Cansada, deixo meu corpo escorregar pelo corrimão da ponte.
Não fazia idéia de quanto tempo estava ali sozinha, esperando.
Mas não queria sair dali, não sem te ver antes.
A noite estava fria, e mesmo com todos os agasalhos, me sentia congelada por dentro.
“Porque?”- pensei segurando as lágrimas.
Algumas pessoas passam, e olhavam confusas para mim sentada no canto.
Algumas, apenas curiosas, e outras com pena.
Tentei ignorá-las.
Não conhecia nenhuma delas, e principalmente você não estava entre a multidão.
Então nada mais importava.
Fechei os olhos, mas ainda atenta a todos os sons.
Queria estar desperta quando você aparecesse.
O chuvisco que caia desde o comecinho da tarde, ficava cada vez mais forte, mas eu não levantei o capuz do casaco.
“E se você passar e não me ver?”- pensei sentindo meu cabelo ensopado nas cotas.
Comecei a pensar na minha vida, e em tudo que aconteceu até ali.
Tantos problemas, afinal, eu nunca fiz realmente parte daquele lugar.
Meus pais me achavam rebelde, a “ovelha negra da família”.
Mas não conseguiam ver o quanto que eu sofria para me adaptar em vão.
Ali, nunca foi meu lar de verdade.
Queria tanto que alguém me desse a mão e me mostrasse um lugar novo.
Longe da falsidade e das mentiras.
A única pessoa que poderia fazer isso, é você.
Não sei ao certo onde ou como nos conhecemos.
Você simplesmente surgiu e sumiu da minha vida, sem deixar vestígios.
A não ser aqueles que ficaram guardados no meu coração.
Uma das poucas coisa que eu me lembro, é dessa ponte.
Costumava acreditar que ela era mágica, e que além dela existia um mundo perfeito.
Doce ilusão de menina.
Não era nada além de uma lugar abandonado, que nãos depois foi derrubado para construírem um novo shopping.
Logo, a ponte também será destruída.
Minha única forma de encontrar você...
Então, assim que soube disso corri para aqui, rezando para que você aparecesse.
Mas os minutos se tornaram horas, e dias.
E nem sinal de sua presença.
Olhei novamente para as pessoas que cruzam o caminho.
Algumas carregando caixotes e machados.
Talvez, ter vindo aqui tenha sido insanidade.
Mas, não podia desistir tão facilmente de meu passado...E do meu futuro também.
Levantei-me com os olhos vermelhos pelas lágrimas, que se misturavam com a chuva.
Coloquei minha mochila nas costas.
Caminhei devagar até o começo da ponte.
A cada passo que dava, sentia meu coração quebra aos poucos.
Muitos me acham louca, por desejar estar com alguém que nem conheço de verdade, e pouco me lembro do rosto.
Mas sinto, que estamos ligados de uma forma inexplicável.
E eu acreditei, acreditei na sua promessa que nos encontraríamos novamente.
Pois você não é como as outras pessoas.
Olhei para trás, vendo a nossa ponte pela uma ultima vez antes de seguir em frente.
Meu caminho?
Não ainda não conheço. A única certeza que tenho, é que seguirei ele com você.
Meu querido e amado Haku....
