Jade West e seu noivo Beck Oliver iam se casar. Tudo já estava planejado, a festa, a cerimonia, as madrinhas, o bufê, o vestido, e todos os convidados tinham confirmado presença para a festa, todos estavam ansiosos para o casamento, afinal, ninguém nunca imaginou Jade West se casando. A única coisa que os noivos ainda não tinham era uma casa. Quer dizer, os dois já moravam juntos, mas num apartamento alugado, não era um lugar deles.
Um dia, para surpresa do casal, Jade recebeu uma carta dizendo que seu avô, já falecido, tinha deixado uma casa para ela. Ela nunca teve contato com seu avô, nem seus pais tinham. E já fazia alguns anos que ele havia morrido. De qualquer forma, Jade achou ótima a ideia de ganhar uma casa. Era tudo o que eles precisavam.
Jade e Beck foram até a tal casa.
O lugar parecia estar abandonado a décadas. Do lado de fora, a pintura das paredes estava desbotada e escura por conta da umidade, os vidros das janelas estavam tão empoeirados que era impossível ver o que havia do outro lado. A grama estava mal cuidada, cheia de galhos secos pelo chão. Dentro da casa, os cômodos estavam todos mobiliados. Uma camada de poeira cobria os moveis, que eram antigos, mas estavam em bom estado.
_Que lugar velho! – exclamou Jade
_Essa casa deve estar abandonada há décadas. – disse Beck
_A gente precisa dar um jeito nisso hoje.
_Você quer fazer uma faxina nessa casa inteira em um dia? – Beck perguntou
_É. – Jade deu de ombros – Não seja folgado Oliver, a gente consegue.
Os dois passaram o dia inteiro limpando a casa, o tempo passou tão rápido que eles nem perceberam que já estava anoitecendo.
_Até que enfim terminamos. – disse Beck se jogando no sofá que estava coberto por um plástico – Eu estou exausto
_Ainda falta o porão. – Jade disse se sentando ao lado dele
_Vamos deixar para amanhã. Afinal, essa casa é nossa agora. Não precisamos ter pressa. – Beck disse e depois beijou Jade
_Eu nem acredito que nós temos uma casa só nossa. – Jade disse sorridente. Raramente a garota demonstrava tanta felicidade, mas desde o dia em que Beck a pediu em casamento, Jade ficou mais calma e gentil.
_É incrível. – Beck disse demonstrando a mesma animação
_Nossa já está anoitecendo. A gente demorou com essa arrumação hein?! – Jade disse
_E a gente ainda precisa abastecer a geladeira. – Beck disse abrindo a porta da geladeira que estava completamente vazia
_Eu não quero sair de casa agora. – disse Jade
_Tudo bem, eu vou. – Beck disse
_Volte rápido.
_Vai ficar com saudades futura Sra. Oliver? – Beck perguntou se aproximando de Jade
_Eu só não quero meu noivo andando sozinho por ai a noite. – Jade disse e o beijou – Agora vai logo.
Beck sorriu para Jade e saiu.
Jade ficou deitada no sofá descansando. Depois de quase meia hora de um silencio quase que assustador, alguém toca a campainha. Jade abriu a porta, não havia ninguém ali, apenas um bilhete no chão. Ela pegou o bilhete e começou a ler:
“Esta casa é minha. Vocês não são bem-vindos aqui. Vá embora enquanto há tempo.”
Não estava assinado. Jade não conhecia ninguém dessa vizinhança. Pensou ser apenas alguma brincadeira de mau gosto das crianças do bairro.
_Crianças idiotas. – Jade amassou o papel e jogou num canto qualquer do quintal
Já estava de noite e Beck ainda não havia chegado. Como não tinha nada melhor pra fazer, Jade começou a andar pela casa. O silencio incomodava, mas não mais do que a curiosidade dela de ir até o porão. Ela tinha um mau pressentimento de entrar lá sozinha, mas a curiosidade foi maior do que o ‘medo’. Desceu as escadas que iam até o porão. A cada passo os degraus rangiam quebrando o silencio. Jade abriu a porta lentamente, estava completamente escuro, assim que acendeu a luz teve uma surpresa.
O cômodo estava muito bem conservado. A pintura parecia nova, havia varias prateleiras com retratos de um casal e no meio do cômodo tinha um sofá, em cima dele estava um vestido de noiva igual ao de Jade.
Jade achou aquilo muito estranho, mas continuou olhando os objetos do lugar. Foi até uma das prateleiras onde estavam os retratos. Em uma das fotos do casal, o rapaz era o avô de Jade, mas a moça não era sua avó.
De repente, uma corrente de ar frio invadiu o porão. Uma onda de fumaça entrou pela porta e se transformou na figura de uma moça. Pele morena clara, cabelos castanhos encaracolados soltos até o meio das costas. Estava usando um vestido de noiva branco, simples, mas muito bonito. Seu rosto não tinha expressão, mas ela poderia ser considerada uma modelo.
_Essa era uma das minhas fotos favoritas. – disse a moça
_Quem... Quem é você? – Jade perguntou. As palavras quase não saiam de sua boca.
_Eu me chamo Victoria Vega. Fui a primeira mulher de seu avô. – respondeu a moça
_E por que você está aqui? — Jade perguntou mesmo temendo a resposta
_Eu morri aqui. No dia do meu casamento, eu estava aqui, ia me arrumar para a cerimonia quando aconteceu aquele terremoto. Não sobrou nada. A casa inteira desabou. Nem tive a chance de me casar. – sua voz soava amargurada
_Eu sinto muito. – Jade disse
_Você ia se casar não é?
_Eu VOU me casar. – Jade deu ênfase no “vou”
_Não. Não vai. Seu avô me traiu quando se casou novamente e eu jurei a mim mesma que nunca mais deixaria nenhum West se casar.
_Mas não foi culpa minha e você já estava morta. – Jade disse sem medir suas palavras
_Não importa! Você vai morrer da mesma maneira que eu. – a fantasma abriu os braços e o chão começou a tremer.
Jade correu até a porta, mas estava trancada.
_Não adianta fugir. – disse Victoria
_Me deixa em paz! – gritou Jade
_Nunca! – gritou Victoria
Jade tentou abrir a porta com vários socos e chutes, mas não adiantou. Quando Jade deu mais um chute na porta, uma foto caiu de seu bolso. Era uma foto dela e de Beck.
_Esse deve ser o seu noivo né? – perguntou a fantasma pegando a foto – Ele é muito bonito. Não merece casar com uma West.
_Eu vou me casar com o Beck e você não vai me impedir! Agora abre essa porta! – Jade gritou mais alto.
_Pare com essa gritaria. – disse Victoria. Ela fez um gesto com a mão e uma onda de vento empurrou Jade para longe da porta e a fez cair do chão
_Jade? – Beck a chamou do outro lado da porta – Você está ai?
Jade tentou responder, mas sua voz não saía.
_Beck – Victoria disse com uma voz idêntica a de Jade – Entre.
Assim que Beck abriu a porta o chão parou de tremer e Victoria sumiu.
_O que aconteceu? – Beck correu até Jade que estava com uma expressão de terror
_A gente precisa sair daqui. – Jade disse num fiasco de voz
Beck não entendeu a reação de Jade, mas decidiu não questionar. Os dois correram até a porta, mas ela estava trancada. O chão voltou a tremer, dessa vez com mais força, as paredes começaram a rachar fazendo as prateleiras caírem no chão. Os dois se sentaram no chão porque já era quase impossível se manter em pé.
As luzes piscaram, o ar se tornou frio novamente e Victoria reapareceu.
_E não viveram felizes para sempre. – a fantasma disse e jogou a foto dos dois pra cima.
_Eu te amo Beck. – disse Jade
_Eu também te amo Jade. – respondeu Beck
Os dois se abraçaram e assim que a foto tocou o chão, a casa inteira desabou.
