Lennon Faraday era um jovem de 19 anos que como a maioria dos adolescentes, não tinha um sonho definido e tão pouco um motivo para estar vivo. Vestia uma calça jeans bem antiga, um tênis encardido, uma blusa preta de uma banda decadente e por cima um casaco verde muito surrado e com inúmeros furos, alguns do tamanho do olho de um homem.
Andava pelas ruas de sua cidade em uma tarde de terça-feira apreciando a chuva fina que caia sobre seus cabelos longos e sujos. A mão foi quase que automática ao bolso ao puxar o Box de cigarro que já se encontrava amassado, pegou o isqueiro e o acendeu com um trago bem longo e desesperado. Andava triste e se lamentando da vida, sem nem mesmo entender o porquê e sobre o que estava lamentando-se. Foi quando em uma fração de segundos olhou para o lado, para um vasto campo verde e avistou ao longe uma luz forte que somente ele podia perceber. Do meio de todo o clarão um ser parecido com um Urso Polar levantou-se e parou em frente ao menino.
- Quem és tu? – perguntou assustado.
- A morte! – disse o Urso sem rodeios e com uma voz embargada.
-Então eu já morri?
- Não. Está pra morrer, daqui a alguns segundos, mas antes te concedo um último desejo, ou seja, peça logo que tenho milhares de outros homens para matar.
Por toda a sua vida havia pensado no que pedir como último pedido de vida. Era bem diferente de como estava acontecendo, afinal, se imaginara deitado em um leito de morte e pedindo dramaticamente um beijo de sua ex-namorada que certa vez ele gostara muito, mas era diferente, ele podia ter tudo, tudo mesmo. Abandonou a idéia de somente um beijo de uma menina qualquer e respondeu ao Urso
- Quero ver a felicidade!
- Que assim seja – disse o Urso saindo voando em uma aurora boreal que se formou misticamente no céu acima do campo
Parecia que todo o mundo era negro e sem vida, porém naquele vasto campo a luz era linda e perfeita. Foi quando tudo começou. Uma cidade apareceu diante de seus olhos e lá estava ele olhando para si mesmo. Era diferente na imagem que ele era de fato, era bonito, limpo e bem vestido, tinha uma namorada, um bom emprego, todo os consoles de vídeo game que ele podia contar, tinha um bichinho de estimação leal, cigarro e bastante queijo na dispensa.
Passou apenas um segundo até se dar conta do quanto sua visão de felicidade era medíocre e morreu desejando ter escolhido um beijo ao invés de uma vergonha.
