Kiss The Rain
Kiss The Rain
Kapitel 13 min Lesezeit

Álcool, Chuva e Sangue

Era muito para a capacidade de uma pequena garotinha de apenas 5 anos entender, as delicadas e pequenas mãozinhas passando por entre os fios de cabelo da jovem e atormentada, e há pouco falecida, víuva, faziam os olhares depressivos e dolorosos das pessoas em volta, derramarem sútis lágrimas, que ao caírem no chão misturavam-se com o sangue, formando um clima mais pesado dentro daquela sala, um piano, uma lareira, uma taça de vinho e a chuva perturbadora lá fora, eram as únicas testemunhas do que havia acontecido, em silêncio e angústia.

Sem parar para pensar na pequena Madeleyne, uma inocente criança, com dons artísticos dignos de um adulto, a única coisa que talvez a ajudasse a seguir forte, mas nem isso era mais o suficiente, a garrafa de vinho quebrada próximo ao pé da viúva era a prova de que nada mais tinha sentido.

– Mamãe, não durma na sala. – As inocentes palavras da criança fizeram apertar todo e qualquer coração que estivesse ali, até o mais duro e rancoroso possível.


– 5 anos depois -

– A jovem Madeleyne com certeza veio para conquistar à todos essa noite, trazendo novas melodias, é incrível com tão pouca idade e por tudo que passou. – Dizia o apresentador do programa, enquanto um forte raio de luz era jogado contra a garota e o piano a sua frente, branco, lustroso e frio, estava ali para que a jovem pudesse expressar sua dor nesse dia, 21 de Dezembro, início do inverno Boreal.

A medida que as primeiras notas se iniciavam, as pessoas calavam-se, algumas já preparavam seus lenços para o final da apresentação, outras desligavam os celulares, mas todas apenas apreciavam a doce melodia, tocada por uma jovem criança de 10 anos.

A apresentação acaba, e com ela a última lágrima da garota cai sobre as geladas teclas de marfim.

– Foi sem dúvida uma linda apresentação, está orgulhosa de si Madeleyne? – O alto apresentador se abaixava na direção da garota, e colocando o microfone mais próximo a ela, se emociona ao ouvir as palavras da jovem.

– Eu não estou, mas minha mãe estaria, toquei especialmente para ela, é um presente de natal adiantado. – A jovem se retira do palco e vai em direção aos seus avós, que a esperam com uma grande caixa, embrulhada em um papel púrpura com uma fita de cetim azulada.

– É para mim? – A jovem pergunta, observando o embrulho e o sorriso dos avós, eles entregam o presente à jovem que trata de abri-lo imediatamente.

Dentro da caixa, Madeleyne encontra uma boneca de porcelana, algo que era muito comum naquela época da sua infância.

A pele alva e a boca vermelha, os brilhantes olhos cor de mel como os seus, combinavam com o delicado e ondulado cabelo.

– Gostou? – A jovem admirava a roupa do presente, um vestido branco, feito de seda, algumas rendas delicadas e um laço firme atrás.

– Eu adorei, obrigado. – A educação de um adulto em uma jovem tão pequena, talvez amadurecer fosse o jeito que Madeleyne encontrou para superar a perda do pai em Junho, e a da mãe em Dezembro.

Cinco anos exatos se faziam da morte da viúva de apenas 26 anos, vítimia de sua própria dor e angústia, deixando para trás uma jovenzinha, talvez tivesse sido egoísta, e não pensou no sofrimento de sua filha, mas agora já está feito, já foi feito há muito tempo.



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