Aprecio minha capacidade de me concentrar em mais de uma coisa ao mesmo tempo. No Ipad visualizo as movimentações das ações do Cullen Group, ao passo que a língua de Theodora trabalha por todo meu abdome, faz isso de maneira espetacular, talvez o motivo principal de seu talento sejam os pequenos gemidos que ela solta enquanto me lambe, como se a ação pudesse a dar mais prazer do que me fornece. Estamos em uma ótima posição aqui, encostado na cabeceira da cama do hotel mais caro da cidade, com ela montada em cima de mim aproveitamos o que parece ser a décima rodada da noite, ela desce mais, e desce mais, enquanto murmuro rouco, quando ela está quase lá a paro, puxando pelos cabelos para que suba, porque o email que atravessa minha caixa de mensagens é muito mais importante do que ela estava prestes a fazer. Negócios antes do sexo. Sempre.
Theodora entende e sua compreensão quase me excita. Essa é a melhor parte dela, a falta de cobranças, a parceria fora e dentro dos lençóis, os instintos parecidos. Ela pula do colchão e nua se afunda na banheira curiosamente não acomodada no banheiro, mas, presente no meio da suíte. Transamos pelo menos três das dez vezes nela, conheço o espaço. Me levanto para me vestir, me limitando a uma calça moletom, depois leio com mais atenção a análise detalhada que me foi enviada.
Eu queria com fúria e desespero que os Bennett me vendessem o prédio. Seria a minha melhor compra do ano, se eu o conseguisse minha fortuna duplicaria em questão de segundos. Mas Charlie Swan estragou isso, como é de seu maldito costume. Ele fez a aquisição primeiro, ele tirou o que era meu com a facilidade que alguém estala os dedos. Desprezo esses ricos nepotistas, pessoas que não fizeram o mínimo esforço para chegar onde estão, apenas ficam no topo porque alguém os colocou lá, o poder da genética, é o que dizem. Não foi meu caso, e não estou sendo hipócrita, sim, meu império veio de uma família bilionária, mas, não quer dizer que não tiraram tudo de mim para me dar esse tudo de volta. Quem me criou se certificou que eu descobrisse sobre dor, sofrimento e luta para ganhar o que precisasse. Em meus trinta e cinco anos trabalhei bem a questão de merecimento.
Minha expressão de ódio deve ser óbvia, porque com uma flexibilidade que usa comigo pelo menos uma vez por semana Theodora ergue uma perna por provocação e me olha com um sorriso cínico. Ela me conhece para além do âmbito carnal, ela é minha diretora financeira de confiança, é tão boa nas carícias quanto com números. É por isso que é minha amante fixa, mas, não única. Ela sabe em que botões não apertar, mas, que pedaços de pele morder. Entende exatamente por que tipo de processo estávamos passando essa semana.
— Cullen conseguiu. — adivinha em um sibilar de lábios. Para sabedoria dela seu comentário não acompanha mais nada. Ela está comigo há cinco anos, ela tinha que captar nas entrelinhas mesmo. Mordo os lábios com força, a ponto de sangrar, minha mente trabalhando em uma velocidade acelerada, pensando, refletindo, planejando um modo de ser quem passa na frente na próxima vez. O Swan continua ganhando. Toda maldita vez.
Ele é meu grande empecilho. Poderia ter virado invencível nesse ramo se não fosse ele e seus contatos. As pessoas não lidam com Charlie porque ele faz grandes contratos, mas, porque sua família conhece a família deles desde os tempos primórdios de New York. Essa é uma área que não posso acessar. Minha origem italiana me dá todos os benefícios econômicos e de respeito, mas, a moral em Manhattan tem mais a ver com que bairro chique desse país você nasceu e criou raízes. Não consigo derrotá-lo através do dinheiro, as tentativas vem sendo um fracasso e odeio perder, odeio mais do que qualquer coisa.
Me sirvo do whisky importado que se encontra acima da lareira, encho um copo e engulo de uma vez só. O que posso fazer? O que malditamente posso fazer? Theodora se calou enquanto também consome um bom champanhe, não porque ela é uma casca vazia que não tem nada a me oferecer, mas, porque está procurando uma solução, é por isso que a mantenho. Corpos quentes são uma coisa, entendo a obsessão dos homens por bons peitos, rostos sensuais e mãos espertas, não me veja errado, Theodora tem uma boa combinação desses itens, no entanto o que sempre alimentou meus desejos fora uma boa personalidade, a capacidade de adaptar, a ferocidade usada em momentos adequados, e o talento de conquista. O que fazemos entre quatro paredes tem mais a ver com o fato de que ela é capaz de tudo do que com suas habilidade sexuais.
A TV está ligada, não que programas de variedades pudessem ser do meu interesse enquanto estávamos fodendo, mas, eu decidi me conectar a todas redes possíveis, querendo me preparar para se o anúncio fosse feito. Não era um imbecil presunçoso, sabia que as chances para Charlie eram altas. Outra coisa que eu sabia era que essas emoções desagradáveis não me enfraqueciam, tolo era quem as negava, eu me permitia sentir tudo por um tempo adequado e depois transformar em energia para derrotar quem quer que fosse que ficasse no meu caminho.
— A modelo Bella Swan anuncia sua aposentadoria das passarelas. A herdeira do império Swan emprestou sua beleza por mais de dez anos para a indústria da moda. Mas, essa fase chega ao fim, ao que parece Bella Swan decidiu seguir apenas como uma socialite da Big Apple. — porra, não teria um momento menos irritante para saírem noticias de alguém relacionado a Charlie? Quero atirar o copo de cristal na TV para que a apresentadora pare de repetir esse sobrenome, mas, interrompo minha reação ridícula e foco em uma mais apropriada. Por toda nossa estrada de disputa há algo que se estabeleceu entre mim e Charlie, estamos em uma guerra fria, nossos movimentos não são diretos ou ofensivos, comemos pelas beiradas e mostramos ódio através de partidas ganhas, mas, não comemoradas na cara. Nos eventos que nos encontramos nos consideramos adversários discretos e competentes. Considerava que a melhor estratégia era quebrá-lo através da fortuna, só que não cogitei que eu próprio era o melhor jeito de dobrá-lo. Dou uma risada sem humor com as conclusões que chego.
— Terei uma reunião urgente com Jasper, vá embora. — ordeno sem nem mesmo olhar para Theodora, já enviando uma mensagem para meu segurança e assistente pessoal, ele está no saguão todo esse tempo, levará apenas alguns momentos para subir e fazer o que preciso.
— Por favor, Edward...Estou exausta, preciso de mais que um banho para descansar, não posso simplesmente ir. — reclama em um tom manhoso, ela não vende bem essa imagem e sabe perfeitamente que não a compro. Me viro sem paciência alguma, e ela de novo, sendo bem esperta fecha sua expressão. Não sou conhecido pela minha simpatia, paciência ou disposição, só porque a trato mais decentemente do que qualquer funcionário meu não significa que ela é especial. Eu peço para que ela venha, ela vem, eu peço para que suma, ela tem que sumir, a equação é simples.
— Saia daqui, porra. — enfatizo que acabou, que nosso climinha de sexo, luxúria e distração foi para o lixo, e tudo que importa agora é minha empresa, é me recuperar dos danos. É me prevenir para que não haja outros. O que temos não atinge a escala zero de importância, é algo que posso descartar tão rápido quanto respirar. Ela se levanta coberta pelas espumas, captura um roupão no sofá, se veste nele e começa a recolher cada peça de roupa sua que está no chão, assim que Jasper aparece, abrindo a porta sem precisar de espera já que sabe cada mínima senha que me envolve, seja do meu celular a porta de um quarto de hotel, ele não parece constrangido pela cena, pelo cheiro da orgia, pelas ações de Theodora ou pelo meu estado irritado. Tinha uma bela razão para ele ser meu braço direito há tanto, Jasper era reservado, não tinha tendências a intromissão e não questionava ordem nenhuma, simples assim. Não havia uma pessoa sequer em minha vida que não permanecesse por motivos suficientes. Exceto minha família.
Pelo canto de olho fitei o momento que Doris saiu do banheiro, bagunçada, mas, usando suas roupas, a chamava pelo apelido conhecido apenas na minha mente, o fato de sermos íntimos nunca significou que somos próximos. Ela não se preocupa em dizer uma palavra sequer a Jasper ou então em se despedir, uma bufada exasperada dela exibindo descontentamento é a primeira coisa que escuto antes dela ir embora, a segunda é o baque alto da porta quando ela bate e desaparece das minhas vistas. Respiro fundo e encaro Jasper, mesmo parecendo indiferente e não falando nada, às vezes ele consegue pontuar muita coisa apenas pelo olhar. E esse me oferece um conselho: descarte-a enquanto há tempo.
O ignoro como ele faz comigo e minhas decisões.
— A única coisa que me impede de ter o que Charlie Swan tem é a tradição. O fato dos ricos de Manhattan gostarem tanto de conexões ganha até mesmo da minha obsessão por poder. — coloco voz em meus pensamentos, porque falar para Jasper é o mesmo que não falar para ninguém, na maioria das vezes prefiro o silêncio e confabular sozinho, mas, hoje se faz necessário por para fora. — Meus métodos até agora tem sido atacá-lo em uma distância segura, mas, nesse ponto chegar nele internamente é a melhor opção. Ele não acreditaria em uma aproximação por amizade porque sabe que nos odiamos, contudo se eu oferecer um bom contrato posso simplesmente distraí-lo do fato de que quero seus clientes. — de etapa em etapa formulo meu plano. — Você o investigou há um tempo, ele e todos da família, a filha, o que sabemos sobre a filha? — questiono esboçando porque precisava da sua presença. Jasper era quem portava a memória que era dispensável para mim. Ele não altera a postura um milímetro sequer antes de relatar.
— Sem polêmicas, sem relacionamentos inapropriados, e sem problemas. Ela é a imagem de uma senhorita educada, polida e discreta de Manhattan. Contudo a existência dela possuí certa contradição. — Jasper não é o tipo que cria expectativas para falar, então me é estranho o fato de essa mulher consegue o deixar um tanto confuso, cerro meus dentes, exigindo com o gesto que ele continue. — Ela é dessa forma quando está no papel de filha de Charlie, mas, ela é modelo, há dez anos mais ou menos, seu pai parece apreciar essa exposição, ao passo que ela não mostra nada sendo filha dele quando está na passarela é um grande destaque, pelo que analisei as maiores marcas de luxo tem parceria com ela, os estilistas conceituados a querem em todos os desfiles, e os velhos de New York não dispensariam a chance de se casar com ela por ela própria não por seus contatos. Ela provavelmente tem uma fortuna por si própria, mesmo se não fosse herdeira dos Swan. — ele não está deslumbrado, está impressionado que alguém no mundo consiga ser tudo que ele aprecia e despreza ao mesmo tempo. Alguém que mostra tudo e alguém que esconde tudo.
É claro que sim. Filha de uma ordinário, ordinária é. Alguém que alcança sucesso porque tem um bom sobrenome. O tipo que mais desprezo.
— O nepotismo explícito em cada parte da sua falta de personalidade. — não me impeço de murmurar, no entanto ela era necessária, ela era o caminho até o final triunfante que tinha o gosto indispensável e apetitoso do sucesso. — Descubra onde posso a encontrar "por acaso" nos próximos dias, depois desse encontro marque uma reunião com Charlie Swan e no meio disso contate o escritório Gilbert, meus advogados terão um bom trabalho pela frente. — eles vão organizar a porra de um casamento dentro dos meus termos. Usei cada instante na minha vida em busca de um propósito, me casar por um tempo determinado não seria diferente. As noticiais anunciavam que a tal Bella não era seria mais um estrela em ascensão, seu pai com certeza iria querer uma nova utilidade para ela, o conhecia o suficiente para ter noção disso. Lhe ofereceria em troca facilidade no mercado italiano de imóveis, lhe daria alguns petiscos enquanto pegava dele o tesouro. Não me importava sua aparência, se era uma porta em relação a comportamentos, se iria ser um caos. É nele que prospero. E me recuso a não prosperar depois de tudo que já enfrentei.

