Its Not Too Late For Us...
Its Not Too Late For Us...
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Its Not Too Late for us...

Toda vez que acordo é a mesma coisa a mesma solidão e desnorteamento. Era horrível...

Já estou cansada de me sentir assim...mas não posso me abalar com isso, nem deixar que as pessoas a minha volta percebessem. Porem era muito difícil não demonstrar nada, nada do que eu sinto por dentro.

Eu tinha uma missão a cumprir e não podia falhar, muitos dependiam de mim, muitas vidas dependiam dessa luta. Tudo isso era minha culpa, e eu ia terminar com tudo isso antes que meu tempo acabasse.

Olhei para o céu e vi os pássaros voando livres, como eu queria poder ser assim, não ter as obrigações que tenho, não ter as mortes de pessoas que eu amava em minhas mãos, de pessoas inocentes, mas eu não podia mudar o passado.

Eu libertei Diva e agora era o meu dever acabar com ela, era meu dever terminar com tudo isso de uma vez por todas. E o meu tempo estava acabando...

Ter que esconder a minha solidão era doloroso, mas eu tinha que ser forte, não podia mostrar minhas fraquezas aos que me seguiam, eles não podiam ver o medo que eu sentia a cada passo que dava, não podiam ver nem imaginar o quão incapaz e fraca eu me sentia.

Onde será que Diva estaria? Quantos mais ela estaria matando?

Fechei meus olhos por um tempo até que sinto outra pessoa ao meu lado esperei uns segundos até a pessoa falar algo mas isso não aconteceu o que me fez logo adivinhar quem era ao meu lado, e sem ter a intenção um sorriso logo se formou em meus lábios e logo fiquei vermelha ao perceber que ele com certeza teria visto isso.

Abri finalmente meus olhos e encarei as orbes azuis que tanto me fascinaram perdi a fala enquanto olhava para ele, sentia que algo em mim estava diferente, diferente do que sempre foram para mim.

Não pronunciamos uma única palavra, somente nos encarávamos e assim era travada nossa conversa, como muitas outras antes; no silencio. Senti sua mão tocando levemente a minha que se encontrava na grama da pequena casa de campo em que nos abrigávamos.

Baixei meus olhos focando-os em nossas mãos, seu toque era tão suave que mais parecia a caricia de uma borboleta, eu sabia que ele percebia o que aquele toque me transtornava. E só fui perceber isso uns sessenta anos atrás o que eu deveria ter percebido há muito mais tempo. Eu amo Hagi.

Tirei minha mão de baixo da sua e fechei mais uma vez fechei meus olhos e fiquei ali repetindo em minha mente aquele pensamento.

Era verdade, eu sentia isso. Eu o amava, mas ainda sim, me faltava a coragem necessária para admitir isso.

— Você está bem Saya?

Fui arrancada de minhas reflexões, pela voz mais bela do mundo, tão bela quanto o som que saia do instrumento que constantemente ele tocava com tão, dedicação e carinho.

Virei meu rosto o encarando. Sim, estava tudo bem, afirmei em minha cabeça.

— Está tudo bem, obrigado por se preocupar Hagi.

— Sempre.

Respirei fundo tomando a decisão de falar a ele o que eu sabia que sentia, mas mesmo tendo a certeza o medo me era inevitável de não sentir. Muitas coisas seriam decididas pelo que eu falaria, muitas coisas poderiam e iriam mudar se eu falasse. E essa certeza que eu tinha me corroía.

— Fale comigo

— Não tenho nada a falar. – Virei minha cara para o outro lado, sabia que não seria capaz de esconder isso dele, nossa conecção era muito forte e nos saibamos disso, tanto que eu sabia que ele podia sentir a essência das minhas emoções.

O silêncio se instaurou entre nós e assim ficou por um tempo que não foi contado apenas sentido.

— Por favor Saya, me conte o que está de deixando tão angustiada assim... – Ele falou pegando meu queixo e virando-o para ele, me fazendo assim olhá-lo novamente nos olhos.

Então tive não pensei somente agi, me inclinei para ele e suavemente toquei seus lábios com os meus. Senti minha cabeça girar, não sabia como descrever, somente senti o que sempre havia desejado, fiquei ali naquele beijo simples, até sentir que não poderia mas congelar o tempo naquele momento.

— Saya...

— Por favor não fala nada Hagi...Eu, só...Te amo... – Falei rapidamente me levantando, não conseguiria olhar no seu rosto depois de falar aquilo, e o medo de qual seria sua reação voltou novamente dessa vez mais forte ainda.

Fui impedida de ir por uma mão que segurava meu braço, tentei puxa-lo mas não consegui, não teria como fugir então respirei fundo virando meu rosto para ele que estava em pé na minha frente, me encarando com um olhar que eu não conseguia distinguir.

— Saya, repita por favor...

— Pra que Hagi... – Eu suplicava mentalmente para que ele não pedisse de novo que eu fizesse isso, eu tinha medo da sua reação, mas ele não via isso.

— Por favor Saya...

Fechei meus olhos e fiquei assim por um tempo tomando mais uma vez coragem pra dizer; respirei fundo uma, duas, três vezes para assim ter um pouco da coragem necessária.

— Eu te amo Hagi, te amo e não conseguia mais esconder isso eu...não devia ter te falado isso, você agora vai me tratar diferente por isso, vai se afastar de mim...eu...me desculpe... – Falei puxando meu braço com toda a minha força e correndo para o meio das árvores que ficavam de um dos lados da casa.

Minha cabeça estava uma confusão não pensava em nada com clareza suficiente, sentia meus olhos arderem pelas lágrimas que eu teimava em não deixar caírem. Eu não podia ser fraca, eu não devia ser fraca, teimava comigo mesma, mas fracassando miseravelmente.

Corri até um pequeno lago que tinha por ali e me jóquei na grama que ficava ao lado não me preocupando com a dor que me causou tal atitude. Deitei ali e tentei inutilmente não pensar em nada, as lágrimas que havia conseguido segurar até agora começaram a cair com força, eu não queria o perder...

Senti passos por perto e logo abri meus olhos apreensiva com que seria, pensei ser talvez algum chivalier de Diva, levantei-me em um salto olhando na direção de onde o som vinha amaldiçoei-me por não ter trago minha catana comigo, mas também não teria como saber o que iria acontecer.

Preparei-me como podia e esperei, segundos depois desfiz meu posicionamento de luta ao reconhecer o cheiro era Hagi...

-Por que você fugiu? Saya eu não entendo, você...me ama mesmo?

— Amo Hagi, amo e só fui perceber hoje quando me dei conta de que logo meu tempo irá acabar e se na acabar logo com Diva todos irão morrer, todos que eu amo...

Senti uma de suas mãos em meu rosto, sua mão era quente e fria em meu rosto, me sentia confortável e mais protegida que nunca ao seu lado.

— Você não imagina como desejei todo esse tempo que venho sendo seu protetor que você dissesse isso Saya. Por qual motivo eu fui pegar aquela flor que você tanto queria? Por que desde a aquela época eu te ama Saya, é por isso...que fiz e faço tudo por você Saya...

O silêncio era reinante entre nós até que como se estivesse acontecendo tudo em câmera lenta, percebi seu rosto vindo em minha direção, seus olhos alternavam entre meus olhos e lábios e o mesmo acontecia comigo.

Nosso beijo, esse beijo era diferente, não mais com medo, duvida e sim cheio de certezas. Seus braços cercavam-me entre eles me deixando confortável e feliz naquele beijo, nos separamos e ficamos nos olhando silenciosamente.

Ali naquele momento eu senti-me finalmente completa, meus medos todos eles não mais existiam, minhas dúvidas não tinham mas fundamento, a luta que teria com Diva não me assustava mais e ali nos braços do homem que amo tinha certeza que nada mais me atingiria.

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