[HIATUS] This is War
[HIATUS] This is War
Kapitel 110 min Lesezeit

In the End.

4 de Janeiro, 1944.

Eu ganhei este diário há alguns meses, mas eu não anotava nada especial aqui e na maior parte do tempo só desenhava, porém agora a importância deste diário veio a calhar. Não tenho ninguém para conversar e só posso ficar pensando no fim que chega mais perto a cada batida de meu coração.

A guerra começou sorrateiramente, minha família saiu da Alemanha quando Hitler subiu ao poder e se mudou para a Holanda, na época nós achávamos que nada de ruim aconteceria se não estivéssemos em território alemão, mais um erro.

Eles começaram proibindo, os judeus não podem ir ao cinema, os judeus só podem frequentar lojas de donos judeus, os judeus não podem andar de trem, os judeus não podem, não podem, não podíamos fazer nada! Comecei a frequentar o Liceu Israelita e era uma aluna brilhante, mas tive que parar quando a guerra realmente começou.

Ah, é tudo tão horrível! Vários e vários judeus desaparecem a cada dia que se passa, são simplesmente levados pelos nazistas como se fossem animais! Todo dia uma criança chega da escola e não encontra os pais em casa, ou uma mãe volta das compras e descobre que toda sua família foi levada, todos nós sofremos muito pelo simples fato de sermos judeus, o que eu pessoalmente acho muito injusto.

Um dia mamãe e papai estavam ouvindo a Inglaterra pelo rádio, então eu resolvi fazer as compras e deixá-los com um pouco de tempo livre, mas quando voltei não havia mais ninguém lá, só uma notificação que dizia que eu deveria estar pronta amanhã e só levar o que pudesse carregar, foi um completo choque para mim e só depois de muito tempo eu tomei consciência da triste verdade:

Minha família se fora. Eu estava sozinha.

Quem sou eu? Bem, deveria explicar primeiro.

Meu nome é Chloe van Maarsen e eu tenho 15 anos, em breve farei 16. Sou judia e morava com meus pais e uma irmã mais nova de 12 anos chamada Margaret. Eu não pareço muito judia, tenho cabelo loiro e olhos castanhos, a minha pele é pálida (no momento, está mais pálida do que o habitual). Antes da guerra realmente começar, tinha uma vida aparentemente perfeita: um grupinho de amigos que não eram muitos, mas verdadeiros, pais amorosos, avós que adoravam me dar doces, uma irmã amável e tias adoráveis, eu tinha quase tudo e mesmo assim vivia com medo deles.

Acho nazista uma palavra muito feia, horrível na verdade, então eu os chamarei de um termo menos forte mas que ao mesmo tempo os descreve muito bem: monstros.

Eu falava de mim, certo? Exatamente. Costumava levar uma vida normal, saía com as minhas amigas e nós jogávamos cartas e sempre acabávamos nas confeitarias mais próximas que aceitavam judeus, normalmente nossos amigos pagavam doces para nós, já que todos eram muito gentis e muitos nossos admiradores. Mas logo após os judeus começarem a ser levados vários de meus amigos se foram e eu parei de frequentar a escola, só vivia em casa com medo de ser levada em transportes de animais ou ser morta antes mesmo de chegar a um campo de concentração, e está é uma perspectiva muito desalentadora, não acha?

O que posso dizer de minha personalidade é que não sou facilmente influenciável e bem cabeça-dura, admito e aceito isso. Outra coisa é que eu não tenho vergonha de ser judia, os judeus são e sempre serão o povo escolhido, mas eu gostaria que fossemos escolhidos para uma coisa boa! Eu gosto de ouvir piadas, mas não de fazê-las, sou mais do tipo irônica e as pessoas sempre se divertem com minhas cortadas, o que é quase tão bom quanto piadas! E eu gosto bastante de chocolate, mas provavelmente vou ficar sem durante um bom tempo.

Agora que já falei um pouco sobre mim, acho que posso continuar a contar minha história.

Logo após eu descobrir que meus pais haviam ido embora, eu demorei uns 15 minutos para me recuperar do choque e chorar, mas não chorei por muito tempo. Tinha que fazer alguma coisa e sabia exatamente o quê, já que alguns amigos cristãos de papai haviam oferecido esconderijo para nós, mas nós havíamos recusado pois não queríamos causar prejuízo a ninguém, só que agora era uma emergência e eu realmente precisaria ir até lá. Peguei o endereço e juntei alguns poucos pertences em uma bolsa de mão média, o diário foi a primeira coisa que peguei, vesti 2 blusas de frio e 3 para o verão, 2 calças compridas, uma saia e um vestido de verão, por cima de tudo vesti um sobretudo cinza gigante e botas de neve por cima de 2 sandálias, uma de verão e outra de inverno. Corri numa velocidade campeã até a casa deles, não queria que ninguém me visse e fizesse perguntas, não queria nem que me olhassem com pena por não poder oferecer transporte, só queria ir embora logo e me sentir segura novamente (ou tão segura quanto uma judia em plena Segunda Guerra Mundial possa se sentir). Reconheci o bairro onde eles moravam e a casa verde-limão claro com telhado branco, que era a deles, toquei a campainha e um menino de cabelos castanhos atendeu.

– Olá... — eu disse. — Meu nome é Chloe van Maarsen e...

Ele nem me deu tempo de responder, só me puxou para a casa e fechou a porta, ficou alguns segundos me encarando e suspirou aliviadamente:

– Chloe! Finalmente chegou! Onde estão seus pais e sua irmã? — ele perguntou, me abraçando. — Ah, desculpe-me os modos. Meu nome é Henry DeVoy.

Eu estava um pouquinho assustada pela reação dele, mas ao mesmo tempo comovida com o fato de um cristão se importar tanto com uma menina judia, eu o apertei mais no abraço e ele fez o mesmo. Lembrei que ele havia perguntado de meus pais e Marg, minha irmã, uma lágrima rolou em minha face e foi seguida por várias outras, ele percebeu que estava chorando e me apertou ainda mais no abraço.

O pai dele, Max DeVoy, apareceu na sala com um sorriso levemente tímido. Ele era parecido com meu pai, alto e de poucas palavras, ver ele fez outra lágrima cair.

– Sinto muito, Chloe, sinto muito mesmo... — ele disse, já percebendo o motivo do choro. — Pelo visto você já conheceu o meu primogênito, Henry. Minha outra filha, Lucy, tem a sua idade e no momento está no quarto dela, vou chamá-la.

Eu acenei com a cabeça e me virei para Henry.

– Quantos anos você tem? — perguntei, um pouco tímida.

– Tenho 17, em breve farei 18. — ele respondeu de um modo simples, dando de ombros. — Você tem 16, certo?

– Quase! — eu sorri minimamente. — Falta um mês para o meu aniversário.

Um sorriso iluminou o rosto de Henry.

– Então nós poderemos ter uma festa! Mas não chamaríamos ninguém, já que você vai ficar escondida no nosso porão e...

– O quê? — o interrompi, já que nenhuma informação de onde me esconderia havia sido dada à mim.

O sorriso no rosto dele desapareceu e ele comprimiu os lábios, rindo.

– Eu sempre falo demais! — ele declarou, pegando minha mão. — Venha, vou levá-la até a cozinha e você poderá conversar com minha mãe.

Acenei positivamente e ele me guiou até a cozinha, a casa era gigante e a cozinha devia ser do tamanho do meu quarto e do quarto da minha irmã. Lá haviam 4 meninos e uma moça de aparentemente trinta ou quarenta anos, os meninos se levantaram e me encararam com uma expressão confusa, Henry gelou.

– Ah, oi gente, é que... — ele começou, mordendo o lábio.

– Sua namorada? — perguntou o menino loiro de olhos claros, já havia comentado como todos são bonitos? E como o Henry é bonito? Pois eles são!

Henry sorriu alegremente e me envolveu num abraço de um braço só.

– Não, é só uma amiga da família que vai passar um tempinho com a gente. — ele disse.

– Ahh... — todos fizeram.

– Mas ela vai acabar sendo sua namorada! — disse o loiro, dando de ombros.

Eu olhei Henry com uma expressão confusa que claramente dizia "Quem são eles?".

– Desculpe-me, Chloe. — ele disse. — Estes são meus amigos. O loiro é o Nicholas, o de cabelos cacheados é o Luke, o que está se olhando no espelho é o Zachary e o que está apontando para si mesmo é o Liam!

Todos sorriram e eu retribuí o sorriso, não deixando de notar que Henry omitira o fato de eu ser judia.

– Meu nome é Chloe, o Henry já falou o motivo de eu estar aqui, é um prazer conhecê-los. — eu disse, Henry piscou para mim.

Uma voz foi ouvida do andar de cima, praticamente um grito esganiçado que dizia:

– OS NOSSOS HÓSPEDES CHEGARAM?

Todos os meninos começaram a rir, o que me deixou confusa.

– PARE DE SER PREGUIÇOSA E VENHA AQUI VER! — Henry gritou, e eu supus que era a irmã dele, Lucy.

Acertei! Uma garota desceu as escadas majestosamente e sorriu para mim, ela usava um vestido preto longo e os cabelos soltos.

– Oi, você é a Chloe ou a Margaret? — ela disse.

– Eu sou a Chloe, e você deve ser a Lucy, certo? — perguntei, retribuindo o sorriso.

Ela acenou positivamente com a cabeça e me envolveu em um abraço.

– Vamos ser ÓTIMAS amigas! Eu, você e a Celebriant! — ela disse.

– Celebriant é a melhor amiga da Lucy, ela vive aqui e o Luke tem uma queda por ela. — explicou Henry.

– NÃO TENHO NÃO! — protestou Luke, arrancando risadas de todos, Lucy revirou os olhos.

– Todos sabemos que você tem, Luke, mas ela está comprometida com o Peter. — ela cantarolou, Luke mostrou a língua (o que teria me surpreendido se fosse na rua, mas em casa não há nenhum problema, ou há?)

Bem, o resto da tarde havia passado bem, eu já era amiga de todos e esperava passar um bom tempo nesta casa, mas ainda tinha medo que os monstros viessem e me capturassem! Oh, pobrezinhos DeVoy, eles estão querendo me ajudar e acabariam encrencados! Não ligo muito para o que vá acontecer comigo desde que eles fiquem a salvo.

O Sr. e a Sra. DeVoy (que era a mulher que estava na cozinha) me levaram até o porão, estava arrumado com uma cama, um sofá, uma TV, um pequeno rádio e um banheiro. Faria todas as refeições com a família, mas tentaria sair o mínimo possível para evitar estranhos. Os quatro meninos amigos de Henry e a amiga de Lucy ficariam cientes de minhas condições e guardariam segredo, pelo que o Sr. DeVoy falara eles eram amigos da família há vários anos e nunca fariam nada que fosse prejudicial, e eu esperava mesmo! Todos me deram pêsames pela minha perda, mas eu não queria ouvir e acabei sendo um pouco insensível, gostava de ter esperanças de que eles ainda estivessem bem e eu pudesse vê-los novamente um dia, mas agora esta ideia parecia apenas um sonho.

Bem, sonhar é bom! E vou fazer isso agora mesmo! Boa noite, Diário.

Chloe.

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