H E A R T
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Kapitel 113 min Lesezeit

Capítulo 1. All That Jazz

Capítulo 1. All That Jazz

Último Dia de Aulas, 2019. Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Roxanne Weasley colocava mais uma camada de batom cor de rosa, admirando a si mesma no espelho de seu dormitório na Lufa-Lufa. Seu malão já estava arrumado, praticamente lotado com todas as suas roupas, e ela tinha encolhido a própria vassoura para guardá-la em sua bolsa. Usar magia para guardar coisas era uma de suas especialidades.

Depois de acabar a maquiagem, vestiu o cardigã bege que separara e ajeitou o cabelo negro e ondulado uma última vez antes de levar malão e bolsa para fora do quarto. Era a última a sair e provavelmente estava atrasada, já que dormira demais. Como sempre.

Passou pela sala comunal praticamente vazia, acenando para alguns conhecidos, antes de sair para o corredor. Seu irmão a esperava encostado na parede, o malão dele jogado ao lado. Ele mexia no celular, provavelmente jogando algum daqueles RPGs que tanto amava. Ao ouvir os barris que davam entrada ao salão comunal da Lufa-Lufa se abrirem, ele ergueu o olhar e, ao ver a irmã gêmea sair, revirou os olhos.

— Finalmente, Roxy! Pensei que eu iria criar raízes aqui.

Roxy sorriu sarcasticamente e estava prestes a dar uma resposta quando sentiu o celular no bolso do cardigã vibrar. Abençoada fosse a pessoa que finalmente conseguira criar celulares em que a magia não interferisse no funcionamento.

Princesa

Já embarcou? (10:53)

O sorriso da garota passou de atrevido para fofo em meros segundos, o que não passou despercebido pelo olhar atento de Fred Weasley II.

— É ele, não é? — indagou, tentando ver a mensagem por cima do ombro da irmã. Roxy revirou os olhos e deixou-o ver a resposta que digitava. — Por que o nome dele no seu celular é ‘Princesa’?

— Por causa daquele dia na Toca, onde ele ficou o dia inteiro gritando com quem tentasse tocar no cabelo dele. — ela replicou, rindo — Eu o chamei de princesa e ele fez uns trejeitos engraçados agindo como princesa, então troquei o contato dele.

Roxy Weasley

Saindo da sala comunal da LL (10:53)

Te vejo em King’s Cross? (10:53)

Princesa

Ss, claro (10:54)

— Você realmente precisa contar a ele, Roxy. — Fred avisou, encaixando seu braço no da irmã assim que ela guardou o celular. Os dois começaram a andar, puxando seus malões enquanto percorriam corredores e subiam escadas rumo ao Salão Principal.

— E então o quê? Ele vai se casar, Freddie. — ela replicou, dando de ombros. — Está tudo bem em sermos só amigos. Ele nunca me notaria mesmo.

Fred fez um muxoxo inconformado, como quem diz que aquela conversa ainda não terminara, e os dois trocaram de assunto. Precisavam planejar suas férias, afinal.

— Mamãe estava querendo visitar uns amigos no México, lá para o final de Julho. Ela me disse da última vez que ligou.

— Oh, ótimo. Vou precisar comprar um biquíni novo. Meus peitos crescem muito depressa, é terrível. — ela revirou os olhos, ao que Fred riu.

— E você perdeu o banquete de final de ano. — ele comentou, ao que Roxy deu de ombros.

— A Naty falou que pegou comida para mim. E a Grifinória ganhou a Copa das Casas, como sempre é desde que James Sirius entrou no time.

— Sim, mas esse ano a Corvinal ganhou a Taça das Casas. Já é uma mudança. — o rapaz de cabelos escuros acrescentou, também dando de ombros. Os dois irmãos finalmente chegaram até o Salão Principal e então seguiram para fora da escola, pegando o caminho principal que os levaria até a estação de Hogsmeade.

— É praticamente impossível furar a defesa daquela criança. Ele é uma parede. — Roxy reclamou, bufando. — Até nos jogos amadores d' Toca, ele é incrível.

— Verdade. E é por isso que a Grifinória vai ganhar a Copa das Casas enquanto o James estiver aqui. — Fred concordou com um sorriso animado. — E o resto do time também é muito talentoso, só para deixar bem claro.

— Você só diz isso porque faz parte do time. Mas o time da Lufa-Lufa é muito superior em habilidade. A gente só precisa de um goleiro decente para ganhar.

E os dois foram discutindo o Quadribol da escola o caminho inteiro e ainda o faziam quando entraram no Expresso de Hogwarts. Automaticamente foram até a cabine no final do corredor, Fred tendo soltado o braço da irmã para proteger o bolso externo de sua jaqueta com uma mão.

— O Brandon se recusou a ficar na árvore do Hagrid de novo? — Roxy perguntou quando os dois adentraram a cabine. Fred assentiu, tirando o pequeno tronquilho de dentro do bolso.

— Ele gosta demais de mim, por algum motivo. — o animalzinho deu-lhe língua, ao que o Weasley riu e revidou antes de ambos virarem para as duas pessoas que já ocupavam a cabine. Roxy alegremente já havia se sentado ao lado da garota negra, que lhe passara uma sacola de papel com comida surrupiada do café da manhã.

— Muito obrigada, Naty! Não sei o que eu faria sem você! — ela agradeceu à garota, que riu e assentiu. À sua frente, Fred sentava-se ao lado de um rapaz de cabelos escuros. Ele olhava para a janela, parecia perdido em pensamentos. A pele de metade do seu rosto reluzia em um tom vívido de azul, deixando a cena mais cômica que preocupante.

— O que deu no Niko hoje? — o gêmeo perguntou à garota, que deu de ombros.

— Deve ter sido a última pegadinha do Heart. Ele foi um dos atingidos por essa tinta azul estranha, talvez esteja planejando sua vingança.

A atenção de Roxy foi desviada da comida junto com a do rapaz que se chamava Niko.

— O Heart? Ninguém sabe se é uma garota ou um garoto, não é? — ela perguntou, tentando usar um tom inocente de voz.

— Sim, mas todos assumem que é um cara. — a amiga respondeu.

— Tem que ser um cara. — Niko replicou — Uma garota seria boazinha demais para isso.

— Como é? — Roxy ergueu as sobrancelhas, uma torrada a meio caminho da boca. — Nikolaj Krum, o que você disse?

— Eu disse — ele encarou a lufana, os olhos negros parecendo arder com a perspectiva da vingança — que uma garota não seria capaz de fazer todas essas pegadinhas.

— Pois eu discordo. — falaram Roxy e Fred ao mesmo tempo, ao que Naty assentiu.

— Isso é machista demais da sua parte, Niko. — ela disse, cruzando os braços.

— É a verdade, ué. — ele deu de ombros. As orelhas de Roxanne subitamente atingiram o vermelho perigoso de quando ela perdia a paciência e a outra lufana na cabine tirou a sacola de comida de perto da amiga com uma olhar tenso.

— Garotas podem tra... — e foi interrompida pelo próprio celular, que vibrara mais uma vez.

Princesa

Hey, n sei se vou conseguir chegar a tempo (11:04)

Tive um imprevisto aqui (11:04)

O trem já saiu? (11:05)

Roxy Weasley

Aaaah :(( (11:05)

Saiu sim (11:05)

Eu to com sdds (11:05)

Princesa

Eu sei, eu tbm to (11:05)

Desculpa mesmo (11:06)

Como posso te recompensar? (11:06)

A expressão chateada de Roxanne foi o suficiente para Fred e Naty compreenderem. Niko apenas soltou um resmungo ininteligível e voltou a encarar a janela. Naquele momento o trem começou a andar.

— Ele não vai para a estação, não é? — a garota perguntou, ao que Roxy assentiu com um sorriso triste.

— O chame para ir a essa boate que a Domi nos convidou. — o gêmeo sugeriu.

— Ele vai levar a noiva junto. — a outra replicou.

— Não vai, não. Você sabe que ela detesta essas festas que a Domi vai.

Roxy Weasley

A Domi chamou a mim e ao Freddie pra ir pra uma boate hj (11:09)

Vamos? (11:09)

Princesa

Estarei perdoado se for? (11:09)

Roxy Weasley

Talvez (11:09)

Princesa

Beleza, eu vou (11:10)

Encontro vcs na sua casa? (11:10)

Roxy Weasley

Ss. Minha casa às 21h (11:10)

E ah, arrume um terno estilo anos 20 (11:11)

Princesa

Pq? (11:11)

Roxy Weasley

Pq nós vamos dançar jazz (11:11)

Roxy guardou o celular depois disso, novamente animada.

— Você foi salvo do meu discurso por um triz, Niko. — ela soltou, sorrindo. — Mas nós vamos ver se você ainda mantém essa opinião.

Fred riu, sendo o único a entender a ameaça contida nas palavras da irmã. Os três começaram a discorrer sobre seus planos para as férias com alguns comentários de Niko. Ele continuava encarando a paisagem que já começava a se modificar, tendo posto um dos lados de seus fones de ouvido. Roxy sabia qual o motivo de ele não usar os dois fones: ele queria ouvir a voz risonha de Nathalia Thomas, sua melhor amiga, falar das férias que passaria com os pais no Brasil. Com um sorriso foi que notou a troca de olhares entre os dois, decidindo que precisaria fazer algo com isso no ano letivo que viria. Seu último em Hogwarts. E, consequentemente, o último ano letivo em que Heart atuaria. Era o seu ato final, e ela estava decidida a torná-lo memorável.

— O que você está planejando, Roxy Heart? — sussurrou-lhe Fred, ao perceber o olhar maquiavélico da irmã. Um sorriso de lado foi a única resposta que ele teve.

***

A curva do sorriso dele inevitavelmente arrancava suspiros dela. Os cabelos bagunçados pareciam macios. A vontade que ela tinha de tocá-los era quase impossível de combater. Seus olhos claros eram carinhosos e seus braços a ergueram do chão, mesmo com todo o seu peso extra: em um abraço apertado logo que ele a viu.

Ninguém ousava comentar nada a respeito, mas Roxy era gorda. As coxas grossas e os seios robustos, juntamente com a camada de gordura em sua barriga e os braços e pernas um pouco mais flácidos que o normal, contribuiriam para que ela não realmente gostasse do que via no espelho. Mas ela gostava. Oh, adorava cada centímetro de si mesma. Sabia que não era o tipo ideal da maioria dos homens, mas deixara de se importar fazia anos. E é claro que não competiria com as primas de sangue veela ou as felizardas que nasceram com o gene ruivo da família Weasley, mas entendia que as belezas eram diferentes. E ela era sim bonita. Se sentiria bonita com ou sem o homem abraçando-a, mas era inevitável sentir-se valorizada quando aquele a quem ama te chama de linda e fica embasbacado ante a sua presença.

Os dois aparatariam de braços dados. Chegariam ao pub, tomariam alguns drinques trouxas, dançariam a noite inteira ao som do melhor jazz dos anos 20. Juntos, as respirações se misturando com a proximidade. E então chegaria o momento em que nenhum dos dois gostaria de continuar com aqueles joguinhos de incertezas e eles finalmente se beijariam. Como se não existisse mais ninguém na vida dele. Como se ela fosse aquela com quem ele passaria o resto dos dias.

Se o mundo fosse feito das coisas que se passam na cabeça de Roxanne Weasley, tudo seria um musical. E ela teria o cara que cobiçava, é claro. Mas não foi isso que aconteceu realmente, por mais decepcionante que seja. Foi apenas uma noite divertida com os amigos/primos e o amor não correspondido. Como todas as vezes que aquele grupo, que incluía a ex-grifinória Molly Weasley II, saía junto.

***

1º de Setembro de 2019. Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

— Senhorita Weasley, sente-se. — Minerva McGonnagall pediu, assim que Roxy adentrou o escritório da diretora. Ela puxou uma das cadeiras em frente à mesa em que a diretora de Hogwarts estava sentada para obedecer à ordem, um sorriso displicente no rosto. A mulher suspirou e pôs sobre a mesa duas embalagens coloridas das Gemialidades Weasley. — Pode me explicar isso?

— Bom, meu pai tem uma loja bastante famosa. — ela deu de ombros, ainda sorrindo.

— Tem seu nome nessas embalagens, senhorita Weasley. E, se não estou enganada, são as embalagens do Pântano Instantâneo e dos Fogos Instantâneos Weasley que foram soltos no salão comunal da Sonserina nesta manhã. — a diretora afirmou, ajeitando os óculos de armação quadrada. Roxy continuou sorrindo, lembrando das caras de pânico daqueles enjoados. A sala comunal virara um pandemônio de pessoas tentando se livrar dos fogos apenas para afundarem no pântano, enquanto Roxanne apreciava o espetáculo discretamente encostada a uma parede, comendo um pudim e rindo.

— Sim, eu soltei tudo aquilo. Admito, diretora, que foi divertido. — Minerva ergueu uma sobrancelha, e Roxy poderia jurar ter visto o princípio de um sorriso naquele rosto enrugado.

— Por que, senhorita Weasley? E justo no primeiro dia de aula? Estava começando a pensar que nem a senhorita nem seu irmão haviam herdado o DNA travesso de seu pai...

— Mas foi justamente por isso, diretora Minerva. — ela explicou, dando de ombros mais uma vez. Tinha conversado aquilo com Fred algumas semanas atrás, quando os dois começavam a arrumar as coisas para voltar a Hogwarts. Sendo Roxanne a Heart, o legado de seu pai e tio continuaria. Mas como ninguém sabia disso, deveria ser necessária uma brincadeira em que ela publicamente declarasse culpa. E ela teve certeza de que um dos monitores da Sonserina a vira saindo do salão comunal e abandonando as embalagens bem à vista, apenas com aquele objetivo. E, é claro, tinha sido divertidíssimo ver a expressão chocada de Nikolaj Krum quando o monitor gritou que Roxanne Weasley era a culpada daquela bagunça logo no primeiro dia de aulas.

— Oh, sim. Vejo agora que a senhorita possui o mesmo brilho maléfico e curioso nos olhos. — a bruxa mais velha comentou, encarando os olhos castanhos de Roxy — Mas devo perguntar: como conseguiu entrar no salão comunal da Sonserina?

— Um mágico nunca revela seus segredos, não é mesmo? — foi a resposta dela, rindo enquanto recordava o quão fácil tinha sido subornar seu caro primo Albus, o segundo sonserino da família Weasley-Potter, com um belo pacote de doces, galeões e brindes da Gemialidades.

— Muito bem. — a diretora de Hogwarts levantou-se — Sua detenção começará amanhã depois das oito da noite, quando deverá ajudar a limpar a biblioteca de Hogwarts e a restaurar os livros. Sem magia.

Roxy também ergueu-se rapidamente da cadeira, seu sorriso desaparecendo.

— Eu vou fazer isso sozinha? Todos os livros?!

— Não, é claro. Outros alunos estão com esta mesma detenção. Todos serão liberados assim que Madame Pince disser que ajudaram o suficiente. — ela replicou — Ou se ela se cansar de vocês, é claro. Você pode sair agora, senhorita Weasley.

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