sua casa e estava pronto para matá-lo.

Ele se joga no sofá. Não está seguro, nem confortável, nem bem. Mas está ali e precisa de distração então ele relê seu discurso e todos os seus planos, talvez levasse algumas horas para ler tudo. O pânico e tensão ainda passam por seu corpo e ele demora para conseguir ler normalmente, mesmo que saiba que suas mãos trêmulas vão dificultar o trabalho de qualquer maneira.

Ele está acostumado, mas estar acostumado não torna mais fácil de lidar.

Arthur puxa os joelhos para o peito, tentando ao máximo organizar seus pensamentos, respirando profundamento e repetindo algumas palavras para si que talvez ajudassem. Isso vai levar algum tempo.

Mas, pelo menos, ele sabe que estará melhor pela manhã.

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