
Você me mostrou o que era felicidade, me ensinou a amar. Um amor tão forte e tão intenso que me preenche por inteiro, mesmo agora... Um amor que tornou aqueles poucos meses mais belos e mais vívidos do que eu sequer ousaria sonhar. Um amor que fez eu me sentir viva pela primeira vez em oito anos. E pelo qual eu matei e morri, apenas para você poder ser livre...
Mas nós não somos livres... E eu sequer sou capaz de voltar a me sentir viva!
Eu só queria que você olhasse pra mim, que me visse de verdade e percebesse o quanto estou quebrada. Que visse a escuridão que me consome, dia após dia, minuto após minuto; que visse o vazio que me sufoca. Eu só queria que confiasse em mim, que me contasse o que te aflige, que dividisse comigo as suas preocupações... E também que ouvisse as minhas queixas. Assim, poderíamos nos consolar nos braços um do outro, curar todas as feridas que aquela bruxa nos causou.
Mas você também está quebrado demais pra me enxergar, perdido em sua própria escuridão, incapaz de me estender a mão... Ou de aceitar a minha. Você não vê nada além desta casca, deste coração que continua a bater enquanto eu agonizo, mesmo quando, tantas vezes, a ideia da morte me pareceu tão apelativa. Ao menos ela daria um fim à culpa que me consome.
Porém, acima de tudo, eu queria liberdade. Mas você é incapaz de me dar. Por isso eu vou embora, porque prefiro morrer de saudade a viver assim...
Não mais sua,
Feyre.

