Com um sobressalto, fui cuspida ao encontro da realidade e a ardorosa luminosidade proveniente da sutil luz solar que espreitava através das nuvens entremeadas, causando um curioso efeito luminescente ao qual, obrigou-me a piscar algumas vezes para adaptar a visão, ante a fotossensibilidade ocasionada pelo ato do reflexo exasperado.

Os fones de ouvido pendendo dos ombros reverberavam com música cuja o grupo musical eu desconhecia naquele momento atordoada demais para pensar em algo que não fosse, em primeira instância, em me acalmar. Sussurrando para mim mesma palavras de conforto acerca de tudo o que vi, a apenas mais um sonho — produto de meu subconsciente frutífero — assegurei para meu pobre coração enlouquecido dentro da caixa torácica de que eu estava perfeitamente bem e segura. Varrendo o ônibus de viagens com o olhar cauteloso, certificando de que outra pessoa não tivesse visto o estado perturbado que se apoderou de mim por alguns instantes, rendida ao cochilo proveniente do sono vencido.

O olhar incisivo da idosa que encontrava-se em um assento paralelo ao meu não passou despercebido, sendo a resposta de que eu necessitava para presumir que ela notou o ocorrido, fazendo minhas bochechas adquirem um familiar rubor. Ofereci um sorriso envergonhado como pedido mudo de desculpas, buscando focalizar minha atenção para a paisagem difusa e borrada que se projetava devido a movimentação constante do veículo, afugentando assim, de certa forma, qualquer possibilidade para possíveis questionamentos.

O restante da viagem transcorreu sem quaisquer outras intercorrências que pudessem de alguma maneira me causar mais constrangimento além do necessário, o que agradeci mentalmente a qualquer divindade existente, — apesar de não ser inteiramente desesperada por fé — pela benevolência ou qualquer coisa parecida que estivessem me oferecendo.

Era inevitável conter um singelo sorriso ao sair da Rodoviária e, ser envolvida de forma cálida pelo astro-rei e a nova atmosfera citadina de Redgrave que me abraçava gentilmente.

De fato, talvez, eu estivesse com perspectivas altas demais para quem havia acabado de chegar a um lugar inteiramente desconhecido, aquém do convívio habitual, no entanto não pude me coibir do sentimento de que estar aqui era parecido como estar em casa e me despertava infinitas sensações impossíveis de serem adequadamente ditas.

Sentia-me como um filho pródigo, retornando ao lar após uma longa estada distante.

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